Sociedade

VIOLENCIA POLICIAL

A violência policial contra o futuro da juventude

terça-feira 28 de junho de 2016| Edição do dia

Noite de quarta-feira, 28 de novembro de 2013. Dia 13 de agosto de 2015. Sexta-feira, 28 de novembro de 2015. 27 de abril de 2016, quarta-feira. Quinta-feira, 02 de junho de 2016. Sábado a noite, 25 de junho também de 2016.

Amarildo, Douglas, Cláudia, Edson, João Vitor, Luana, Yan, Inácio, Waldik...

As datas e os nomes acima fazem parte de uma lista imensamente maior do que a que conseguimos reproduzir, a lista dos assassinados pela violência policial no Brasil.

No último sábado, 25 de junho mais uma criança foi brutalmente assassinada. Waldik Gabriel Chagas, de apenas 12 anos, foi morto a tiros pela Guarda Civil Metropolitana, na zona leste de São Paulo.

Em menos de um mês, esse é o segundo caso de crianças assassinadas pela polícia, isso se levarmos em consideração apenas os casos que acabam ganhando repercussão da grande mídia. No dia 02 de junho um garoto de 10 anos também foi morto, supostamente em troca de tiros com a PM, na zona sul de São Paulo. Segundo a mãe do menino, a morte de seu filho só foi divulgada por ter acontecido em bairro nobre, já que na periferia as execuções cometidas por polícias são constantes.

A violência e a brutalidade contra os jovens das periferias, em sua maioria negros, não são características apenas da cidade com o maior efetivo policial do mundo, São Paulo. No Rio de Janeiro as UPPs, que matou Amarildo em 2013, continua deixando seu rastro de sangue e servindo como aliados do tráfico de drogas. Os números de casos de tortura e morte de jovens negros e pobres na Bahia são aterrorizantes.

As chacinas de Osasco e Barueri, ocorridas em 13 de agosto de 2015, são exemplo da marcha fúnebre promovida pela polícia. Sete policiais militares e da guarda-civil assassinaram 19 pessoas, para vingar a morte de um colega.

Não é por menos que o medo, a insegurança e o odio da população frente aqueles que supostamente estão ali para proteger só faz crescer.

Enquanto isso os policiais assassinos continuam impunes, sempre protegidos por uma série de leis que permitem que um jargão policial os livrem de serem punidos, a "resistência seguida de morte”. De acordo com dados do Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de SP, mais de 90% dos casos classificados como resistência seguida de morte são arquivados sem nem mesmo ir a julgamento.

Esses homicídios são arquivados pelos promotores, mostrando que a morte de milhares de jovens cometidas pela polícia é na prática pactuada com o estado e a justiça.

Nessa terça, 21 de Junho, tivemos exemplo claro disso quando o Supremo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu habeas corpus aos policiais responsáveis por assassinar 5 jovens com 111 tiros, no caso que ficou conhecido como a chacina de Costa Barros, segundo o ministro do STJ, Nefi Cordeiro, que concedeu o habeas corpus aos executores, a justificativa é que foi pedido apenas a prisão provisória e não em flagrante destes policiais.

Para estes os crimes e a violência cometidas pela polícia podem servir inclusive como "favores". Não é raro o caso de policiais que fazem escolta de segurança para juízes e promotores em troca da impunidade nos seus assassinatos. Promotores como Rogério Zagallo, que em 2013 publicou em seu twitter, enquanto estava preso no trânsito por conta de um protesto contra o aumenta da passagem, que se a Tropa de Choque matasse os jovens que estavam na manifestação ele arquivaria o inquérito policial.

Além disso, os poucos casos que são levados adiante são julgados por um júri especifico da própria instituição policial, ou seja, são julgados e "condenados" entre seus pares assassinos e racistas.

As leis dessa democracia dos ricos em que vivemos garante que policiais que cometem homicídios sejam inocentados, enquanto a juventude, principalmente a negra e pobre, é criminalizada com a redução da maioridade penal, com a lei antiterrorismo e permitindo a militarização de escolas, como em Goias, Manaus e Santa Catarina.

São Paulo, o estado que tem a polícia mais assassina do mundo, teve como secretario de segurança Alexandre de Moraes, que assumiu o caráter letal de sua polícia em entrevista ao jornal El Pais, e que atualmente ocupa o posto de ministro de justiça do governo golpista de Temer. Saiu do estado para cumprir o papel que vinha desempenhando com maestria em São Paulo, mas agora no país.

Em momentos de crise econômica e política como a que vive o Brasil é no fortalecimento desta repressão contra a juventude que aposta a burguesia e os governos, para garantir seu projeto de descarregar sobre os ombros dos trabalhadores e mais pobres o pagamento da crise, para assim garantir que seus altos salários e suas vidas de luxo continuem sendo garantidas.

Em uma sociedade onde a "farra" de poucos significa a miséria de muitos, o estado garante a ordem das coisas através de seus braços armados, as polícias. A criminalização da pobreza e da juventude negra é fundamental para toda a casta de exploradores.

Para dar um basta a violência policial não se pode confiar na justiça burguesa, que com todos seus tentáculos garantiram o golpe institucional e colocaram no poder o golpista Michel Temer para intensificar os ataques a população, e para garantir este objetivo não se furta de aumentar a violência do aparato repressor do estado quando preciso, é claro.

Também não se dará através de respostas cosméticas, como a desmilitarização da polícia. O caso do menino de 12 anos morto em São Paulo pela GCM escancara que a questão é estrutural das instituições policiais, que são os braços armados do estado e da burguesia. O prefeito Fernando Hadadd se defendeu dizendo que "na verdade, o guarda anda armado para se proteger, não é para fazer policiamento. Ele tem que se proteger. Para isso que serve. Aparentemente, houve um erro de abordagem". Um erro que já custou a vida de muitos e muitas e que continuará sendo cometido, mesmo pelas polícias desmilitarizadas.

É necessário colocar um fim em todas as policias herdeira da ditadura militar e que serve de cão de guarda dos ricos.

Desde de 2013, a juventude vem se levantando contra este regime que só lhes oferece a repressão e a brutalidade policial em vez de educação, transporte, lazer e saúde. As ocupações das escolas iniciadas em São Paulo como uma faísca que se espalhou para outros estados mostram a força desses jovens que burguesia e governo reprimem para manter seus privilégios.

É desta força que temos que tirar impulso para dar fim as polícias assassinas e aos privilégios dos ricos e governantes, que resulta no sangue derramado nas periferias. Nos inspiremos nos secundaristas do Brasil, nos negros que se levantaram nos EUA também contra a violência policial e nas jovens mulheres que tomam as ruas por seus direitos para impor um movimento que avance contra a casta parasita e contra seus cães de guarda, a polícia, impondo uma assembleia constituinte para questionar profundamente esta democracia burguesa e racista. Que sejamos uma voz anticapitalista em defesa da nossa juventude e da população mais pobre. Acabar com os altos salários dos políticos e funcionários de alto escalão como os juízes lutando para que todos eles ganhem o mesmo que uma professora.




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