Sociedade

RIO GRANDE DO NORTE

103 cidades do RN podem ficar sem oxigênio: plano emergencial já para evitar novas Manaus

O último levantamento do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) com 127 municípios do Rio Grande do Norte mostra que as unidades hospitalares de 103 deles, 81%, podem ficar sem oxigênio nos próximos dez dias. Segundo as cidades do levantamento feito pelo Conasems, a dificuldade é na compra. Empresários, inclusive, já lavaram suas mãos e avisaram aos gestores municipais que sua capacidade de produção está perto do limite por conta da falta de insumos.

terça-feira 13 de abril| Edição do dia

Foto: Agência Brasil

De acordo com o Conasems, apenas 24 cidades potiguares que não apresentam risco de falta de oxigênio. Outras 40 não responderam ao pedido de informações. No país inteiro, segundo o levantamento, 1.105 de 2.465 municípios brasileiros, ou 44% dos analisados, temem pela falta de oxigênio nos próximos dez dias. Questionadas se as cidades teriam capacidade de suportar aumento na demanda, 65,1% disseram que não teriam mais oxigênio para os pacientes.

No mês passado, 60 unidades de saúde chegaram a suspender o atendimento por falta do insumo no RN, segundo o Conselho Estadual de Secretarias Municipais de Saúde (COSEMS). A secretaria de saúde de São José de Mipibu informou que devido à alta demanda na região metropolitana de Natal e a lotação dos leitos no Rio Grande do Norte, o atendimento chegou a ser suspenso.

Todos vimos como Manaus, no Amazonas, foi a expressão mais chocante da calamidade e consequências do regime do golpe institucional e do governo Bolsonaro em meio a pandemia. O dinheiro do governo federal destinado a Manaus para combater a crise sanitária não acompanhou o mesmo ritmo do avanço de casos e mortes. A cidade de Manaus foi a quinta capital brasileira no índice de letalidade pela doença em 2020, mas a 26ª no repasse de recursos proporcionais ao tamanho da população, colocando o sistema de saúde de Manaus em colapso rapidamente e instalando a crise de falta de oxigênio.

Quando o número de mortes aumentou brutalmente na cidade e os pacientes começaram a morrer por falta de oxigênio, o presidente Jair Bolsonaro teve a pachorra de argumentar que o governo fez tudo o que podia em relação a recursos financeiros e apoio ainda que também chegou a dizer que não podia fazer nada. Também publicou uma imagem em suas redes sociais dizendo que repassou quase 9 bilhões de reais para o Estado do Amazonas e seus municípios, mas esse número representa todas as transferências da União, e não apenas os recursos destinados para o combate à covid-19. Chegou a declarar que a situação de Manaus não era de responsabilidade do governo federal.

Mas Bolsonaro não está sozinho na responsabilidade das mortes e colapso sanitário. João Doria (PSDB-SP) e os governadores do golpismo fazem demagogia com a vacina, mas reabrem escolas e não garantem vacinação para todos.

E os governadores que se dizem oposição, fazem como Paulo Câmara (PSB) no Pernambuco, reabrem escolas e dão preferência para vacinar policiais, para assim privilegiar e garantir que as forças repressivas cumpram seu papel contra os trabalhadores, jovens e toda a população, mais protegidas da contaminação. A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), se vangloria das medidas repressivas como o toque de recolher, mas é sabido que é demagogia que não diminui os contágios. Mantiveram a dinâmica de trabalho, ônibus lotados, para salvar a normalidade dos lucros dos patrões e agora flexibilizam as medidas de isolamento em meio ao número recorde de mortes nos estados. No RN, Fátima Bezerra assinou seu compromisso com a máfia da SETURN e os empresários da FIERN.

Para enfrentar Bolsonaro e todo esse regime do golpe, é preciso colocar na ordem do dia a luta por um plano emergencial, a luta pelo fim das patentes e vacina para todos para evitar novas Manaus.

É nesse sentido que é urgente cercar de solidariedade os trabalhadores em luta no país que paralisaram suas atividades nesta manhã por "Vacinas Já". É necessário unificar e massificar as lutas dos transportes, como a do Metrô de SP e de rodoviários pelo país no dia 20, assim como a greve das trabalhadoras metalúrgicas contra o fechamento da LG. Por um plano emergencial de vacinas para todos, liberação remunerada dos setores não essenciais e reconversão da indústria para a produção de insumos, como cilindros de oxigênio.

Quantas indústrias que estão fechando e deixando milhares de famílias nas ruas, como a LG e a Ford (mas as que também estão em pleno funcionamento para garantir os lucros dos patrões) poderiam readmitir e reconventer sua produção para produzir insumos e atender os interesses da população em meio à crise pandêmica e econômica?

Por isso, fazemos um chamado às organizações de esquerda, como PSOL, UP, PSTU e PCB, para engrossar a exigência às centrais sindicais, CUT e CTB (dirigidas pelo PT e PCdoB) para romperem sua passividade, que permite que os governadores ditos de oposição também sejam responsáveis pela crise sanitária e econômica, e se colocarem para organizar a indignação dos trabalhadores, organizando assembleias e reuniões pela base para lutar contra todas as demissões e ataques. Precisamos lutar de forma independente de todas as alas do regime golpista e impor uma frente única às direções dos sindicatos. Assim como os trabalhadores precisam se organizar nos seus locais de trabalho, em comitês de segurança sanitária e higiene, para levar a frente essas demandas e conter as contaminações.




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