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A renúncia de Añez: o que muda nas eleições presidenciais na Bolívia

terça-feira 22 de setembro| Edição do dia

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Diego Sacchi falou sobre esse tema em sua coluna de notícias internacionais no programa de rádio El Círculo Rojo, que é transmitido todos os domingos das 21h às 23h na Rádio Con Vos.

Estamos a menos de um mês das eleições presidenciais na Bolívia, que acontecem no dia 18 de outubro. Nesta quinta-feira, a atual presidenta do país, Jeanine Áñez, anunciou a retirada de sua candidatura, supostamente para unificar a direita.

A renúncia se tornou pública após várias horas de reunião com delegados da Comunidade Cidadã, grupo que o ex-presidente Carlos Mesa lidera, como candidato de centro-direita.

Áñez assegurou que sua decisão foi para "defender a democracia", algo difícil de se acreditar, considerando que assumiu a presidência graças a um golpe de Estado em novembro de 2019 contra Evo Morales.

Na realidade, a renúncia tem a ver com duas questões fundamentais: A primeira questão é que as pesquisas colocam Añez em um quarto lugar com apenas 10% dos votos. De acordo com a última pesquisa publicada pela Fundação Jubileu, Luis Arce, candidato do MAS, está em primeiro lugar com 40,3%, em segundo lugar Carlos Mesa da Comunidad Ciudadana com 26,2%. Em terceiro lugar ficaria o ultradireitista Luis Fernando Camacho com 14,4%.

Com esses números, o MAS de Evo Morales venceria a eleição no primeiro turno por ultrapassar os 40% e obter mais de 10 pontos de vantagem em relação ao segundo colocado.

A segunda questão tem a ver com a denúncia apresentada pela Ouvidoria da Bolívia, que destaca as violações de direitos humanos decorrentes do golpe de Estado. Destacam-se os massacres de Sacaba e Senkata e a atuação da Polícia Boliviana, das Forças Armadas e do Ministério Público.

A renúncia teve um impacto imediato na direita. Como esses setores vão se realinhar? Foi o que perguntei a Pablo Stefanoni, que é jornalista e editor-chefe da revista Nueva Sociedad, que me disse:

“A renúncia da candidatura presidencial de Jeanine Añez se explica sobretudo por sua queda abrupta nas pesquisas nas últimas semanas. A grande questão é se isso vai concentrar suficientemente os votos para que o MAS não ganhe no primeiro turno com a fórmula de 40% e 10 pontos de diferença sobre o segundo colocado".

Acrescentou que “A dificuldade em concentrar o voto é que a situação está muito regionalizada. Carlos Mesa é o segundo no oeste, mas fraco no leste. Luis Fernando Camacho é o primeiro em Santa Cruz, mas por sua vez não consegue nada em La Paz. Uma regionalização muito forte do voto, não é apenas uma questão ideológica ”e que “A renúncia de Añez beneficia Mesa, o coloca em melhor posição para passar a um segundo turno e beneficia Camacho, que vai se fortalecer como líder regional , e no futuro ele poderia ganhar o interior e assim ganhar posições parlamentares ".

Pablo Stefanoni acrescentou que “o que é muito interessante é que a saída de Añez não levou a um acordo político dos setores contrários ao MAS. A disputa ainda é muito forte, aliás Camacho fez declarações muito fortes contra Añez e nem Carlos Mesa fez um acordo político com ela. Temos que esperar os próximos dias para ver que tipo de recomposição política isso vai gerar, mas claramente melhora as chances de Carlos Meza de conseguir mais votos ”.

Lembremos o contexto da eleição: a Bolívia continua sob um governo de interino e nos últimos meses vimos manobras autoritárias contra as forças contrárias ao governo, incluindo a recente proibição de uma possível candidatura de Evo Morales.

Lembremos também a dura repressão aos protestos sociais contra o Governo, suas políticas de ajuste, a terrível resposta à pandemia de COVID, a perseguição às organizações sociais ,violações dos direitos humanos e que houveram manifestações que acabaram sendo utilizadas pelo MAS para negociar com setores do golpe.

Nesse contexto, os dias que faltam para as eleições ainda podem trazer novas surpresas que impeçam o retorno do MAS ao governo ou imponham condições ao novo governo para que garantam a impunidade aos golpistas.

Traduzido de: http://www.laizquierdadiario.com/La-renuncia-de-Anez-que-cambia-en-la-eleccion-presidencial-en-Bolivia




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