Mundo Operário

CONTRA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

14J: Sejamos milhões de jovens e trabalhadores nas ruas para derrotar o pacto pela reforma entre Bolsonaro, Maia e o STF

Para derrotar a reforma da previdência precisamos enfrentar o pacto entre Bolsonaro, Maia e o STF. Para isso precisamos muito mais do que só cruzar os braços e ficar em casa como querem as centrais sindicais. É preciso unir a força mostrada pelas manifestações da juventude com o potencial de parar o país que os trabalhadores tem em suas mãos. E assim colocarmos milhões nas ruas em uma greve ativa neste 14 de junho.

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

sexta-feira 7 de junho| Edição do dia

Para derrotar a reforma da previdência precisamos enfrentar o pacto entre Bolsonaro, Maia e o STF. Para isso precisamos muito mais do que só cruzar os braços e ficar em casa como querem as centrais sindicais. É preciso unir a força mostrada pelas manifestações da juventude com o potencial de parar o país que os trabalhadores tem em suas mãos. E assim colocarmos milhões nas ruas em uma greve ativa neste 14 de junho.

A reforma da previdência está prestes a ir a votação na Câmara. Depois de muitos conflitos entre os poderes Bolsonaro, Maia e Toffoli se entenderam. Sem deixar de lado seus múltiplos conflitos eles se uniram para retirar o direito dos brasileiros se aposentarem. Semana que vem está anunciado um mega-jantar da FIESP com Bolsonaro e um encontro de todos governadores em Brasília para fortalecer o andamento deste imenso ataque. Parando o país e indo às ruas é como podemos dizer não e derrotar seu pacto.

A reforma da previdência foi desenhada para arrancar mais recursos públicos e entregar aos banqueiros e outros capitalistas donos da trilionária e criminosa dívida nacional. Bolsonaro e Maia querem aumentar os lucros dos empresários com estes recursos e também, através de baratear os salários de todos trabalhadores. Com milhões de brasileiros tendo que trabalhar mais anos de suas vidas querem forçar todos a competirem por emprego em meio ao galopante desemprego. Ou seja, querem que sejam os trabalhadores que paguem pela crise. Trata-se de uma encruzilhada onde só há duas opções nossa miséria ou seus lucros.

A juventude que tomou as ruas do país em 15 e 30 de maio não tem futuro se depender de Bolsonaro, Maia e da Bovespa. A juventude não terá educação, como já não tem emprego, e nem terá direito a se aposentar. Terá que se auto-escravizar em trabalhos precários e sem direitos como Ifood, Rappi, Uber.

Veja aqui: A juventude pode incendiar a classe trabalhadora rumo ao 14J

Cientes deste cenário milhões esperam ansiosamente pela greve geral de 14 de junho. As centrais sindicais prometem que será um dia de forte paralisação, e que começando pelos transportes as cidades estarão paradas. Mas querem todos em casa e se reúnem com Rodrigo Maia para negociar pontos da reforma. Elas, especialmente a Força Sindical e a UGT, aceitam a reforma. São parceiras de Rodrigo Maia e até mesmo de Bolsonaro. Os governadores do PT, que dirige a CUT, estão defendendo sua própria versão da reforma da previdência, diferente da de Bolsonaro mas que resultará igualmente no ataque a milhões de trabalhadores (agora querem que a reforma do governo valha para os estados, assinando carta comum com vários partidos da direita golpista)

Paulinho da Força, dirigente histórico e presidente de honra da segunda maior central do país teve a cara de pau de falar em pleno ato de Primeiro de Maio que não havia como derrotar a reforma, só teríamos como “desidrata-la”.

Estamos convictos do oposto. A classe trabalhadora tem força para derrotar a reforma, tem força para desafiar o pacto dos poderes. Este pacto dos poderes só nasceu pelo medo comum deles da luta de classes, enquanto eles brigam por quem prevalecerá na luta por poder no país.

Para derrotar a reforma é preciso que o dia 14 seja construído através de milhares de assembleias em todo o país, que as centrais rompam imediatamente as negociações com Maia e seus parceiros de golpismo e ataques aos trabalhadores. Nada que interessa a defesa dos direitos dos trabalhadores será conquistado em conchavos no STF e na Câmara. A derrota da reforma será conquistada com nossos métodos de luta e nas ruas.

As centrais sindicais querem que o dia 14 seja um dia de pijama. Que ninguém vá às ruas. Nem pensar: precisamos ser milhões nas ruas.

As centrais querem um dia de pijama porque organizam a greve geral do dia 14 como mero instrumento de pressão em suas negociações com Maia e o Centrão. Não podemos ser instrumento para mudar algum aspecto da reforma mas manter sua essência, não podemos nos conformar em ser um instrumento dessas negociatas. Temos força para derrotar toda reforma da previdência, e impor que sejam os lucros dos capitalistas e não nós com o desemprego e a miséria e nosso direito à aposentadoria que paguemos pela crise.

Precisamos estar nas ruas, aos milhões, para que aqueles que sofrem pressões de seus patrões e chefes tenham confiança e cruzem os braços. Precisamos estar na rua para juntos debater e agir para derrotar a reforma. Temos que organizar manifestações para que seja possível a união da classe trabalhadora com a juventude que foi às ruas aos milhões e assim possamos juntar essa força bem como todas as reivindicações para derrotar cada chantagem de Bolsonaro&Cia e assim abrir caminho a uma resposta anticapitalista a crise no país.

É possível derrotar a reforma da previdência e assim abrir caminho para deixar de pagar a fraudulenta dívida pública, rompendo as correntes de subordinação ao capital financeiro nacional e imperialista e garantir recursos para a educação, para a saúde. É possível enfrentar o desemprego lutando pela redução da jornada de trabalho sem reduzir os salários para que todos tenham emprego. A crise que vai se prolongando mais e mais mostra como diante dela há duas alternativas, alguém irá pagar, ou nós trabalhadores ou eles, os capitalistas e governantes. O começo dessa resposta passa por um forte e ativo dia 14 de junho sendo milhões nas ruas, lutando para que os capitalistas paguem pela crise.




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