Cultura

DESEMPREGO

A volta da Marretagem

Em 1996 o grupo de Rap paulista RZO lançou uma de suas musicas mais famosas chamada “O Trem”. Sua letra retrata o duro cotidiano nos trens da grande são Paulo, onde a massa negra de trabalhadores precarizados saem dos bairros e cidades residenciais para trabalhar nos bairros industriais e comerciais da capital paulista.

sábado 23 de abril de 2016| Edição do dia

“Vários moleques pra vender, vem comprar, é aqui que vende”, assim citam a marretagem, comércio ambulante ilegal dentro dos trens. Sua composição social é majoritariamente de jovens negros precarizados tentando sobreviver ao desemprego. Sua rotina é marcada pela repressão que ocorre dentro da malha ferroviária, descrita pelo RZO nos seguintes versos “trabalhador na porta tomando borrachadas, marmitas amassadas, fardas, isso é lei? Vejam são cães, só querem humilhar toda vez (...) desta estação, preste atenção, repressão”.

A questão que motiva esse texto é a de que esse retrato da marretagem parecia ser algo superado, restando pouco dele em algumas linhas da CPTM. A causa disso foi o boom econômico no lulismo que permitiu um aumento considerável do trabalho formal, além dos programas sociais que tornavam esse tipo de atividade desnecessária para a sobrevivência (claro que não sem custos, como a precarização do trabalho e aumento da terceirização que marcaram os governos do PT).

Nos últimos dois anos, a crise econômica se agravou e se tornou palpável. A inflação corroeu o poder de compra dos salários, o preço dos serviços como transporte subiu e o desemprego cresceu agressivamente (principalmente no setor industrial com 235 mil postos de trabalho fechados em 2015), chegando a 15% de desempregados nas regiões da grande São Paulo.

Como consequência o trabalho informal voltou a crescer e se tornar uma estratégia de sobrevivência para amplas camadas da população trabalhadora. A marretagem ganhou um novo fôlego neste processo, tornando-se visivelmente mais ampla. O que antes se restringia as linhas da CPTM, que faziam a conexão centro – periferia, agora é possível ver essa atividade de forma bem frequente nas linhas do metrô que atravessam o centro da cidade, inclusive na linha 4 amarela, linha privada conhecida por ser mais repressora.

A marretagem, assim como outras medidas, se trata de uma medida de desespero dos trabalhadores, na maioria das vezes desempregados a um tempo. Para enfrentar o desemprego e assim não jogar os trabalhadores em situações precárias como o trabalho de marretagem, em que tem de enfrentar a repressão para sobreviver, é preciso que os trabalhadores ainda empregados se unam com o conjunto dos trabalhadores que estão desempregados e informais e encabecem uma forte luta contra as demissões e por trabalhos públicos que empregue essa massa desempregada (e assim gaste o dinheiro com um fim social e não com pagamento da divida para banqueiros). É necessário também que os sindicatos lutem para que as horas de trabalho existente seja repartida entre os empregados e desempregados, sem que com isso o salário seja reduzido.




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