ELEIÇÕES SÃO PAULO

A brutal repressão no Amapá é a verdadeira política do PDT de Ciro Gomes

O discurso do PDT de Ciro Gomes contra o Bolsonaro e neoliberalismo, cai por terra em cada uma das ações do partido, de seus governantes e parlamentares. O maior exemplo é o Amapá, onde estão articulando uma brutal repressão com toque de recolher para a população pobre, enquanto privilegia a aliança com as oligarquias locais.

segunda-feira 23 de novembro de 2020| Edição do dia

O discurso do PDT contra o Bolsonaro e neoliberalismo, que está na boca da sua principal liderança, Ciro Gomes, cai por terra em cada uma das ações do partido, de seus governantes e parlamentares. O maior exemplo disso é a situação de calamidade que vive o estado do Amapá. Este partido burguês é o responsável direto por uma brutal repressão aos protestos que ocorrem neste estado.

A população amapaense sofre há mais de quinze dias sem energia elétrica e sem qualquer medida efetiva do governo Bolsonaro e, também do governo do estado. O governador pedetista Waldez Góes do PDT não só não garantiu medidas mínimas para a população sobreviver, deixando-os sem água, sem comida, hospitais sem energia, como está sendo mandante de uma brutal repressão à população, em especial trabalhadores pobres, comunidades indígenas e quilombolas, que estão se manifestando. Crianças foram cegadas, trabalhadores tiveram suas casas invadidas pela polícia e as medidas repressivas seguem com a implementação -com o último decreto estadual- de um toque de recolher para toda a população.

O discurso progressista desse partido, trata-se de pura demagogia, quando a estratégia é de estar lado a lado para a administração do regime do golpista. No mesmo Amapá, a população vive uma situação de calamidade e o governador Waldez Góes que reprime trabalhadores, está de braços dados com a oligarquia regional -a família Alcolumbre- apoiando o irmão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre -do golpista DEM- para a prefeitura da capital Macapá.

A “nem de esquerda, nem de direita”, Tabata Amaral -deputada federal do PDT- coleciona posições e projetos de leis contra os trabalhadores. Financiada pela fundação do bilionário brasileiro Lehman, ela votou e fez campanha pela aprovação do enorme ataque aos trabalhadores que foi a reforma da previdência. Em meio às manifestações estudantis contra os cortes de verbas para as universidades públicas, promovido pelo governo Bolsonaro em 2019, deu entrevista dizendo que não criticava o bolsonarista Weintraub, ministro da educação na época, por ter realizado os cortes. Neste ano, em meio a mobilização dos entregadores de aplicativos contra a precarização do trabalho, levou ao plenário um projeto de lei PL 3748/2020 cuja proposta era regulamentar o trabalho precário.

O senador pelo Ceará Cid Gomes – irmão de Ciro Gomes- em meio a pandemia votou a favor do novo marco legal do saneamento básico que serviu para acelerar a privatização neste setor abrindo espaço para empresas privadas e capital estrangeiro. A proposta foi feita por Tasso Jereissati do PSDB e era fortemente apoiada pelo mercado financeiro – e seus representantes como Rodrigo Maia e, obviamente, Paulo Guedes. Nenhuma novidade, se considerarmos que o próprio Ciro Gomes quando era ministro de Itamar Franco, presidiu a privatização da estatal Embraer.

Com esse histórico de ataque aos trabalhadores, não é de surpreender que nestas eleições, em São Paulo, o PDT tenha feito aliança com o golpista PSB para a candidatura de Marcio França - que já foi vice de Alckmin do PSDB. O mesmo PSB que liderou uma frente nacional de prefeitos pela aprovação da reforma da previdência. Em Niterói, o candidato do partido que venceu a prefeitura, Axel Grael, foi eleito com apoio dos partidos de direita como o MDB e com a base de apoio do bolsonarismo, como PRTB, Patriotas e PP. Além disso, em São Luís do Maranhão, o diretório municipal do partido declarou apoio ao candidato bolsonarista Eduardo Braide neste segundo turno.

Veja também: PSB, que atacou junto com Doria e Covas, é inimigo dos trabalhadores e não aliado

Nesta última sexta-feira, no lançamento da sua frente ampla, o candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, disse que quer governar junto com o apoio do PDT. E o presidente do partido, Juliano Medeiros, ao agradecer o apoio de Tabata Amaral no segundo turno de São Paulo disse que “seu apoio mostra que queremos o mesmo e estamos no caminho certo”.

Não é possível enfrentar os ataques do regime do golpe, as privatizações e suas consequências, a precarização do trabalho, com aqueles que se colocam a favor dessas medidas. A política do PDT está evidente para quem quiser ver no estado do Amapá, estão articulando uma brutal repressão com toque de recolher para a população pobre, enquanto privilegia a aliança com as oligarquias locais. Para se enfrentar com o projeto de país do regime do golpe, a esquerda tem que estar do outro lado desta trincheira, lado a lado dos trabalhadores, dos indígenas e dos quilombolas, que estão protestando com ódio e revolta contra os governantes de empresários e patrões.

Estamos juntos a todos os que querem enfrentar o regime do golpe institucional e seus agentes diretos, como Bruno Covas. Lutamos contra Covas e Doria, mas não apoiamos essa frente ampla de Boulos com burgueses e golpistas. Lutaremos para impulsionar a auto-organização dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e dos LGBTs na luta de classes para enfrentar e realmente derrotar Covas, Doria, Bolsonaro e todo o regime do golpe - e nesse caminho, batalhando pela construção de uma organização revolucionária firmemente erguida sobre a independência de classe.

Leia Mais: Não é possível combater a direita e o regime do golpe com uma frente ampla com burgueses e golpistas




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