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ATEs municipais SP | ATEs na cidade de São Paulo: “Fico ansiosa sem a certeza de poder me remover ou não”

Sair de casa às 4h da manhã, passar horas no transporte público atravessando a cidade para chegar no horário de trabalho e enfrentar uma carga de trabalho cada dia mais pesada dentro das escolas, depois todo o trajeto de volta para chegar tarde em casa. Essa é a rotina das novas ATEs (auxiliar técnico de educação) que acabaram de ingressar e estão impedidas de se remover, de escolher trabalhar mais perto de casa, de ter mais tempo para lazer, estudo ou ficar com a família. Impedidas por um decreto do então prefeito Bruno Covas (PSDB) e que tudo indica que o reacionário Nunes (MDB) adotará.

terça-feira 27 de julho | Edição do dia

Imagem: Fabio Vieira/Metrópoles

“Preciso acordar antes das 4h da manhã para atravessar a cidade de leste a oeste e chegar na escola. Sempre com medo de me atrasar. Mas se pudesse me remover poderia conseguir uma escola perto de casa. Fico ansiosa sem a certeza de poder me remover ou não.”

Esse é um relato de uma ATE (auxiliar técnica de educação) da rede municipal de São Paulo que vive na zona leste mas atravessa a cidade todos os dias para trabalhar na zona oeste. Essa não é uma realidade isolada, mas compartilhada por muitas trabalhadoras que foram chamadas no concurso e que estão impedidas de se removerem (mudar sua unidade de lotação de trabalho) enquanto estiverem em estágio probatório. Isso graças ao então prefeito Bruno Covas (PSDB) que impediu a remoção de novos servidores com o Decreto 58.805 em 2019. Até o ano passado, excepcionalmente, o decreto não foi aplicado. Mas até o momento as trabalhadoras convivem com a angústia de não saber como será esse ano. Tudo indica que em 2021 os educadores em início de carreira serão privados do direito de se remover.

Além das longas jornadas para ir e vir para a escola. A carga de trabalho é cada vez maior. E isso é especialmente sentido pelas trabalhadoras do apoio pedagógico e as terceirizadas da limpeza que além de tudo sofrem com a constante redução do quadro de funcionários nas escolas. No final de 2019 e nas vésperas da reabertura insegura das escolas em 2020 o então prefeito Bruno Covas (PSDB) chegou reduziu para menos da metade o número de funcionárias da limpeza! Houve convocação dos aprovados em concurso para vagas para Auxiliar Técnico de Educação (ATE), mas o número de convocados ainda está muito aquém da necessidade das escolas, enquanto ainda há aprovados esperando convocação. E essa rotina dura só deve aumentar a partir de agosto com a continuação do processo de reabertura insegura das escolas. Seguindo Doria (PSDB) e seu secretário de educação Rossieli, Nunes irá ampliar a capacidade de atendimento das escolas para até 100% da capacidade a partir da próxima semana.

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Ou seja, além da crescente carga de trabalho, essas trabalhadoras que acabaram de ingressar estão impedidas de escolher trabalhar mais perto de casa, de ter mais tempo para lazer, estudo ou ficar com a família. Não é um decreto absurdo como esse que impedirá que as escolas fiquem com quadro reduzido de funcionários e sim a ampliação do quadro, da convocação dos aprovados em concurso, e efetivação dos trabalhadores com contratos precários das escolas sem necessidade de concurso. O que vai na contramão da agenda de precarização e desmonte da educação pública que governos como de Bolsonaro e Mourão, assim como do PSDB de Doria, promovem e que agora Nunes deixa claro que seguirá. Para enfrentar tudo isso só podemos apostar na nossa luta organizada unificando efetivos e precários.

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