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Nossa luta é agora! | A APEOESP tem a obrigação de construir em cada escola uma forte assembleia para votar greve dia 24

Depois da forte paralisação e assembleia dos professores estaduais de São Paulo contra os inúmeros ataques à educação, Tarcísio seguiu sua sanha anti sindical e comunicou que vai dar falta injustificada a todos os professores que paralisaram. Até agora a direção da Apeoesp nada fez contra esse absurdo ou para garantir a greve das plataformas essa semana, medida que defenderam para impedir uma greve real. Apesar disso, é preciso exigir que o sindicato vá para o chão das escolas e organize já reuniões de base e atos contra a repressão e para construir a greve dia 24.

segunda-feira 13 de maio | Edição do dia

Tarcísio sentiu que dentro de cada escola está um verdadeiro barril de pólvora prestes a explodir. Isso porque, depois de anos e apesar da direção do sindicato, os professores fizeram uma forte paralisação, levando milhares à praça da República em que vimos os gritos de “greve já” para enfrentar os ataques.

A realidade é que ninguém aguenta mais o nível de precarização que está colocado na educação de São Paulo, professores sem salários e sem aulas atribuídas, plataformas vazias de sentido (mas com MBL e Brasil Paralelo) fruto do novo ensino médio e controlando nosso trabalho a todo instante, ameaça de sermos substituídos por chat gpt, assédio moral, privatização de escolas e militarização, a lista é imensa.

Que Tarcísio é um governo de ataques brutais, não é novidade, vimos a privatização da Sabesp, e a repressão e demissão no Metrô, além de uma das maiores chacinas do estado, assassinando a juventude negra na Baixada Santista. E os planos de privatização seguem a todo vapor, inclusive com o maior cheque do BNDES de Lula-Alckmin servindo a esse objetivo, mostrando também que a frente ampla não só não revogou as reformas, como o NEM, como hoje ataca com o arcabouço fiscal, sentido pelos servidores federais em greve em todo o país, e assim vai fortalecendo as privatizações e a extrema direita.

A novidade é que nesse cenário começa a ressurgir professores que veem que não há nada mais a se fazer que não seja o caminho da mobilização dessa categoria que sempre contou com os métodos históricos de luta da classe trabalhadora para defender a educação, inclusive também vendo que é preciso superar os empecilhos da direção do sindicato (dirigida pelo PT, PcdoB e PSOL) que diretamente trava a nossa luta.

É por isso que Tarcísio está se prevenindo e comunicou as faltas injustificadas, que podem levar até a demissão de professores contratados. Quer calar e amedrontar os que não abaixam suas cabeças e vêm se enfrentando contra os ataques.

Veja mais em: Professores SP: O que fazer agora com a força que mostramos e superar a traição da direção da APEOESP?

Isso tudo só mostra como era acertada a defesa que a oposição fez na última assembleia de greve real, paralisando as escolas, a medida mais efetiva de paralisar inclusive o uso das plataformas. Mas depois das manobras da direção do sindicato para impedir que se deflagrasse a greve, o que foi aprovado foi um calendário de greve de plataformas essa semana, do dia 13 ao 19, e de uma nova assembleia apenas dia 24 de maio.

De lá para cá viemos exigindo que a direção do sindicato organizasse espaços coletivos sobre a greve das plataformas para que nenhum professor fique sozinho e sofra represálias, o que não foi feito, já que o objetivo da direção do sindicato era apenas evitar uma greve real. Diante disso, o que fazer para fortalecer nossa luta e ter uma greve que paralise de fato as escolas contra Tarcísio?

Por reuniões de base, assembleias regionais e atos contra a repressão: A Apeoesp precisa organizar nossa greve dia 24 em cada escola

Diante de tamanha repressão de Tarcísio e Feder, que está até mesmo exonerando professor ativista, a Apeoesp precisa romper imediatamente com a paralisia. A única orientação que foi dada aos professores diante das faltas foi entrar com um processo individual. Basta! Nenhum professor pode ficar sozinho contra a repressão do governo, o sindicato precisa atuar no chão das escolas, fazendo com que a mobilização ganhe força e os professores tomem decisões coletivas sobre como enfrentar a repressão e o assédio.

O sindicato deve começar chamando atos em todas as diretorias de ensino contra a repressão ao nosso direito de se organizar, chamando sindicatos, entidades e movimentos sociais para repudiar esse ataque a um direito que é constitucional, exigindo as reposições e retirada de todas as faltas e descontos salariais.

A greve das plataformas deve ser debatido em cada escola, com votações coletivas sobre a adesão e com iniciativas para debater com a comunidade escolar, junto com os alunos, para que toda a população saiba que as plataformas pioram o aprendizado enquanto faz os empresários de tecnologia e apoiadores do NEM lucrarem milhões. A partir disso, a direção do sindicato deve colocar todos seus membros a responderem dúvidas e questionamentos dos professores e também a responder coletivamente às represálias, para garantir que nenhum professor fique suscetível a maior assédio moral e possamos ir rumo à greve dia 24.

A Apeoesp poderia poderia por exemplo fazer reuniões em cada região e organizar cartas às comunidades escolares, com diálogos com os pais, e aulas públicas nos bairros para todos saberem da realidade nas escolas e dos projetos, como a militarização, que buscam aprofundar ainda mais uma escola de mordaças, sem pensamento crítico. E assim, debater com cada um que não existe outro caminho que não uma forte greve da educação.

Uma greve que se ligue com a greve que os trabalhadores das universidades federais estão travando em todo o país contra o arrocho salarial, aprofundado hoje pelo arcabouço fiscal de Haddad. Junto às universidades federais, podemos ser parte de impulsionar uma forte mobilização e greve da educação, dando um exemplo em São Paulo de que só a nossa luta é que pode derrotar a extrema direita bolsonarista.

Junto a isso, o sindicato deve impulsionar que as escolas sigam se organizando em solidariedade ao Rio Grande do Sul. É inegável a forte solidariedade que está acontecendo em cada escola diante da tragédia capitalista das enchentes no Rio Grande do Sul, que são de responsabilidade do Estado e dos governos. Essas medidas de coleta de alimentos, roupas, utensílios e dinheiro, feita pelos próprios alunos e professores, mostram a capacidade de organização e solidariedade que existe em cada escola. E essa capacidade pode se expressar também contra Tarcísio e todos seus ataques que massacram a educação.

Desde a subsede de Santo André, nós do Nossa Classe Educação, que construímos a oposição unificada combativa, estamos retornando às escolas junto aos Res, chamando ato na Diretoria de ensino da cidade e organizando espaços onde os professores possam ser parte de se organizarem coletivamente para fortalecer o caminho da mobilização e luta, exigindo que a Apeoesp central rompa com sua paralisia.

Assim também atuamos em demais subsedes, em especial em Campinas e na Zona Norte de São Paulo. É hora de fortalecer nossa discussão na base das escolas e articular ainda mais a oposição, chamando todos os professores que que compartilham dessa perspectiva a atuar conosco e fortalecer o único caminho que pode de fato defender a educação das garras da extrema direita e dos privatistas.

Basta de adiar e esperar sempre uma próxima data para nos mobilizar, basta de calendários que travam nossa luta. A hora é agora e é preciso que o dia 24 seja realmente convocado em cada escola e expresse a força dos professores quando se movimentam.




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