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Metroviários de SP | 13º Congresso dos metroviários: democracia e independência de classe para derrotar Bolsonaro, Doria e os ataques

O congresso dos metroviários de SP ocorre num momento importante para os metroviários, onde os trabalhadores enfrentam ataques cada vez maiores com o avanço da privatização, e que em meio à pandemia os governos se aproveitaram para tentar passar a boiada. Será um espaço privilegiado, e nós da Chapa 4 Nossa Classe consideramos importante que os trabalhadores se posicionem sobre os principais desafios colocados à nossa classe hoje no país, tirando as conclusões corretas, e que esse espaço sirva para fortalecer a luta para o próximo período.

quarta-feira 20 de outubro | Edição do dia

Foto: Sindicato dos metroviários

No Metrô, Doria tentou acabar com o Acordo Coletivo por seguidos anos, além de atacar a sede histórica do Sindicato buscando enfraquecer a organização dos trabalhadores. Recentemente nomeou Rodrigo Maia como secretário de Projetos e Ações Estratégicas, reconhecendo seu “trabalho bem feito” contra os trabalhadores como o grande articulador de reformas importantes nacionalmente, como a da previdência. O objetivo principal de Maia é avançar nas privatizações das empresas públicas, o qual os transportes certamente fazem parte deste projeto.

O ataque mais recente no Metrô é a iminente demissão em massa de milhares de trabalhadoras terceirizadas das bilheterias e das cabines de recarga de bilhete que o governo Dória pretende fechar até o final do ano. A terceirização deste setor já havia sido um forte ataque, precarizando e dividindo mais ainda os trabalhadores. Na pandemia essas trabalhadoras, maioria mulheres, não tiveram direito a afastamento do grupo de risco, EPI, vacinas, e foram demitidas às centenas.

Com esse projeto de enterrar os serviços públicos, Doria quer se mostrar como uma via possível pra assumir a presidência em 2022, buscando ser alternativa entre a polarização Bolsonaro-Lula. Se mostra como uma oposição de direita contra Bolsonaro, mas no plano dos ataques aos trabalhadores estão de mãos dadas com todos os governos e instituições do país como o STF e a câmara dos deputados. E é por isso que temos a convicção de que Doria não é nosso aliado em nenhuma luta dos trabalhadores, e no Metrô de SP temos muitos exemplos de seus ataques contra nós.

Essa política faz parte dos planos da burguesia de conjunto, e Bolsonaro vem implementando ataques duros contra os trabalhadores, com privatizações como a Eletrobrás, Petrobrás, Correios, Reforma Administrativa, uma lista interminável de ataques.

Tais ataques seguem passando com a passividade das maiores centrais sindicais do país, como a CUT/PT e a CTB/PCdoB (com esses últimos compondo a chapa 01), mesmo diante de mostras da classe trabalhadora em querer resistir à eles, defender seus empregos e direitos. Foram vários os exemplos de lutas que foram isoladas, como a greve da LG de Taubaté, da construtora MRV em Campinas, greves na CPTM, rodoviários de Porto Alegre, RedeTV, Proguaru em Guarulhos, a luta dos indígenas em Brasília com um acampamento de 10 mil, assim como as greves dos metroviários neste e no ano passado, contando inclusive com o episódio em que a Chapa 1, CTB/PCdoB, defendeu a aceitação do ataque ao Acordo Coletivo e foi derrotada pela decisão de luta das e dos trabalhadores.

Esses processos de luta mostram que a classe trabalhadora tem disposição em resistir, que as centrais sindicais separam nossa luta e afogam esse potencial de unidade que poderia ser explosivo para vencer. A perspectiva que as centrais sindicais combatem e temem é a unidade e coordenação de todas essas lutas como uma só, pois temem que essa força saia de seu controle e seja uma ameaça à possível eleição de Lula em 2022. Ao invés disso, canalizam essa força para uma saída eleitoral enquanto a burguesia avança nos ataques

A política das centrais sindicais acabou por contribuir para que chegássemos sem a organização da nossa classe pela base para lutar e barrar a política que nos trouxe à marca de 600 mil mortos de covid, desemprego em massa, fome extrema e retirada de direitos. Não dá para seguir esperando 2022, e nem acreditar que Lula é uma saída para os trabalhadores, pelo contrário: Lula e as centrais sindicais não querem revogar nenhuma reforma ou reverter os ataques já implementados, e estão construindo um arco de alianças com partidos burgueses, se comprometendo com a burguesia para voltar a administrar o capitalismo como sempre fez, inclusive perdoando os golpistas.

Frente a este cenário nacional e estadual se coloca como urgente a necessidade de apostar na saída independente dos trabalhadores para derrotar Bolsonaro e Mourão, que fortaleça nossa organização desde a base, se apoiando na disposição que mostra esses focos de resistência e a luta dos indígenas.

O congresso dos metroviários, então, mostra sua importância nesse sentido, num momento onde é necessário debater as lições das lutas dos metroviários contra estes governos e frente os desafios colocados para o próximo período, pensando em como os metroviários podem se preparar e se organizar para resistir aos ataques da direita e da extrema direita, construindo uma força e uma saída que seja sua, independente do PT e sua conciliação de classes.

Participaremos desse congresso, apresentando nossas teses, buscando debater com as demais forças organizadas da nossa categoria que se disponham a lutar em unidade por uma alternativa à burocracia sindical e à política de conciliação de classes e frente ampla eleitoral, fazendo um chamado às centrais sindicais para construção de uma greve geral para derrotar os ataques. Assim como contra as privatizações, lutando por um Metrô 100% estatal e sob controle dos trabalhadores. Contra o fechamento das bilheterias, debatendo o tema da terceirização, contra as demissões e levantando a necessidade de efetivação dos terceirizados sem concurso. Ligado a isso, inclusive, em defesa que o Metrô estatal receba subsídio estatal, uma vez que alegam crise financeira para deferir estas milhares de demissões, enquanto dão de bandeja para a CCR R$ 1 bilhão nos últimos meses.

Além de pensar em como fortalecer as lições em relação à defesa da democracia de base, da necessidade de defender assembleias democráticas onde todos os trabalhadores possam falar e fazer propostas, retrocesso esse que tivemos no último período em meio à pandemia. Também sobre a defesa da aliança dos metroviários com os setores mais precários da nossa classe, como os terceirizados, e com a população que sofre diretamente com a precarização dos transportes e outros ataques que sofremos de conjunto como classe trabalhadora.

Feito de 3 em 3 anos, o congresso dos metroviários é a instância máxima de deliberação dos metroviários, portanto é um importante instrumento para fortalecer a nossa luta hoje, contra as demissões dos terceirizados no Metrô, contra o avanço da privatização de Doria, contra Bolsonaro, e principalmente pela defesa de um transporte público, 100% estatal, de qualidade, a serviço da população.




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