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PANDEMIA

À luz da crise no AM, Brasil envia maior avião de cargas para treinamento militar no EUA

Enquanto Bolsonaro mais uma vez declara que “fez sua parte”, às vésperas da possível campanha de vacinação anunciada pelo governo e pelo ministério da saúde e num momento onde se acentua a caótica situação do Estado do Amazonas onde a população morre sem oxigênio em Manaus, a FAB (Força Aérea Brasileira) se desfaz temporariamente do avião de transporte Embraer KC-390 Millennium – a aeronave com maior capacidade de carga em serviço, podendo levar até 26 toneladas em suas viagens.

Grazieli Rodrigues

Professora da rede municipal de São Paulo

sexta-feira 15 de janeiro| Edição do dia

Avião de transporte KC-390 após levar 8 t de equipamento médico para Manaus, na quarta - FAB no Twitter - 13.jan.2021

Enquanto Bolsonaro mais uma vez declara que “fez sua parte”, se isentando da responsabilidade pela crise política e econômica que assola o país, e num momento onde se acentua a caótica situação do Estado do Amazonas onde a população morre sem oxigênio em Manaus, a FAB (Força Aérea Brasileira) se desfaz temporariamente do avião de transporte Embraer KC-390 Millennium – a aeronave com maior capacidade de carga em serviço, podendo levar até 26 toneladas em suas viagens.

Decisão essa que se dá também num momento em que se torna cada vez mais escandaloso o atraso do Brasil em relação a campanha de vacinação contra COVID 19, num país de dimensões continentais, o que permite definir categoricamente que perdemos uma das principais ferramentas logísticas do combate à crise sanitária.
E com qual finalidade, sob o governo de Bolsonaro a FAB tomou tal decisão? Para garantir a participação da aeronave num treinamento militar conjunto com americanos, chamado Culminating (culminando, em inglês), para realizar até 5 de fevereiro um exercício de ataque aerotransportado que começou em janeiro, com a presença de 203 homens da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército, treinamento que envolve não só a Força Aérea americana, mas também com canadenses e italianos.

Ou seja, os fins bélicos e comerciais são novamente colocados a frente, num momento onde em todo o mundo e especialmente nos países pobres e politicamente dependentes, como o Brasil e diversos países latinos, a população agoniza ao exemplo de Manaus, onde 60 bebês correm o risco de morrer pela falta de oxigênio, que atinge também pacientes da COVID 19 no estado.

Veja também: Falta de oxigênio em Manaus é fruto da irracionalidade capitalista

Frente a posição do governo federal que diz querer começar a vacinar pessoas pelo Brasil a partir do dia 20, caso a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprove os dois imunizantes que analisa no domingo (17), e com a recém anunciada recusa da Índia em fornecer as vacinas que o governo brasileiro foi buscar, certamente se torna cada vez mais evidente que o povo brasileiro precisa poder contar com toda estrutura do país para não seguir sendo golpeado pelos interesses capitalistas que defendem também os governos, que descarregam em comum acordo a crise sob nossas costas.

Veja também: Letícia Parks: "A barbárie capitalista está matando sufocados negros e indígenas em Manaus”.

Somente um plano emergencial em defesa das vidas, colocando a produção e a gestão da crise nas mãos dos trabalhadores, assim como a decisão por tudo que é propriedade do povo brasileiro, pode impedir que milhares sigam morrendo fruto do descaso dos golpistas, do negacionismo de Bolsonaro e da irracionalidade capitalista que seguirá levando a asfixia e à barbárie todos nós.




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