MULHERES NO ESPÍRITO SANTO

A violência capitalista contra mulher no ES só se combate com um feminismo socialista

No 8 de março, as mulheres trabalhadoras dos ônibus deram exemplo e pararam Grande Vitória para garantirem a existência da função de cobrador. Petroleiros já estão em 5 dias de greve no estado. No Espírito Santo que se abusa e mata mulheres todos os dias, devemos dizer com força, onde haja opressão e exploração, essas lutas são nossas.

quarta-feira 10 de março| Edição do dia

Imagem: Alex Ferreira

O Espirito Santo é um dos estados onde infelizmente quase todos os dias se tem uma notícia sobre feminicídio, violência contra a mulher ou abuso sexual infantil. E um estado extremamente conservador, onde Bolsonaro foi o mais votado em 64 municípios.

A quantidade de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher existentes no estado são insuficientes se comparar a quantidade de municípios e casos de feminicídio e violência contra a mulher que acontecem. Há somente 13 delegacias entre os 78 municípios. Além disso, a má localização e a falta de capacitação dos servidores e de autonomia da Delegacia se mostram como verdadeiros obstáculos no atendimento às vítimas de violência, onde é comum a culpabilização da mulher, questionando, por exemplo, o que elas fizeram para motivar a agressão e desqualificando as narrativas das vítimas, como pudemos ver em casos como o da Mari Ferrer que repercutiu na mídia e tiveram manifestações em todo o Brasil. Somente na região da Grande Vitória, que abrange 7 municípios do estado, são registradas 15 denúncias de violência contra a mulher por dia.

Os casos de feminicídio não ficam para trás. Em média, por mês, pelo menos 2 mulheres são assassinadas no Espírito Santo. Dos 101 casos de assassinato a mulheres no estado em 2020, 26 foram classificados como feminicídios. Agora em 2021 já são 4 mulheres assassinadas por feminicídio: Luana Demonier, tinha 25 anos. Rosimar dos Santos Cruz tinha 31 anos. Fabrícia Maria da Silva, tinha 35 anos. Elizângela Teixeira de Lacerda, tinha 36 anos. É assustador imaginar quantas violências estão acontecendo nesse momento de quarentena, onde as mulheres estão sujeitas a ficarem em casa 24h convivendo com seu agressor e tendo um sistema capitalista que não garante essa proteção e ainda faz pouco caso como se a mulher fosse a culpada.

Os casos de estupro e abuso infantil também não passam despercebidos. De janeiro a julho de 2020, 259 crianças de até 14 anos foram abusadas sexualmente em todo o estado, sendo em média mais de 1 caso registrado por dia. O que representa também uma subnotificação se comparado ao ano de 2019, onde nos primeiros 7 meses tiveram 423 casos registrados. Isso comprova que os casos que têm alcance nacional, como foi o da menina de 10 anos que foi estuprada desde os seus 6 anos de idade, por seu tio e outras pessoas da família, não é um fato isolado como a mídia pareceu transmitir.

Em relação à questão do trabalho, no Espírito Santo a mulher tem salário 27% menor que os homens, sendo esse número maior que a média nacional, que é de 22%. Isso na comparação entre mulheres e homens brancos, pois se for comparar às mulheres negras, esse salário é ainda menor. E como se já não bastasse ganhar menos que os homens até mesmo quando exercemos a mesma função, a mulher ainda tem que ligar com a dupla jornada de trabalho, em casa e fora de casa.

Dia 14 irá completar 3 anos do assassinato de Marielle e Anderson, que até hoje não temos uma investigação e nem uma resposta sobre quem mandou matar Marielle Franco. Por isso é necessário defender que o Estado garanta uma investigação independente, realizada por uma comissão de especialistas em direitos humanos, movimentos sociais e partidos de esquerda. É preciso que sejam garantidos os acessos às provas e todas as condições necessárias, para que os verdadeiros interessados tenham sua resposta.

As mulheres do ES e de todo o país devem apoiar ativamente a luta dos petroleiros contra a privatização da empresa. A derrota dos setores golpistas alinhados a Bolsonaro por uma verdadeira luta nacional desses trabalhadores poderia abrir espaço para que a Petrobras seja 100% estatal sob controle dos petroleiros. Essa demanda essencial deveria ser tomada pelo movimento de mulheres com unhas e dentes, garantindo a construção de casas abrigo pras mulheres vítimas da violência e um soldo mensal que garanta independência dos agressores com os lucros que são desviados para o imperialismo todos os anos.

O feminismo socialista defende uma estratégia de se ligar umbilicalmente com a luta dos trabalhadores e dessa forma, pode garantir de fato as nossa demandas, enfrentando os capitalistas que querem nossa miséria, tal como ficou demonstrado na pandemia.

Com a força das mulheres, dos negros, LGBTs, do conjunto da classe trabalhadora e de setores da esquerda é preciso construir um grande polo de independência de classe, para atuar com os métodos de nossa classe e derrubar Bolsonaro, Mourão e o regime capitalista. Para isso, não devemos confiar em golpistas ou em partidos como o PT, que administrou o capitalismo durante 13 anos e mesmo com uma mulher no poder não concedeu o direito ao aborto legal, seguro e gratuito, preferindo privilegiar os acordos com a Igreja e setores conservadores da sociedade.

É por isso que nós da Juventude Faísca e do grupo de mulheres Pão e Rosas nos inspiramos nas diversas lutas que tem acontecido internacionalmente, como a juventude espanhola que se enfrenta com a repressão da monarquia, nas operárias têxteis contra o golpe em Mianmar, na enorme força das mulheres argentinas que saíram às ruas para impor suas demandas e exigir justiça por Úrsula que foi vítima de feminicídio, na força das manifestações do Black Lives Matter que romperam com a passividade pandêmica nos EUA e tantos outros exemplos que tem ocorrido. Temos que seguir batalhando para que sejam os capitalistas que paguem pela crise, não a classe trabalhadora!

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