Juventude

CRISE DO CORONAVÍRUS

66 milhões de crianças podem cair na extrema pobreza durante a pandemia, diz relatório

Publicado nesta segunda-feira (13) pelo painel independente das Nações Unidas Every Woman, Every Child, Every Adolescent revela uma situação assustadora para mulheres e crianças, um grupo especialmente vulnerável na pandemia, junto a milhares de trabalhadores e a população negra.

terça-feira 14 de julho| Edição do dia

Com ainda maiores dificuldades à contraceptivos, merenda nas escolas e acesso à saúde no geral, estima-se que no contexto da pandemia pode-se morrer mais de 400 mil de crianças e mais 24,4 mil mortes maternas.

Segundo o documento e o site Estado de Minas:

  • 13,5 milhões de crianças deixaram de ser vacinadas contra doenças que podem ser fatais;
  • Mais de 20 países já relataram escassez de vacinas causada pela pandemia;
  • Há interrupção no fornecimento de contraceptivos, podendo levar a 15 milhões de gestações indesejadas em países de baixa e média renda;
  • De 42 a 66 milhões de crianças correm o risco de cair na pobreza extrema;
  • Cerca de 370 milhões de crianças estão deixando de receber refeições na escola;
  • Mulheres têm particularidades que as colocam vulneráveis à depressão e ansiedade;
  • Estima-se que pode haver mais 15 milhões de atos violentos contra meninas e mulheres a cada três meses de confinamento; em alguns países, chamadas de emergência aumentaram 30%.

Com sistemas de saúde no mundo inteiro colapsando na pandemia e mostrando que os que mais pagam pela crise são os setores oprimidos e mais explorados, em particular as mulheres e negros, enquanto os mais ricos continuam lucrando à custa de milhões.

Nos países mais pobres, que já sofrem com diversos embargos econômicos dos países imperialistas além da extração de suas riquezas, a situação é pior. A profunda crise econômica que assola todo o globo, faz com que sejam os trabalhadores a pagarem pela crise.

A maior dificuldade para acessar contraceptivos de graça nos sistemas de saúde, recorrer às já restritivas assistências pós-aborto onde ele é permitido em alguns casos e em alguns países, bem como o aumento do número de violência contra a mulher trás riscos ainda maiores para um mundo com cada vez mais predominância das mulheres na esfera econômica e social.

Pelo impacto econômico e pela descontinuidade de programas de assistência, 2 milhões de casos adicionais de mutilação genital feminina podem ocorrer no mundo, assim como 13 milhões de casamentos de crianças nos próximos 10 anos.

Facilmente, nesse momento de caos que trouxe o coronavírus, se vê vário direitos conquistados sendo cada vez mais rifados em nome da garantia da riqueza de poucos. O aumento da precarização do trabalho também atinge mais fortemente os negros, em especial as mulheres negras.

Os aumentos dos casos de violência doméstica e da vulnerabilidade delas e de suas crianças, mostram que o Estado capitalista não consegue assegurar a vida da maioria da população, bem como que os direitos conquistados com muita luta podem ser perdidos rapidamente.

Por isso nós do grupo de mulheres Pão e Rosas e do Esquerda Diário lutamos para que a igualdade perante a lei seja também igualdade perante a vida, por isso não confiamos em nenhuma saída que a burguesia e os diferentes estados capitalistas dizem dar ao coronavírus, que se provam uma mentira em um momento que os casos continuam aumentando e ainda assim decidem reabrir tudo.

Para enfrentar os efeitos da pandemia na vida das mulheres, crianças, negros e todos os trabalhadores lutemos para fazer com que a crise seja paga pelos capitalistas, e não por nossas vidas. Por isso exigimos a centralização dos sistemas de saúde sob controle dos trabalhadores, para atender às necessidades da população e não do lucro.




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