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VIOLÊNCIA POLICIAL EUA

A polícia de São Francisco tortura, mesmo sob controle do voto

Na cidade de São Francisco nos EUA, detentos estão sendo forçados a lutar entre si para entretenimento dos carcereiros. Esta barbaridade acontece sob a gestão de um xerife que se autodenomina “radical”.

quarta-feira 1º de abril de 2015| Edição do dia

Na cidade de São Francisco nos EUA, detentos estão sendo forçados a lutar entre si para entretenimento dos carcereiros. Esta barbaridade acontece sob a gestão de um xerife que se autodenomina “radical”. Este caso horripilante serve para debater as ideias da esquerda internacional e brasileira sobre a possibilidade de reforma das forças policiais.

Detentos esperando julgamento são arrastados e forçados a lutar sem nenhuma trégua para diversão dos carcereiros. Aqueles que se recusam são espancados. 40 anos antes de Cristo em Roma? Não, em 2015 numa cidade que é considerada a mais progressista nos EUA, São Francisco na Califórnia.

O fato do escândalo acontecer sob a gestão de um departamento de polícia com um “Xerife Progressista” eleito democraticamente, ilustra como o tratamento de detentos é desumano nos EUA e em todo o mundo. Assim também serve de exemplo à esquerda mundial como a polícia é uma instituição fundamentalmente irreformável.

O defensor público, atuando em defesa de Ricardo Garcia, um prisioneiro de 23 anos de idade, relatou como seu cliente foi forçado pelos agentes penitenciários a lutar com um outro detento que tinha o dobro de seu tamanho. O próprio Garcia relatou como foi sua tentativa de recusar a lutar.

“Eu falei para ele que não queria luta. Aí ele me falou o que aconteceria comigo se eu não lutasse, que eu ia apanhar, ia ser algemado e tomar gás de pimenta na cara”.

Os dois prisioneiros que são forçados a lutar são informados que tudo é permitido menos ataques que deixem marcas nos rostos. Os carcereiros ficavam ao lado e faziam apostas. Após a segunda luta Garcia estava muito machucado e foi impedido de receber o tratamento médico adequado.

“Tenho machucados nas costas, nos cotovelos e ainda – minha costela parece que está quebrada.. é difícil respirar ainda hoje, e não consigo dormir deitado em cima deste lado do corpo.” Continuou seu relato ao defensor público.

Os detentos eram obrigados a mentir aos funcionários médicos e que os machucados eram devido a quedas de seus beliches.

Os vencedores das lutas recebiam a promessa de ganhar hambúrgueres como prêmio.

Garcia foi forçado a participar de duas lutas e, antes que seu pai trouxesse a público estas acusações ele já tinha uma terceira luta agendada. As lutas ocorriam, aparentemente, como um evento organizado e repetido enquanto parte de um abuso sistemático que era feito contra os detentos. Os carcereiros em questão, batiam nos detentos em suas genitais, roubavam sua comida e eram conhecidos por todos os presos como sádicos e abusadores.

“Não sei porque ele faz isto, mas parece que ele tem um barato com isto, porque você olha para o rosto dele e dá para ver que ele está tendo prazer enquanto nós estamos sofrendo pelas ações dele.” Afirmou Garcia no mesmo depoimento.

A vítima do abuso do carcereiro ainda especulou no depoimento se a motivação do abuso não era criar conflitos raciais, já que ele (de descendência Havaiana e Filipina) tinha que lutar contra negros. No sistema prisional dos EUA as divisões raciais são muito marcadas e usadas como ferramenta pelos carcereiros para manter o controle.

Este caso, no entanto, não é um exemplo de ações de alguns carcereiros agindo isoladamente, ou com lideranças conservadoras ou abertamente reacionárias. Pelo contrário, são chefiados pelo Xerife de São Francisco, um cargo que é eleito democraticamente nos EUA.

O atual prefeito Ross Mirkarimi, xerife eleito é co-fundador do “radical” Partido Verde da Califórnia e coordenador da campanha presidencial de Ralph Nader em 2000. Ele é responsável por algumas medidas progressistas, no entanto, preside um departamento que é responsável não somente pela opressão cotidiana dos detentos mas também, por este escândalo que relembra barbaridades de milênios atrás. Mesmo com um xerife eleito, o departamento de polícia continua exatamente o que ele sempre foi: uma ferramenta racista de opressão em mãos da classe dominante




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