Educação

RIO DE JANEIRO

71 colégios ocupados no Rio: os estudantes podem apontar uma resposta a crise nacional e da educação

Governo do Rio de Janeiro anunciou férias nas escolas ocupadas tentado derrotar o movimento. O que os estudantes podem fazer para vencer. Como se unificar com outros setores em luta, como ligar sua luta a crise política que afeta o país.

quarta-feira 20 de abril de 2016| Edição do dia

Foto: Momento da ocupação do Instituto de Educação Rangel Pestana em Nova Iguaçu

Hoje completa quase um mês desde que o primeiro colégio estadual, o Mendes de Moraes, foi ocupado no Rio de Janeiro, e as contas oficiais são de 71 colégios ocupados até então. Confira na página da Anel-RJ a lista dos colégios ocupadosO que começou com protestos contra a precarização das escolas, por mais estrutura em escolas caindo aos pedaços, por ar condicionado, contra a super-lotação de salas e principalmente em apoio à greve dos professores, já virou um grande processo aonde nasce uma nova vanguarda lutadora, ocupando escolas em todo o estado e tomando o controle, se enfrentando com as direções dos colégios, os capangas da SEEDUC e até as invasões ilegais da PMRJ em algumas ocupações, para impor as reivindicações dos estudantes.

As ocupações que só crescem, com os estudantes amplamente reivindicando #ocupatudo, metem medo no governo do Estado, que pretende tentar dar um golpe no movimento anunciando que vai adiantar as férias. Esta manobra tem que ser tomada pelos estudantes como um reconhecimento por parte do governo das forças deste movimento. Ao mesmo tempo, isso significa que o governo vai começar a adotar novas estratégias para acabar com o movimento, e para isso é preciso ter a unificação dos estudantes de todas as escolas em uma estratégia comum para vencer o governo.

Além de #ocupatudo, para ir à ofensiva contra Dornelles e Pezão, a ferramenta de luta dos estudantes do RJ é um comando de base unificado que represente o conjunto das escolas, com representantes eleito e revogáveis pelas assembléias dos estudantes de cada escola. Tentativas como essa tem sido feita por vários colégios que já elegeram representantes, no entanto ainda é preciso reunir representantes da maioria das escolas em um mesmo comando unificado pela base.

Este comando poderia convocar manifestações unificadas dos estudantes, reunir as demandas específicas de cada escola e também decidir qual é a pauta de todas as escolas, ou seja, qual é a reivindicação que atende à todos os estudantes. Este comando também poderia unificar os estudantes com outras categorias em greve, como a UERJ, o DETRAN, os próprios professores, os aposentados e pensionistas e demais categorias em greve no estado.

A crise financeira do Estado do RJ tem sido paga pelos trabalhadores, estudantes, professores e a população que precisa usar os serviços públicos, que morre lentamente na fila do hospital, que sofre com os caos dos transportes e morre nas favelas pela violência da polícia racista. Porém, sobra isenção fiscal para as grandes empresas patrocinadoras do Governo, e que nunca lucraram tanto com desvio de dinheiro nas obras públicas (feitas com nosso dinheiro!) para os jogos olímpicos, Copa, etc. Além disso, o estado paga uma quantia enorme para o governo federal que vai para a dívida pública. São 13% do orçamento de todo o estado do Rio, que se soma a uma dívida nacionalque está na casa dos R$ 3 trilhões. Ou seja, bancos e empresas nunca lucraram tanto e somos nós que pagamos pela crise.

Esta casta de políticos deveria ganhar igual à uma professora, e uma professora deveria ganhar ao menos o salário mínimo do Dieese, que está calculado mais de 3mil e 700 reais. Além disso, o dinheiro das isenções e a dívida pública, que foram produzidos com nosso trabalho e nossos impostos, deveriam ir para a saúde e educação.

Para debater o plano de lutas da educação e a situação política nacional, os estudantes da UERJ votaram em assembleia a construção de um encontro, sem data definida, de todos setores da educação em greve. Esta iniciativa achamos que deve ser tomada pelos estudantes que ocupam escolas porque pode fazer confluir a luta das escolas ocupadas com os estudantes da UERJ e outros setores em luta.

A crise da educação é nacional e tem a ver com a votação de domingo

Neste domingo, qualquer brasileiro assistiu a votação do impeachment de Dilma na câmara dos deputados. É natural que qualquer estudante esteja revoltado com o reacionarismo de um punhado de deputados que jogaram fora o voto de dezenas de milhões de brasileiros, ao mesmo tempo em que defendiam o conservadorismo, contra os direitos democráticos das mulheres, dos LGBT e dos negros, e alguns como o ex-torturador Bolsonaro com declarações em defesa dos torturadores da Ditadura militar de 64. A maioria destes deputados, que diziam votar em nome de suas famílias, na realidade votava em favor de seus interesses e de suas próprias negociatas com as grandes empresas como a Federação das Indústrias de São Paulo, grande entusiasta do impeachment porque exige medidas mais duras por parte do governo contra os trabalhadores. Muitos, como o reacionário Eduardo Cunha, falaram em nome do hipocritamente em combate à corrupção, sendo que estão afundados até a cabeça em conchavos e negociatas para roubar o dinheiro do povo.

O PT, por outro lado, tentou até o final, e continua tentando se recuperar, a partir de suas próprias negociatas com estes partidos de aluguel. Isto é porque o PT, para governar, desde o começo adotou os métodos da direita, tentou provar para esta mesma direita. O PP, de Bolsonaro, era da base aliada do PT até ontem, o homofóbico e racista Marcos Feliciano foi da Comissão de Direitos Humanos sob a benção do PT, o Kit anti-homofobia foi vetado nas escolas como favor do PT para com seus aliados líderes das igrejas conservadores. E no último ano o PT tentou provar para os patrões da FIESP, que poderia endurecer contra os trabalhadores, tanto é que cortou de tudo, da educação, da saúde, do PRONATEC, do FIES, dos direitos trabalhistas, seguro desemprego, ajudou Serra do PSDB a vender o Pré-Sal e aprovou a lei antiterrorismo contra os movimentos sociais. Mesmo assim, agora que a direita não precisa mais do PT, os está botando para fora. Esta é a grande lição: não dá para atender os interesses dos patrões e dos trabalhadores ao mesmo tempo, ou está de um lado ou de outro.

Se a situação da educação estava mal com os cortes do PT, este golpe parlamentar que aconteceu no domingo vai vir com um governo mais cortes, privatizações do ensino com parcerias público privadas nas escolas, com novos e antigos esquemas de corrupção, de outros partidos como o PMDB e quem sabe até o PSDB ladrão de merenda em SP. Por isso, o que atende o interesse dos estudantes é lutar contra o golpe e todos os ataques a educação seja de governos golpistas ou não.

Os estudantes, aliados aos trabalhadores, podem dar resposta à esta crise em suas próprias greves, combatendo golpe, e os cortes na educação feitos por governos golpistas ou outros como o PT que abriu caminho aos golpistas e também de toda esta casta política corrupta, exigindo uma assembleia constituinte livre e soberana, aonde seja questionada todas as regras desta democracia da roubalheira, aonde os trabalhadores e o povo pobre sejam quem vai decidir sobre a economia, cortando dos ricos, dos altos salários dos juízes e parlamentares que não vivem como nós. Não será desta casa podre, apoiada por juízes que sequer foram eleitos, e por uma mídia que usa como massa de manobra parte da classe média branca acomodada, que virá a punição dos corruptos, mas pelas nossas próprias mãos: estabelecendo júri popular para todos casos de corrupção e que todos políticos possam ser revogáveis por aqueles que os elegeram, e não por uma meia dúzia de deputados.




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