Mundo Operário

19 DE ABRIL DE LUTA

19A: residentes da linha de frente na luta por direitos e vacina, é preciso unidade para vencer

Residentes da linha de frente de todo o país organizam dia de luta neste 19 de abril. Assim como tantas outras categorias demonstram disposição para enfrentar a crise, é preciso unidade dos trabalhadores para conquistar vacina já para todos e garantir direitos, enfrentando Bolsonaro e esse regime golpista.

Isa Santos

Assistente social e residente no Hospital Universitário Pedro Ernesto/UERJ

domingo 18 de abril| Edição do dia

Ato dos residentes da área da saúde dia 11 de maio de 2020/Divulgação

Os residentes da área da saúde hoje no país são mais de 55 mil, presentes em diversos estados, municípios, instituições e unidades de saúde. A residência é tida como um processo de formação prática, que constitui a modalidade de pós-graduação presente em todos os níveis dos serviços de atenção à saúde por todo país tendo profissionais de diversas categorias. É uma forma de especialização dos trabalhadores da saúde, mas se reverte em trabalho precarizado pela falta de direitos, carga horária extenuante e salário baixo em comparativo com as 60 horas semanais trabalhadas. Se configura como a primeira experiência profissional de vários recém graduados da área da saúde.

Na prática, em sua grande maioria somos nós os responsáveis por sustentar os serviços onde estamos inseridos. E, desde o início da pandemia da Covid-19 somos parte importante da linha de frente, estamos cotidianamente colocando nossos corpos a serviço de salvar vidas, trabalhando muitas das vezes até o limite da exaustão física e mental.

Enfrentamos uma série de dilemas, principalmente por estarmos constantemente no “limbo” entre ser profissional, trabalhadores, no dia a dia dos serviços, mas tido como estudantes pelas instituições. Uma certeza é que somos atingidos e vivenciamos os dilemas pelos quais tem passado a classe trabalhadora, em especial os profissionais da linha de frente e todos os essenciais. A isso se soma uma carga horária de estudos que agora se dá por meio da educação a distância, precária e desgastante por definição.

Leia mais: RELATOS: EAD e ERE e a precarização das condições de vida das mulheres

Grande parte de nós somos mulheres, negros e negras e as vezes mães que precisam sustentar seus filhos e manter a casa em ordem. Muitos estão fora de seus estados de origem e suas bolsas-salários são a única forma de se manterem financeiramente. Com elas pagamos nossas alimentação e passagem, por vezes absurdas de caras e de mais de um transporte, para chegarmos aos locais de trabalho depois de longas viagens espremidos em transportes onde o distanciamento social é uma utopia.

Nos locais de trabalho sobra serviço e falta materiais de proteção, condições de segurança e estrutura. A precarização, tão evidente no SUS e que se aprofunda com o avanço das diversas formas de privatização, determina o nosso trabalho e as condições que temos para atender a população. O medo do contágio e da morte, ver nossos pares adoecendo seja pela Covid seja mentalmente, tem sido uma carga que muitas das vezes parece pesada demais para carregar.

Mas o Dia Nacional de Luta chamado para o próximo dia 19/04 (segunda feira) – Link do texto do ato do dia 19/04 - mostra que há forças para lutar e enfrentar todo o quadro de precarização imposto pelos governos a todos trabalhadores de saúde. Esse dia é parte dos ares de mobilizações presentes em diversas categorias, que inclusive organizam ações e paralisações para o dia 20/04 (terça-feira) com eixo na exigência de vacina.

Editorial: Unificar os focos de resistência: que as centrais sindicais construam um dia nacional de lutas no 20 de abril

As bolsas em atraso, atrasos que são recorrentes em diversos programas, e o pagamento da bonificação referente a atuação no combate a Covid-19 foram os motivos mais latentes para a organização desse dia de luta. A elas se somam a demanda pela vacinação imediata dos residentes e outras que dizem respeito às condições de trabalho e pautas históricas da luta dos residentes.

A pandemia segue latente com um gigantesco número de mortos, e quase 400 mil mortes pela Covid no país, o colapso do sistema de saúde em diversos estados e uma crise sanitária, social e política que só se aprofunda. Uma situação de responsabilidade do total descaso e negligência da política assassina de Bolsonaro, dos governadores e de todo o regime político do golpe que busca a cada dia aprofundar os ataques ao conjunto dos trabalhadores.

A alternativa que este mesmo regime político e seus representantes colocam agora é de uma investigação, por meio de uma CPI, da política de Bolsonaro frente à pandemia. Um mecanismo controlado pelas mãos dos menos políticos que aprovaram o teto de gasto que congela os investimentos em saúde e educação por 20 anos, a Reforma Trabalhista, a Lei da Terceirização e que fazem demagogia dizendo que garantirão vacina para todos enquanto estamos as portas da metade do ano sem atingir nem 15% de vacinados no país.

O caminho que começa a ser trilhado por residentes e demais categorias que vão se mobilizar nesta semana, expressando focos de resistência dos trabalhadores, precisa ser encarado como o único que garantirá nossos direitos. É ele que poderá dar uma saída para os problemas da vacinação e da crise sanitária, política e econômica do país. Esse caminho precisa ser fortalecido e para isso as centrais sindicais e entidades do movimento estudantil como a UNE e a ANPG precisam organizar os trabalhadores e estudantes com um plano de lutas que una a todos para exigir a vacina já e responder a crise de conjunto. É preciso romper a inércia dessas entidades de uma espera por uma melhora depois de 2022 pois nossas bolsas precisam ser pagas agora e a linha de frente não pode mais morrer por trabalhar.

Esse caminho precisa levantar não só o Fora Bolsonaro, mas também o Fora Mourão e todo esse regime podre como parte de enfrentar a crise econômica, sanitária e política, passando por enfrentar todos os efeitos econômicos do golpe. Esse caminho pode (e precisa) unificar todos os trabalhadores mobilizados e que mostram sua disposição de luta atualmente e avançar para impor um plano emergencial contra a pandemia, anular todas as reformas e privatizações, todas as medidas autoritárias do judiciário golpista e impor um programa dos trabalhadores para que sejam os capitalistas e não nós os que paguem por essa crise.




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