Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

10 momentos em que a polícia brasileira mostrou sua verdadeira cara assassina em 2016

Trazemos aqui alguns (dos incontáveis) casos em que a polícia brasileira mostrou sua verdadeira cara assassina. Os casos de assassinatos, chacinas, torturas, repressão e outros abusos são muitos. Mas relembramos alguns dos mais marcantes para que a história não nos deixe esquecer a razão de ser da polícia e a memória dos que se foram não fique para trás.

sexta-feira 10 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Em meio a tantos debates envolvendo o papel da polícia hoje, essas são algumas das histórias que mostram como a polícia no nosso país está indissociavelmente ligada ao genocídio da população negra, à eliminação do povo pobre e à repressão daqueles que não se calam diante de tantas injustiças e desigualdades.

1.Assassinato de Yuri Lourenço da Silva, filho de Tati Quebra Barraco, pela UPP

11 de dezembro: Yuri foi morto a tiros durante uma operação policial na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, onde morava. Foi baleado no rosto por tropas da UPP, segundo a própria cantora. “A PM matou meu filho. Essa dor nunca irá cicatrizar”, disse a funkeira.

2. Os 5 Amarildos da polícia de Alckmin

21 de outubro: 5 jovens desapareceram na Zona Leste de São Paulo durante duas semanas após terem sido abordados por policiais a caminho de uma chácara na extrema Zona Leste da capital. Seus nomes: César Augusto Gomes da Silva (19 anos), Jonathan Moreira Ferreira e Caique Henrique Machado Silva (ambos de 18), Robson Fernando Donato de Paula (16) e Jonas Ferreira Januário (30). A última notícia obtida por um dos familiares foi através de um áudio de Jonathan para uma amiga em que dizia: “Ei, tio. Acabo de tomar um enquadro ali. Os polícia tá me esculachando”. Algumas semanas após o ocorrido, um policial admitiu ter criado uma emboscada para atrair os jovens.

3. Morte de Luana Barbosa dos Reis Santos

8 de Abril: Luana Santos era negra, lésbica, mãe e periférica e por isso foi assassinada pela polícia. Enquanto levava seu filho de 14 anos para a aula de informática foi parada pela polícia, como de costume. A versão dos policiais é a de que Luana começou a agredi-los assim que desceu da moto. Mas as pessoas próximas e a própria Luana desmentem essa narrativa. Ela levou porradas de cacetetes, capacete, chutes, socos, vomitava sangue e não conseguia ficar de pé direito. Foi levada ao hospital apenas após ter que ir para a delegacia. Morreu 5 dias depois no hospital por trauma crânio encefálico. Mais um caso onde a vida de uma jovem mãe, que tinha toda uma vida pela frente, foi tirada pelo racismo, machismo e lgbtfobia. Recentemente ficamos sabendo que a investigação do caso foi arquivada pela justiça militar

4. Absolvição do PM que matou Douglas, o autor da frase “por que o senhor atirou em mim?”

A morte de Douglas ocorreu em 2013 e ficou famosa pela simbólica frase. Segundo a decisão do juiz, colega militar do assassino, não havia provas o suficiente para concluir homicídio com intenção. Outro colega, uma das testemunhas, afirmou que a arma estava com problema e bastava um “chacoalhão” para que fosse disparada. Mais uma vez a justiça militar, privilégio da corporação que não é julgada nunca por júri popular, sequer pela justiça comum, atuando em benefício dos assassinos.

5. Sessão de tortura na Bahia leva à morte de Inácio de Jesus, 16 anos

27 de Abril: o adolescente baiano de 16 anos, Inácio de Jesus, voltava do almoço em direção ao trabalho quando foi parado por uma viatura policial. Levado a um matagal onde o GPS não pega, foi torturado. O levaram até sua casa depois da sessão de tortura, onde relatou o caso para a mãe. No mesmo dia foi levado à delegacia, mesmo sem terem achado nenhuma droga, mesmo sem mandato judicial, onde passou a noite. Liberado no dia seguinte, foi levado ao hospital com uma série de ferimentos. No dia 2 de Maio foi internado e não sobreviveu, falecendo 4 dias depois.

6. O legado olímpico e as dezenas de mortes no Rio de Janeiro

Segundo dados da Anistia Internacional, nos meses de Abril, Maio e Junho foram assassinados pela polícia carioca pelo menos 124 pessoas, mais de uma por dia. Para além dos assassinatos, foram relatados também inúmeras violações dos direitos humanos, como invasões de domicílios, famílias desabrigadas, agressões físicas, etc. Tudo isso para garantir o espetáculo das Olimpíadas e a venda de uma falsa ‘cidade maravilhosa’ para inglês ver. Combinado a isso, os protestos pacíficos também foram brutalmente reprimidos pela polícia.

7. Assassinato de Wladik Gabriel Chagas, de apenas 12 anos, pela GCM paulistana

10 de Junho: o jovem Wladik Chagas estava dentro do carro em companhia com mais duas pessoas, na Zona Leste da capital paulista, quando foi alvejado na cabeça por uma bala da Guarda Civil Metropolitana. A versão da polícia, mais uma vez, contradiz os fatos. Segundo eles, o carro teria sido responsável por atirar em uma pessoa, mas nenhuma prova ou testemunha comprova essa narrativa.

8. 74 assassinos do carandiru tiveram condenação anulada

27 de Setembro: foi no ano de 2016 em que os 74 policiais responsáveis por uma das maiores chacinas da história recente brasileira tiveram sua condenação anulada. Desde 1992, na verdade, os policiais seguiam respondendo o caso em liberdade. Vinte e quatro anos depois do massacre que chocou o país, a justiça, também aliada da impunidade e da violência, contribuiu para que esses assassinos seguissem impunes.

9. Advogado negro em Caxias do Sul é brutalmente espancado após defender manifestantes

31 de Agosto: o advogado negro, Mauro Santos, de Caxias do Sul, foi brutalmente espancado pela polícia militar após ajudar dois jovens manifestantes que haviam sido abordados pela PM após ato contra o golpe. A conversa entre Mauro e os PM’s não durou nem um minuto e os policiais já começaram a espancá-lo com cacetetes, mostrando mais uma vez sua faceta racista. Em seguida Mauro ficou detido na delegacia, e concedeu uma entrevista ao Esquerda Diário, como pode-se ver aqui.

10. Brutal repressão na praça dos três poderes em Brasília

29 de Novembro e 13 de Dezembro: dois momentos em que a polícia brasileira serviu de escudo para que o Senado aprovasse um dos maiores ataques aos direitos sociais do povo brasileiro dos últimos anos: a PEC 55. A praça dos três poderes se transformou em uma praça de guerra, onde em poucos minutos de manifestação, as bombas começaram. Os manifestantes, que contabilizavam cerca de 25 mil pessoas, eram em sua grande maioria jovens que ocupavam suas escolas e universidades para protestar contra os ataques do governo Temer. Aqui a polícia se utilizou de todo o seu aparato militar para conter a manifestação democrática. Incontáveis ocupações e atos foram marcados pela violência policial neste ano, o que ampliaria o número de casos dessa matéria de 10 para centenas. Mas escolhemos essa pelo simbolismo e pela brutalidade. Veja também o momento em Brasília em que uma garota é imobilizada e torturada em Brasília no dia 13 de dezembro, remetendo aos tempos mais obscuros da ditadura militar, neste link.

Casos como esses reafirmam o papel que a polícia cumpre na nossa sociedade. Por um lado serve como defensora dos privilégios dos ricos e da casta política, impedindo com que vozes contrárias à atual situação possam emergir. Por outro lado, honram a tradição do Brasil escravocrata em perseguir, assassinar e aniquilar a população negra e pobre do nosso país. 2016 também foi o ano em que saiu um dado mostrando que 9 pessoas são assassinadas por dia no país. A discrepância com o Reino Unido, por exemplo, é gritante: a cada seis dias, a polícia no Brasil mata o equivalente a 20 anos no país europeu. Essa é a função da polícia em nossa sociedade, seja militar ou não, como mostram os inúmeros casos também envolvendo a força não militar. Ao passo em que a nossa sociedade continuar sendo dividia em classes, a dominante vai comandar as forças armadas e ativá-la de acordo com seus interesses. Enquanto isso, os direitos da população, negra e periférica em especial, continuarão a ser desrespeitados sistematicamente. Parte dessa luta passa por acabar com a polícia.

Veja mais casos que foram divulgados pelo Esquerda Diário na época:

- Travesti é encontrada morta em camburão da PM em São Paulo
- Polícia invade escola do MST sem mandado
- PM invade sede do PCB em atividade sobre a desmilitarização da polícia
- Polícia deixa algemado dois homens negros em uma lixeira em Porto Alegre
- Polícia de Pimentel invade a UFMG e promove escandalosa repressão a manifestação de estudantes
- “Vadia, se vomitar no chão vai ter que limpar” foi a frase que um PM disse à uma secundarista presa em um ato em SP
- Mais um jovem morto pela polícia no Rio
- Barbárie: menino de 10 anos é assassinado por policial militar na grande São Paulo




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