Juventude

CORTE DE BOLSAS

A UNE deve convocar urgentemente assembleias em cada universidade e IF contra o corte de bolsas e o Future-se

A partir do próximo mês, 84 mil pesquisadores deverão ficar sem suas bolsas. A suspensão do pagamento se deve a um déficit de 330 milhões para o orçamento da CNPq. Essa mesma entidade suspendeu 4500 novas bolsas. É um enorme ataque às pesquisas e um corte da única fonte de sustento de grande parte desses estudantes e cientistas. Ao mesmo tempo, Bolsonaro quer aprovar o Future-Se como Medida Provisória, para terminar de jurar de morte o ensino superior público. É urgente retomar a organização dos estudantes em cada universidade e instituto federal. Que a UNE convoque, através dos milhares de DCEs e CAs que dirige pelo país, assembleias gerais e reuniões nos cursos para barrar o cortes de bolsas, o Future-se e a Reforma da Previdência.

sábado 31 de agosto| Edição do dia

É cada vez mais frequente se deparar no Uber com algum motorista que tem diploma de mestrado ou doutorado. Na medida em que avança com a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista com objetivo de explorar até a última gota de suor dos trabalhadores e da juventude, Bolsonaro precisa adequar à formação de mão de obra à miséria do mercado de trabalho. Pra que um jovem trabalhador do Rappi ou do telemarketing precisa de Ensino Superior? É o que Bolsonaro e os capitalistas discutem o tempo todo. Cortam até mesmo do ensino básico que diziam “priorizar”, e que cogitam transformar em ensino a distância.

Essa semana Bolsonaro começou a discutir a possibilidade de impor por decreto às universidades públicas, em primeiro lugar às federais, o projeto Future-se. Um projeto não fala nada sobre formação ou produção científica. O centro dessa proposta consiste em: 1) criar fundos de financiamento que farão com que os recursos das universidades fiquem condicionados às flutuações financeiras 2) colocar Organizações Sociais para administrar esses recursos, ocupar prédios públicos, enfim, determinar o que será ou não ensinado e pesquisado dentro das universidades.

Ou seja, primeiro Weintraub deixa as universidades federais à mingua, faltando recursos para pagar água, luz, com demissão de terceirizados e cortes na permanência estudantil, para depois anunciar o seu “inovador” modelo de financeirização dos recursos das universidades. Trata-se de uma medida que aprofunda o caráter mercadológico do ensino superior, na prática uma privatização da universidade.

Somado à situação alarmante do financiamento às pesquisas no país, esses ataques de Bolsonaro a ciência e a educação fazem parte de um mesmo projeto país dessa extrema-direita obscurantista. Querem entregar ao imperialismo europeu, norte-americano (o imperialismo que for) um país com mão de obra com características cada vez mais “chinesas”, e ao agronegócio terras e mais terras arrasadas pelas queimadas na Amazônia. Ao ponto de perseguir e chamar de “antipatriótico” os órgãos de fiscalização que denunciaram o aumento das queimadas esse ano, para então buscar instituições americanas para realizar o monitoramento.

Leia também: É preciso unificar universidades federais de todo o país contra o Future-se e a reforma da previdência

Os estudantes, muitos pesquisadores e professores, demonstraram sua força no dia 15 e 30 de Maio, quando anunciados os primeiros cortes na educação. Agora o perigo só cresce: "A gente tem o recurso agora até o final desse mês, que a gente vai fazer pagamento, em 1º de setembro. E a gente vai ter que achar para outro mês", declarou o ministro obscurantista Marcos Pontes. No próximo mês teremos 84 mil cientistas “desempregados” e milhares de pesquisas comprometidas. Já foram 4.500 bolsas CNPq e 6.200 CAPES de mestrado e doutorado cortadas.

Com os novos critérios para concessão de bolsas de mestrado e doutorado, considerando IDH do município, teor da pesquisa, nota de curso e a chamada "área prioritária", o governo impõe um verdade filtro social e ideológico à pesquisa. É um ataque evidente sobretudo às universidades da região Norte e Nordeste, ressaltando novamente o caráter xenófobo do governo. Além disso, vagas são reduzidas, atacando principalmente os cotistas, negros e de baixa renda.

Além de tudo isso, Bolsonaro vem interferindo no processo de eleição de reitores de universidades federais, como a cearense UFC e outras pelo país, atacando ainda mais a autonomia universitária. Seu objetivo é facilitar a adesão ao Future-se e impor a perseguição ao movimento estudantil, como vemos nas ameças de reintegração de posse da reitoria ocupada por estudantes, funcionários e professores que denunciam a nomeação do reitor-interventor.

Por isso é preciso urgentemente fortalecer e massificar a mobilização nas universidades, sobretudo federais, unindo graduandos, pós-graduandos, trabalhadores e professores de todo o país, organizando assembleias, plenárias e reuniões para construir um forte plano de lutas comum. A UNE, que dirige milhares de DCEs e CAs dessas universidades, convocou um ato no dia 7 de setembro, um sábado de feriado nacional, para dizer que não está aceitando a derrota do movimento estudantil. Mas onde estão os chamados de assembleias gerais e reuniões de base em cada curso para que esse dia não seja mais um dia de dispersão da força estudantil como foi o dia 13 de Agosto?

É preciso retomar esses espaços imediatamente, pois é preciso retomar a confiança dos estudantes nas suas próprias forças, assim como insistir na necessidade de buscar a aliança com os trabalhadores para derrotar a reforma da previdência. O que farão a CUT, a CTB e a UNE, deixarão passar estes ataques sem possibilitar que a classe trabalhadora e a juventude se organizam para derrotá-los?

Em diversas federais como UFRJ, UFMG e UFRGS os DCEs são dirigidos por organizações como UP/Correnteza, PSOL e PCB, que se colocam na oposição à direção majoritária da UNE, controlada pelo PCdoB e PT. Chamamos as correntes que se colocam no campo à esquerda do PT a unir esforços em mobilizar amplamente as bases estudantis. Isso passa por convocar massivamente assembleias de base, mas também por pressionar os professores e setores da burocracia acadêmica que se colocam contra os ataques pra que impulsionem medidas efetivas de mobilização, colocando todo o aparato universitário a serviço da mobilização contra as medidas do governo.




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