Política

ALAS BURGUESAS

A oposição burguesa, o petismo e a democracia burguesa

quinta-feira 3 de março de 2016| Edição do dia

Os setores governistas como a CUT, CTB, UNE, MST e MTST estão fazendo uma ampla campanha acusando os setores da direita como o PSDB, DEM e outras alas da oposição burguesa de fascistas. A alegação dos setores governistas é de que estes setores estão encabeçando o processo de impeachment contra a presidente Dilma e que isso não passaria de um mero golpe fascista, pois não existiria nenhuma base legal para ‘’retirar uma presidente que foi eleita pelo povo’’.

Ao afirmar que a ala direita representada pela oposição burguesa é fascista, os setores governistas querem criar ilusões na democracia burguesa, criando uma falsa separação entre os ditadores que querem dominar a população e que estão a serviço da ‘’elite’’ e os ‘’democráticos’’ que ‘’governam para o povo’’.

O grande erro desta separação é que a democracia como ela é hoje, é uma forma de dominação de classe e dentro dela pode existir indivíduos como Aécio Neves, Bolsonaro e o Eduardo Cunha, assim como também pode ter um governo federal que quer descarregar a crise nas costas dos trabalhadores.

Ainda que exista hoje dentro das manifestações que a direita organiza, setores que pedem a volta da ditadura militar ou até setores que se reivindicam abertamente fascistas, podemos dizer que esta ala reacionária que integram as manifestações da direita são minoria e não encontram hoje, respaldo em nenhuma ala da burguesia. A grande maioria das manifestações da direita, representam o que tem mais de podre e retrógrado dentro da democracia burguesa.

Por sua vez, esta direita que os governistas falam que é fascista é conhecida por retirar os direitos da classe trabalhadora, de ser totalmente contrária as mulheres, os negros e os LGBT, de serem privatistas e entreguistas.

Uma vez que a democracia burguesa é uma forma de dominação de classe burguesa contra os trabalhadores e os demais setores populares da sociedade, então partimos do princípio que a existência desses setores conservadores e reacionários dentro da sociedade faz parte do ‘’jogo democrático’’.

Esta mesma oposição burguesa que enche a boca para criticar os casos de corrupção que o PT está envolvido, além de estar nos mesmos esquemas, está também em outros, como os casos da merenda escolar e do cartel do metrô de São Paulo.

A direita que está por trás dos atos contra a corrupção do PT e pelo impeachment da Dilma não quer abrir mão de seus privilégios e ainda por cima, recebe dinheiro de grandes empresas para elaborar projetos para as mesmas.

Os Golpes Militares ou golpes fascistas acontecem quando a burguesia enxerga que o Estado não consegue mais conter a luta dos trabalhadores, por isso vê a necessidade de colocar um governo que tenha a mão de ferro. O fascismo e as reacionárias ditaduras militares acontecem a partir do momento onde a luta de classes se acirra e quando as direções da classe trabalhadora não levam a luta até o final, levando a desmoralização das massas com as grandes derrotas. Ou seja, apesar do cenário anterior de passividade no país não existir mais, não existe nenhuma situação onde a luta de classes no país acirrou que preocupe a burguesia nesse nível.

Os setores mais conservadores e reacionários da burguesia até agora não estão encontrando nenhum problema com a democracia, pois estão lucrando com este regime.

O que estes setores da burguesia querem do governo de Dilma é um ajuste fiscal mais duro do que já está sendo aplicando, por isso caso a sua vontade não ocorra, é necessário discutir e organizar para trocar as cartas do governo, seja desgastando o PT para sofrer uma derrota histórica eleitoralmente ou colocando em pauta novamente o impeachment.

O mesmo tempo que democracia burguesa pode abrir algumas concessões a mais aos trabalhadores e os demais setores populares da sociedade, ela quando precisa pode ser mais dura e rígida.

Quando escutamos as declarações nojentas de Jair Bolsonaro, vimos a postura rígida contra os movimentos de trabalhadores por parte do governador do estado de São Paulo Geraldo Alckmin ou até mesmo a brutal repressão no ano passado contra o ato dos professores do Paraná, são amostras de como que a atual democracia burguesa pode endurecer contra os trabalhadores.

Os governistas que estão encabeçando uma campanha contra impeachment e defesa do governo Dilma se esquecem conscientemente de travar um combate sério contra os ajustes, pois questionaria a política do PT, mas por sua vez, é importante lembrar que um processo de impeachment abriria um espaço para que a direita aplicasse ataques muito mais fortes do que o atual governo do PT pretende aplicar, pois alteraria brutalmente a atual correlação de forças pela direita. Em contrapartida, o que os governistas querem é legitimar um governo que precisa ser combatido, pois também governa para os ricos.

O governo de Dilma do PT que faz bravata em ‘’defesa da democracia’’ acabou de participar da votação da PL 131 que visa ‘compartilhar’ o pré – sal com as empresas imperialistas como a holandesa Shell, aprovou junto os setores de ‘’direita golpista’’ que tanto critica a lei anti terrorismo que criminaliza os movimentos sociais. O governo de Dilma do PT que diz enfrentar a direita, tem como sua única divergência com este setor é o tamanho (ou os tempos) que tem que ser o ajuste fiscal, das privatizações e os cortes. Quando a CUT, CTB, MTST, MST e UNE saem às ruas em ‘’defesa da democracia’’, estes estão defendendo um governo que está contra os trabalhadores e os demais setores populares da sociedade.

O governo de Dilma que nomeou no ano passado para ser ministro da economia um banqueiro do Bradesco e quando este mesmo saiu, o seu sucessor tratou de seguir o seu legado. O mesmo partido que quer atacar novamente a previdência, que tem como aliado Renan Calheiros que quer impor o seu projeto chamado Agenda Brasil que visa aprofundar as privatizações, aumentar a terceirização, atacar as áreas ambientais e direitos dos indígenas.

O governo de Dilma do PT classificado pelo os petistas de democrático e popular, se aliou durante todo o seu governo com os representantes dos setores reacionários que se colocam contra os direitos dos negros, LGBT, mulheres e indígena. Foi neste mesmo governo, que se ampliou a terceirização, que vai para a sua segunda reforma da previdência, que avançou em privatizações e que sequer puniu os torturadores da ditadura militar.

Vale lembrar que o PT que chama a oposição burguesa de ‘’fascista‘’ é o mesmo partido que está no governo e que faz alianças espúrias com estes mesmos ‘’fascistas’’ para atacar os trabalhadores. E o governo de Dilma que faz questão de ceder a pressão dos setores da burguesia que querem um ajuste mais duro, pois este partido governa para os ricos. Esta é a democracia que o PT está defendendo, a democracia dos ataques aos trabalhadores, a democracia dos acordos com os setores conservadores e reacionários, a democracia da corrupção das empreiteiras e dos funcionários de alto escalão.

A única saída aos trabalhadores é se organizar de maneira independente da direita, mas também do governismo para fazer com que a crise seja paga pelos os capitalistas. É preciso colocar em pé um movimento que mire como exemplo a luta dos trabalhadores da MABE que ocuparam a fábrica em Campinas e Hortolândia. Neste sentido, cabe a CSP Conlutas, mas também a Intersindical a romperem com as suas atuações rotineiras e passividade e construir um movimento nacional contra os ajustes que se enfrente contra os governos e os patrões, mas também que dê uma resposta independente para as questões nacionais como a epidemia do Zika Vírus e a tragédia de Mariana.

Para isso é preciso que a classe trabalhadora de uma resposta contundente contra o impeachment, mas também que se enfrente contra o Governo de Dilma e os seus ataques contra os trabalhadores.




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