Mundo Operário

DEMISSÕES DA GM

517 demissões na GM: lutar ou não lutar?

Os trabalhadores não tem dúvida, mas a direção do sindicato sim.

Evandro Nogueira

São José dos Campos

sábado 6 de fevereiro de 2016| Edição do dia

Aconteceu nessa quinta, 4/02, assembleia na sede do Sindicato de Metalúrgicos de São José dos Campos para tratar das 517 demissões da GM. Curiosamente, tanto na matéria do site do sindicato, quanto no Jornal do Metalúrgico, ambos publicados um dia antes, 3/02, convocando a assembleia, não aparecia qualquer menção à única proposta aprovada nessa quinta, que é a realização de uma campanha pela anulação das 517 demissões.

Nas duas fontes citadas acima o que se lê de política do sindicato frente as demissões é única e exclusivamente: “O Sindicato é contra as demissões e já está tentando agendar uma reunião com a GM para discutir o assunto” e “Agora é hora da presidente assinar uma medida provisória garantindo estabilidade no emprego para todos os trabalhadores e proibindo a remessa de lucros para o exterior.” A votação da assembleia é categoricamente outra coisa, nas palavras do presidente do sindicato, Antônio Macapá, “nós vamos votar aqui é o seguinte, campanha pela anulação das demissões feitas pela GM”, com o que concorda Luiz Carlos Prates, o Mancha, diretor do sindicato, “hoje nós realizamos aqui uma assembleia e foi decidido uma forte campanha pela reintegração dos trabalhadores que foram demitidos.”

O que explica a votação dessa campanha (que ao que parece o PSTU realizou formalmente), de um dia para outro, é a pressão dos trabalhadores, e para quem esteve na assembleia, como nós fizemos com uma forte delegação de apoio para moralizar os trabalhadores (diferentemente do PSTU, que não levou ninguém de fora da categoria para expressar apoio), isso foi nítido.

Desde a condução dada pela direção do sindicato durante a forte greve de seis dias no início desse ano contra a proposta rebaixada de PLR, quando não só não se tocou no tema do fim do lay-off e a possibilidade de demissão de 798 trabalhadores, assim como quando foi aceito o acordo de fim dessa mesma greve, que previa estabilidade de dois meses para todos da planta, menos para os que estavam no lay-off, era clara a linha da direção do sindicato de não querer travar uma luta contra essas demissões. O silêncio sobre o tema ao longo dos últimos cinco meses já apontava a decisão da direção do sindicato de não construir uma luta contra as demissões que se aproximavam e foi exatamente esse questionamento que alguns trabalhadores levantaram contra Macapá e Mancha, no meio da assembleia, impondo a votação dessa campanha.

Nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), desde o fim da greve do ano passado e em diversas oportunidades, como reuniões do Espaço de Unidade e Ação temos defendido a necessidade de organização de uma forte campanha para barrar essas demissões, buscando fazer da GM uma trincheira para toda a classe e em especial para os trabalhadores da indústria, que tem sofrido duros ataques, poderem ter um exemplo de como resistir e enfrentar a patronal e o governo e desde o anúncio das demissões temos dedicado esforços para demonstrar apoio real aos trabalhadores.

O Esquerda Diário apurou que a GM pretende aumentar a produção de veículos nessa unidade em São José dos Campos, voltando com o segundo turno e lançando uma versão com algumas alterações da S10 para competir com a Hilux, que tem crescido em vendas, o que é mais um fato que mostra como as demissões são para manter os enormes lucros e aumentar a exploração, e é necessário lutar pelos postos de trabalho.

Bruno Gilga, diretor do Sindicato de Trabalhadores da USP, que esteve na assembleia em solidariedade aos demitidos, comenta que “ainda é possível construir uma luta contra essas demissões, é necessário antes de tudo levar as assembleias dos demitidos para a porta da fábrica, buscar a unidade com os que permanecem trabalhando e que sabem que estão ameaçados, novas demissões estão sendo preparadas para daqui a dois meses, quando vence a estabilidade acordada no final da greve por PLR, então desde já é necessário chamar todos os trabalhadores para lutar pela readmissão desses 517 e barrar qualquer nova demissão que a patronal queira anunciar. A campanha aprovada na assembleia tem que ser real, infelizmente o que vimos na assembleia foi a diretoria do sindicato fazendo falas que na verdade cumpriam o papel de desmoralizar os trabalhadores, sem propor um plano de luta efetivo, explicando a situação nacional como forma de justificar as demissões e colocando a culpa na base pela não mobilização. Queriam uma assembleia que só organizasse quem tinha estabilidade por doenças etc., que não poderia ter sido demitido, chamou a que todos fizessem sua homologação da carteira, disse que os que estão dentro da fábrica não vão querer defende-los e que agora não é possível fazer uma forte greve, mas parece que esquecem que a fábrica estava em greve há poucos dias, eles é que não unificaram a pauta da PLR com a defesa dos postos de trabalho. Os trabalhadores que estavam em lay-off fazendo cursos no Senai questionaram com todas as letras porque não foram procurados todos esses meses, dizendo que não foram chamados a participar da greve! Agora que essa campanha foi aprovada ela precisa de fato existir. Não pode se limitar a ações como a participação no bloco organizado pelo sindicato no sábado de carnaval, ou a medidas políticas como buscar a prefeitura da cidade e enviar uma delegação a Brasília, que foram as já aprovadas na assembleia. É preciso trabalhar para unificar a categoria. A CSP-Conlutas deve chamar uma plenária nacional sediada em São José dos Campos para colocar a luta pela readmissão dos 517 no centro político da sua atividade, mobilizar as forças dos sindicatos locais para dar peso no diálogo com a população, sabemos que cada demitido da GM impacta em pelo menos três demissões na cidade. Nós do MRT estaremos lado a lado com os trabalhadores da GM nessa batalha!”




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