Juventude

#ocupaCCBBresiste

5 motivos para os estudantes da UnB apoiarem a luta por moradia da Ocupação CCBB

O despejo do CCBB é parte de um projeto higienista e racista de Ibaneis. Veja 5 motivos para os estudantes da UnB se somarem na luta em defesa da moradia digna para todos.

Luiza Eineck

Estudante de Gestão de Políticas Públicas na UnB

sexta-feira 16 de abril| Edição do dia

Foto: Correio Braziliense

1 - Entre os despejos de Ibaneis e as larvas nas marmitas da CEU: lutar pelo direito à moradia já!

É um absurdo que em meio a uma crise dessas proporções a prioridade de Ibaneis - morador da mansão mais cara do DF - seja deixar famílias trabalhadoras sem casas, água, luz. O acesso à moradia digna é o mínimo que nos deveria ser assegurado. Vemos que Ibaneis pouco se importa com os trabalhadores e o povo pobre, que são os que mais morrem por covid. Desde o início da pandemia sua política sanitária, econômica e social foi clara e a mesma: garantir os lucros e os interesses dos patrões. Enquanto as grandes imobiliárias e empresas seguem lucrando com a especulação imobiliária e os vários imóveis vazios, as famílias trabalhadoras nem um teto tem.

O descaso com os trabalhadores, o povo pobre e a juventude precarizada vêm se expressando mais e mais, vimos em fevereiro o descaso da Reitoria da UnB [gestão Márcia Abrahão] ao não pagar a assistência estudantil dos estudantes que necessitam. E, principalmente, o descaso com os estudantes que moram na Casa do Estudante da UnB (CEU), que há meses vêm denunciando o aumento da precarização que estão sendo submetidos ao receberem marmitas com bichos, larvas, cabelo, plástico. Muitas vezes também falta luz e água na moradia estudantil. Como querem que esses estudantes precarizados - que conseguiram furar o filtro social que é o vestibular - permaneçam na universidade? Resposta: não querem. Precisamos de assistência para permanência. A nossa luta pelo acesso amplo e irrestrito à moradia é a mesma!

Saiba mais: CEU/UnB na rua contra marmitas com larvas: Bolsonaro, golpistas e Reitoria, a culpa é sua!

2 - A destruição da Escolinha do Cerrado demonstra: é preciso acesso livre, gratuito e de qualidade à educação

O projeto “Escolinha do Cerrado” foi criado por voluntários junto aos moradores da Ocupação CCBB em meio a pandemia. A Escolinha dava aulas de reforço e ajudava as mais de 20 crianças das 34 famílias ocupadas com os estudos. Elas não tinham acesso ao excludente Ensino Remoto pela falta de internet e aparelhos digitais, mas também não tinham acesso a educação de qualidade. A Escolinha foi destruída de forma totalmente covarde e truculenta na última quarta-feira, 7, pela polícia higienista de Ibaneis.

A realidade da situação do acesso ao ensino e a educação dessas crianças não é um caso isolado, a educação vem sendo cada vez mais precarizada, o regime do golpe institucional vem atacando a educação ainda mais durante a crise com suas reformas e cortes. Sem contar, que defendem com unhas e dentes o formato do Ensino Remoto, um modelo massacrante, desestimulante e excludente, que colabora com um projeto de elitista e privatista o da Educação. Estamos sentindo isso nas nossas peles na UnB, e em outras universidades pelo país. A nossa luta precisa ser por uma educação pública, de qualidade e para todos.

3 - O desemprego na Ocupação é a outra face da exploração das negras e negros, que na terceirização da UnB também se expressa

O aumento do desemprego, também é outra grande face da crise capitalista que vivemos. Os governos e os capitalistas fazem de tudo para que sejam os trabalhadores quem continuem pagando mais caro por ela. Sabemos que quem sofre mais as consequências da crise, inclusive ocupando os postos mais précarios de trabalho, são as mulheres, as negras e negros, LGBTs, a juventude, e também os imigrantes e nordestinos.

Os capitalistas utilizam do desemprego para nos atacar ainda mais, diminuir os salários da classe trabalhadora de conjunto, retirar [mais] nossos direitos, nos deixar na fome e na miséria...Essa é a situação dos moradores da Ocupação do CCBB que viviam[agora, atacados, estão sem seus meios de trabalho] da reciclagem de lixo, sendo em sua maioria mulheres. Também, uma marca forte dessa crise no último ano foram as demissões em massa, a não liberação com remuneração dos serviços não essenciais - como as terceirizadas da UnB, inúmeras demitidas, outras tantas que seguem trabalhando em péssimas condições. Só os trabalhadores unidos e em luta podem conquistar emprego para todos, salários dignos e lutar contra a precarização do trabalho, também sinônimo de terceirização, que sabemos que no Brasil tem rosto de mulher negra.

Leia mais: Os Vigilantes da UnB estão morrendo: a culpa é de Bolsonaro, os golpistas e a Reitoria!

4 - A repressão policial de Ibaneis também são os frutos da brutalidade, da tortura e arbitrariedades da ditadura militar na UnB

O despejo racista e higienista a mando do governador milionário Ibaneis foi extremamente repressivo por parte de seus cães de guarda [policiais], eles não mediram esforços, espancaram, bateram, chutaram os moradores da Ocupação que resistiam à destruição das suas casas e da Escolinha, também atiraram com balas de borracha e bombas de efeito moral fazendo vários deles desmaiarem e sentirem mal-estar. Vale lembrar que a polícia militar é um resquício direto da ditadura militar brasileira que reprimiu, torturou e assassinou milhares de trabalhadores e estudantes naqueles 21 anos de chumbo.

Lutar pelo fim da polícia é parte de lutar pelo fim do capitalismo, é bem claro após todos os assassinatos de negras e negros, principalmente, da periferia a quem a polícia está à serviço...Claramente, não é classe trabalhadora e da juventude, e de assegurar sua segurança. A luta contra toda a polícia racista e os resquícios da ditadura militar brasileira[referendada e comemorada por Bolsonaro e Mourão] se atualiza mais a cada dia, essa semana outro jovem negro estadunidense, Daunte Wright, foi assassinado por uma policial, levando as mobilizações do Black Lives Matter novamente às ruas. No Brasil, vemos a brutalidade policial com os moradores do CCBB, ao assassinarem várias crianças e jovens negros como João Pedro e Ágatha, mas também na autoritária Lei de Segurança Nacional [herdeira direta da ditadura] utilizada para perseguir estudantes e professores por falarem a verdade e criticarem o presidente da República.

5 - Nossos inimigos são os mesmos: Bolsonaro, Mourão, Ibaneis e todos os golpistas!

Os que movem a pandemia, a fome, o desemprego, a falta de moradia e alimentação, o não acesso à educação de qualidade, os cortes, ataques, reformas, a maior precarização do trabalho, repressão policial e endurecimento das perseguições com os resquícios da ditadura militar, etc etc, contra os trabalhadores - no Brasil uma maioria feminina e negra - e a juventude são os mesmos: o negacionista Bolsonaro, Mourão [e os militares], o demagogo Ibaneis [e governadores] e todos os golpistas. Nem um deles está preocupado em dar uma resposta consequente para a crise, preferem ceifar as vidas de milhares em nome dos lucros capitalistas.

Do coração do imperialismo norte americano ao Brasil, só combateremos a miséria que o capitalismo, seus governantes e sua polícia nos impõem com a força da nossa mobilização, pela via da luta de classes. Não os combateremos por dentro das instituições golpistas ou esperando 2022, como alguns preferem dizer... Só a nossa organização independente pode dar uma resposta à pandemia, à fome, ao desemprego, garantir o acesso à moradia, amplo e irrestrito, à educação e um plano emergencial de combate à crise sanitária já!

Nós estudantes historicamente cumprimos um papel incendiário ao lado dos trabalhadores, como foi o movimento estudantil na ditadura militar. É nesse legado pró-operário, subversivo e combativo que devemos nos inspirar para lutar contra Bolsonaro, Mourão e todos os golpistas, apoiando e unificando nossa luta com as lutas de resistência que estão acontecendo pelo Brasil como é a greve das metalúrgicas da LG em SP contra as demissões; a mobilização das merendeiras do RJ que reivindicam que seus salários sejam pagos; o indicativo de greve dos metroviários daqui do DF para segunda, 19, e os de SP para o dia 20 que lutam por vacinas e melhores condições para os trabalhadores, entre outras. Leia aqui. Imagina a força que seria se as Centrais Sindicais como a CUT e a CTB (PT e PCdoB) saíssem do imobilismo e unificasse uma só luta para o dia 20 de abril! Os DCEs e CAs também deveriam se somar a essa unidade!

Envie sua denúncia, de qualquer lugar do Centro-Oeste brasileiro, para o Esquerda Diário! Só mandar uma mensagem para: (61)99903-2711




Tópicos relacionados

Despejo   /    Ocupação   /    UnB   /    Universidade de Brasília   /    Brasília   /    Juventude

Comentários

Comentar