Sociedade

TRAGÉDIA EM MINAS GERAIS

A contradição de Mariana (MG) após tragédia do desmoronamento de barragens

A tragédia em Mariana revela a contradição vivida por Minas Gerais. Ao mesmo tempo em que precisa combater os riscos da mineração, o Estado tem uma economia fortemente atrelada a essa atividade: 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A crise na mineração do estado aprofundada pela tragédia, pode aumentar o número de demissões, pois os patrões tentarão empurrar a crise para os trabalhadores.

sábado 21 de novembro de 2015| Edição do dia

A tragédia em Mariana revela a contradição vivida por Minas Gerais. Ao mesmo tempo em que precisa combater os riscos da mineração, o Estado tem uma economia fortemente atrelada a essa atividade: 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) vêm da indústria extrativa mineral, segundo o último dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente a 2013.

Importância econômica do minério de ferro

"Mariana é altamente dependente da mineração. Sou a favor da suspensão das atividades (da Samarco) por prazo determinado, mas não da paralisação definitiva da mina", admitiu o prefeito da cidade, Duarte Júnior, apenas cinco dias após o rompimento da barragem da Samarco, sociedade entre Vale e BHP Billiton, que soterrou o município de lama e deixou onze mortos e oito desaparecidos. A explicação é simples: 80% da arrecadação do município vêm da atividade mineradora.

Mesmo em um cenário de queda brusca do preço do minério de ferro, o último levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), divulgado em outubro, prevê que as mineradoras investirão US$ 53,6 bilhões no País no período 2014-2018. É um recuo de 15,7% em relação ao estudo anterior, mas ainda um montante expressivo. O Estado de Minas concentrará a maior fatia (41,8%), com R$ 22,4 bilhões.

O insumo também tem peso relevante na pauta de exportações brasileiras. Neste ano até outubro, foram US$ 11,9 bilhões em embarques de minério de ferro, 7,4% do total de vendas brasileiras para o exterior.

Hoje, 72 empresas têm concessões de lavra só de minério de ferro em Minas, segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). O grupo inclui Vale, sua controlada Samarco, Anglo American, CSN e Usiminas. O Estado é campeão em requerimentos de pesquisa mineral e registros de licença.

Queda nos investimentos e no emprego

Esse ciclo de baixa no preço internacional do minério de ferro, ameaça postos de trabalho e a arrecadação de royalties da mineração. De acordo com o DNPM, o setor de extração de minério de ferro perdeu 2.097 postos de trabalho em Minas no primeiro semestre. Esse número pode aumentar como consequência do impacto da tragédia em Mariana para mineradoras como a Samarco, empresa que sócia da Vale do Rio do Doce.

A receita com a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) também recua. Em Minas Gerais, Estado que detém a maior parte da arrecadação do royalty da mineração (44,8%), o valor chegou a R$ 800,7 milhões no ano passado, queda de 33,5% ante 2013. Neste ano até novembro, foram apenas R$ 534 milhões. Dos recursos da CFEM, 12% vão para a União, 23% para o Estado e 65% para o município produtor.

O presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig) e prefeito de Congonhas, José Cordeiro de Freitas, estima que 20 cidades mineiras dependam exclusivamente da mineração.

Análise

Esse quadro de crise na mineração instaurado pela tragédia de Mariana resulta na prática que os trabalhadores de Minas Gerais passarão por tempos de duros ataques. Certamente que os donos das mineradoras não vão ter a boa vontade de arcar com os prejuízos que a crise trará. Pelo contrário, já se configura um cenário que “distribui as responsabilidades” da tragédia, como podemos caracterizar o recente decreto de Dilma que faz com que o FGTS seja utilizado como forma de amparo às vítimas, ação essa justificada sob o argumento de que o rompimento da barragem ter sido em função de causas “naturais”. Na realidade este fato faz com que os trabalhadores paguem com o dinheiro de seu próprio trabalho por uma tragédia causada pelos ricos capitalistas da Vale e da Samarco, assim como pelos seusricos acionistas.

A única forma com que os trabalhadores podem evitar que o governo e as empresas os façam bancar por uma catástrofe que eles não causaram é através da organização deles junto à população da região através de sindicatos, organizações de base e com auxílio de especialistas que estejam interessados em fazer o seu conhecimento estar a serviço dessa organização, assim como através da expropriação dos bens dos empresários da mineração, para tomarem controle da resolução da tragédia e minimizarem a catástrofe implantada sede de lucros dos capitalistas.

Na foto, Colatina (ES) – Autoridades monitoram a lama vinda das barragens da Samarco com rejeitos de mineração que segue ao longo do leito do Rio Doce em direção à sua foz . Créditos : Fred Loureiro/Secom (ES).




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