Política

EDITORIAL

A luta dos petroleiros contra as demissões e contra as privatizações precisa vencer

Em todo país os petroleiros já chegam no terceiro dia de greve. Trata-se do primeiro e mais forte enfrentamento dessa categoria nacional com o governo Bolsonaro. Refinarias em todo o país e diversos terminais estão em greve contra as demissões e contra a privatização na empresa. Sua greve nacional acontece em meio ao mais explicito silêncio da mídia burguesa que tenta esconder esse desafio ao projeto privatista.

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

segunda-feira 3 de fevereiro| Edição do dia

A greve tem como principal pauta a defesa de mais de 1000 empregos na Fábrica de Fertilizantes de Araucária no Paraná. Num país com milhões de desempregados a decisão de fechamento da fábrica coloca milhares de pessoas em situação de risco, como também escancara um projeto de aumentar os lucros dos acionistas estrangeiros da empresa às custas de submeter mais e mais o país aos ditames do capital estrangeiro, num país especializado em commodities a última fábrica de fertilizantes será fechada e o país passará a ser 100% importador de fertilizantes.

Em todo o país os petroleiros tomam consciência que depois da FAFEN são milhares de outros petroleiros, próprios e terceirizados, que terão seus empregos em risco nas refinarias, terminais, plataformas e campos terrestres.

A greve nacional dos petroleiros se enfrenta com essas demissões e com todo um projeto que inclui a entrega de diversos campos no pré-sal e a venda da maioria das refinarias, terminais e oleodutos do país. A greve se enfrenta com o autoritarismo policial e judicial em cada refinaria, com ostensiva presença militar, como se viu nessa manhã na Refinaria Duque de Caxias no Rio de Janeiro e em diversas medidas judiciais buscando coibir o direito de greve. Essas medidas incluem a proibição dos trabalhadores deixarem seus postos de trabalho e exercerem seu direito de greve até que a justiça chegue com um "habeas corpus" como se viu na Refinaria Gabriel Passos, REGAP, em Betim, Minas Gerais.

A greve iniciou-se na meia-noite de sábado na maioria das refinarias do país após mais de uma semana de mobilização na porta da fábrica no Paraná. A greve começa a se estender nessa segunda-feira, unidades que ainda não estavam em greve começaram a se movimentar, tal como as plataformas e terminais que começaram a realizar assembleias. Sindicatos que ainda não estavam chamando à mobilização, tais como os importantes sindicatos do Rio de Janeiro e do Litoral Paulista, ligados à minoritária FNP e não à federação majoritária, a FUP-CUT.

A adesão da categoria ao movimento grevista mostra uma disposição a se enfrentar com os planos entreguistas de Bolsonaro e de todos capitalistas. Defendendo os empregos dos trabalhadores próprios e terceirizados no Paraná, os trabalhadores estão afirmando sua luta em defesa de todos empregos no sistema Petrobras e se contrapondo ao projeto de entrega de riquezas nacionais ao imperialismo. Esse projeto, junto à reforma da previdência, reforma trabalhista e outros ataques aos trabalhadores foi uma das mais importantes agendas pelas quais a Bovespa, a Lava Jato, a Globo, atuaram primeiro no golpe institucional e depois em apoio a Bolsonaro. Debilitar a Petrobras para abrir caminho aos interesses imperialistas foi, junto da condução política autoritária e arbitrária um dos principais legados da atuação politicamente interessada de Sérgio Moro e dos procuradores da Lava Jato.

A entrega dos recursos nacionais ao imperialismo é um projeto que vai muito além de Bolsonaro, este veio para aprofundar essa submissão a Trump, mas as privatizações já tinham aumentado fortemente no governo Temer e todo o terreno da entrega do petróleo nacional começou ainda no governo Dilma quando recebia o nome eufemístico de “desinvestimento”. Uma tentativa de agradar a burguesia antes da consumação do golpe em 2016 foi uma tentativa de acordo de Dilma com Serra para mudar as regras do pré-sal e ver se assim aplacava a insaciável sede de lucros dos capital financeiro. Esse papel do PT na entrega dos recursos nacionais ajuda a entender como apesar da frequência com que a Petrobras aparece no discurso político do maior partido de oposição do país, ele nada está fazendo para fortalecer esse desafio a Bolsonaro.

Não é à toa que mesmo com essa greve nacional em curso os governadores do nordeste e Lula nada tenham a dizer sobre esse desafio da luta de classes a Bolsonaro. Os governadores ligados ao PT e PCdoB apoiaram a reforma da previdência de Bolsonaro, Maia e a Bovespa em troca de recursos da privatização do pre-sal para seus estados.

Há um "consenso nacional" contra os direitos trabalhistas, a favor de maior entrega dos recursos do país. Um "consenso" que vai desde os privatistas abertos como Bolsonaro, Guedes, Globo, a burguesia e todos os partidos que apoiaram o golpe e a Lava Jato, até as burocracias sindicais, em grande parte ligadas ao PT, que não organizam uma resistência real enquanto onde governam aplicam ataques. Os petroleiros enfrentam esse "consenso" e podem avançar para barrar as demissões no Paraná e a partir disso oferecer um freio a todo projeto privatista. A vitória de sua luta interessa a todos trabalhadores e a juventude de todo o país.

É preciso cercar de solidariedade sua luta. É preciso que os sindicatos e centros acadêmicos em todo país tomem medidas em solidariedade à greve para ajudar a romper o cerco midiático a sua luta, e ajudar a quebrar esse consenso pela privatização que sequer resiste à pesquisas de opinião pública.

O apoio da CUT e da UNE, com seus recursos financeiros e midiáticos deveria ir muito além de uma postagem e um punhado de bandeiras em um piquete. O potencial dessa categoria e de seu apoio nacional permite muito mais que uma demonstração de força, permite um desafio a Bolsonaro para categoricamente barrar um fechamento de uma fábrica e demissões e assim questionar as privatizações.

A luta dos petroleiros, tal como foi em 1995 pode ser uma inflexão contra as privatizações, enfrentamentos decididos e que a base tome a greve em suas mãos, como recentemente fizeram os trabalhadores franceses, especialmente dos transportes serve de exemplo para como avançar nessa luta para que ela seja exemplar. Para realizar esse potencial essa greve precisa se tornar uma causa nacional, precisa da urgente construção da unidade de toda a categoria petroleira, independentemente de qual federação pertença o sindicato, da sindicalização ou não dos petroleiros, de ser efetivo e terceirizado. A partir da força dessa categoria é possível construir o apoio de todos trabalhadores do país para levantar em alto e bom em todo o país a luta por nenhuma demissão e não a privatização da Petrobras. A privatização da Petrobras implica em combustíveis mais caros, e que a riqueza nacional sirva a Bovespa e aos capitalistas estrangeiros.

O Esquerda Diário e o Movimento Revolucionário dos Trabalhadores coloca toda sua energia para apoiar ativamente a luta dos petroleiros em defesa de seus empregos e contra as privatizações. Chamamos a junto ao apoio ativo a essa luta desenvolver um programa que dê resposta de fundo a como garantir que os vastos recursos do petróleo sirvam de fato aos interesses do povo: lutando para que todos recursos do Petróleo sejam 100% estatais, administrados democraticamente pelos petroleiros com controle popular. Uma Petrobras administrada democraticamente pelos trabalhadores poderia garantir a segurança ambiental e de trabalho nas operações e que esses recursos sirvam aos interesses do povo brasileiro.




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