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Jueves 19 de Septiembre de 2019
00:10 hs.

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TRANSGÊNICOS
Câmara aprova PL que esconde transgênicos no rótulo do alimento
Gilson Dantas
Brasília
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Este projeto de lei, que agora sobe para o Senado, derruba uma lei atual, de 2003, que exige que todo alimento de origem transgênica traga aquele “T” amarelo que informa que é alimento geneticamente modificado (OGM). O que esse parlamento conservador pretende é que, doravante, o consumidor não saiba se está consumindo alimento perigoso ou não. O deputado que apresentou o projeto, L C Heinze (do PP do RS) integra a bancada do agronegócio e foi eleito com dinheiro de empresa subsidiária da Monsanto e outras que sao afins com os venenos agrícolas. Lembrando que este ilustre parlamentar é conhecido por seu perfil racista e homofóbico.

O problema dessa nova lei que pretendem implantar, com apoio governista/petista, é que além de ferir direitos elementares do trabalhador e do cidadão, terá efeitos desastrosos para a saúde humana e ambiental.

Já sabemos que o consumidor minimamente informado costuma rejeitar alimentos transgênicos; tanto que não existe nenhum empório anunciando que “aqui se vende transgênicos”. Não dá marketing e em países europeus há campanhas públicas contra. Mesmo aqui e apesar da benevolência da grande mídia, não existe clamor do tipo “quero transgênicos”. O que se pretende com aquela lei é uma censura: que o consumidor não mais fique sabendo o que consome. É clara afronta ao direito à informação: em prol da saúde pública, minimamente é preciso saber se o alimento tem glúten, sal, açúcar e especialmente transgênicos.

Em segundo lugar, está claro o objetivo cem por cento comercial: se transgênico fosse bom, por que esconder no rótulo? Em qualquer debate sério sobre alimentos transgênicos tipo soja, milho etc, fica claro não a luta por melhores alimentos mas acima de tudo a luta dos oligopólios por patentes, por garantir seu direito a acumular mais capital como proprietários de “marcas” de soja por exemplo.

Ao mesmo tempo, tais produtos prejudicam amplamente e por longo prazo o meio ambiente. Em uma época de mudanças climáticas, de extinção de espécies por conta da poluição industrial e desmatamento, a preservação da biodiversidade é crítica; passa a ser essencial a preservação de espécies nativas e caboclas diante da contaminação genética dos transgênicos, proteção que vem sendo levada adiante em especial pelo pequeno agricultor que ainda não teve que aderir aos transgênicos, oferecidos com a isca de serem mais “produtivos”.

Por outro lado, o transgênico torna o agricultor mais dependente da indústria química, dos oligopólios: ele passa a pagar patente para usar as sementes e agrotóxicos da mesma empresa (como o glifosato da Monsanto, que acompanha sua “marca” de soja “mais produtiva”, a transgênica).

Finalmente, transgênico está muito longe de ser uma proposta “da ciência”, como a grande mídia veicula. Agricultura transgênica não passa de uma proposta de alguns cientistas, recrutados pelos interesses econômicos e que, por isso mesmo, ganham mais destaque. A própria Embrapa, que deveria defender o interesse público, está associada a projetos com aqueles grandes oligopólios agroquímicos. O Estado é cúmplice desse fenômeno como já veio sendo criminosamente cúmplice da ofensiva nacional do uso de pesticidas e agrotóxicos, dos quais o Brasil é campeão mundial de uso. Nossa agricultura é a mais envenenada do mundo.

Esse mesmo Estado fortalece os oligopólios do agronegócio que operam promovidos e financiados por dinheiro público, pelos governos PT-PSDB (foi o governo, via BNDES, que financiou a fusão da Aracruz Celulose com a Votorantin Celulose, dois gigantes do setor). Tais empresas irrigam setores acadêmicos, cientistas para nada “neutros”, todo um bloco cientifico-parlamentar-midiático que passa a vocalizar seus interesses com mil pretextos falsos.

Tais empresas imperialistas apostam alto no Brasil, onde o potencial de avanço da lavoura sobre a floresta é enorme ainda. No argumento certeiro de Warner Bento Filho, “segundo contou o presidente da Monsanto, R Santos, à revista Globo Rural: `Este país tem 64% da área coberta com vegetação nativa, florestas. Na Europa, por exemplo, esse índice é de 0,3%. Esses números indicam que o n nosso país é o local ideal para o crescimento sustentável que a companhia busca´, disse o executivo, resumindo as intenções da companhia no Brasil e seu entendimento sobre crescimento sustentável.

Os interesses dos eleitores não são exatamente esses. É difícil supor que algum consumidor gaúcho votou em Heinze na esperança de ter a liberdade de comer transgênicos sem ter que saber disso. Informação, até onde se sabe, nunca é demais e dá a quem a tem mais elementos para decidir, inclusive sobre o que presta e o que não presta”.

Principalmente quando a informação ganha a consciência da classe trabalhadora organizada, única com poder de fogo de enfrentar aqueles grandes grupos que controlam o parlamento.

 
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