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Chacina em São Gonçalo | 2 dias depois da Consciência Negra, mães retiram seus filhos mortos no Salgueiro

Dois dias após o 20N, onde comemoramos a luta de Zumbi, Dandara e do Quilombo dos Palmares contra a elite escravista, o BOPE do Rio de Janeiro faz mais uma chacina em São Gonçalo, deixando pelo menos 8 corpos no mangue.

segunda-feira 22 de novembro | Edição do dia

Através dos noticiários, áudios de WhatsApp e tweets de trabalhadores, amigos, e familiares das vítimas da chacina do Salgueiro estão denunciando a barbaridade e covardia da polícia militar do Rio de Janeiro em mais uma operação que virou uma chacina, dessa vez na cidade de São Gonçalo. O Rio de Janeiro é o estado onde a policia mais cometeu chacinas, e isso é parte fundamental da política de governo de Cláudio Castro de ataques, privatização e aumento da violência policial.

Os relatos de moradores mostram o absurdo dessa ação violenta.

“Os corpos estão todos jogados no mangue, com sinais de tortura. As pessoas, uma jogada por cima da outra. Estava com sinal totalmente de chacina mesmo”.

“Muito conhecido da gente aqui morreu. A gente estava gritando no mangue para ver se consegue tirar, mas todos mortos”.

“As mães estão entrando dentro do mangue. Com o mangue acima do joelho para poder tentar puxar os corpos”.

Imaginem essa cena, uma mãe negra e trabalhadora, moradora de uma comunidade em São Gonçalo na região metropolitana do Rio de Janeiro tendo que entrar dentro de um mangue para poder conseguir enterrar seu filho, assassinado pela policia, com denuncias inclusive de tortura. A única coisa que essas mães querem é poder dar um enterro digno a seus filhos, mas até isso a polícia militar faz questão de impedir.

É completamente humilhante e bárbaro saber que para essas mulheres que muitas vezes trabalham o dia todo para colocar comida dentro de casa, num momento onde a inflação aumentou o preço do botijão, dos alimentos, etc, e que cada dia que passa o nível de desemprego aumenta ainda mais, até o direito de poder enterrar seus filho foi retirado.

Isso acontece no país de Bolsonaro e Mourão, onde existe um regime politico que está aí para descontar ainda mais a crise nas costas do povo negro, pobre e dos trabalhadores. Onde certamente cada capitalista ou burguês que vê chacinas como a do Salgueiro, do Jacarezinho ou em Varginha (MG), sorriem de orelha a orelha porque são herdeiros diretos da elite escravocrata brasileira.

Dois dias após o 20N temos mais uma vez o retrato de um Brasil atravessado pelo racismo e pela violência policial, que deixa à mostra as marcas profundas do passado escravista. Por isso, nos solidarizamos com cada mãe, parente e amigos das vítimas dessa chacina. Basta de operações policiais nas favelas. Essa instituição reacionária e racista que sempre serviu pra perseguir e capturar negros que se rebelavam e fugiam para os quilombos, hoje serve para amontoar corpos dentro das favelas, por isso defendemos também o fim da polícia. Assim como foi em Palmares também temos que lutar de maneira irreconciliável contra a burguesia brasileira e suas instituições repressoras. Por todas as mães da comunidade do Salgueiro, faremos Palmares de Novo!




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