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Lunes 9 de Diciembre de 2019
02:37 hs.

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TRIBUNA ABERTA
Ao governo do Paraná, o seu maior inimigo: o professor.
Por Silvester Dias da Silva
Paraná - Brasil
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O cenário era de guerra: Mais de 1500 policiais armados com pistolas, fuzis, bombas de gás lacrimogênio e lançadores de spray de pimenta. Helicópteros da polícia fazendo ronda ao redor da praça. Mais atrás, havia a tropa canina esperando os meliantes. Do alto do Palácio Iguaçu, sede do Governo do Estado do Paraná, se avistava atiradores de Elite e suas Snipers prontas para o tiro fatal. Parecia cena de filme Hollywoodiano.

Mas afinal, quem eram esses bandidos tão perigosos assim para tanto efetivo policial? Eram os perigosíssimos professores da Rede Estadual, armados com seus pedaços de Giz e suas infalíveis canetas vermelhas, prontas para disparar centenas de notas zero por segundo.

A História começa no Sábado, dia 25, quando dos Professores da Rede Estadual de Educação do Paraná aprovam a retomada da greve geral, em resposta aos ataques do governador, que tenta a qualquer custo sequestrar o dinheiro do fundo de previdência dos servidores do Paraná. Com receio dos professores ocuparem novamente a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP), A Secretaria de Segurança Pública propõe uma das maiores operações de guerra em tempos de paz, no Estado. Mais de 1500 homens da Polícia Militar do Paraná são destacados de todos os cantos do estado com o objetivo de suprimir dos professores o direito regimental de livre acesso à Casa Legislativa do Estado.

Na Segunda feira, dia 27, o clima já era de tensão. Policiais fizeram um cordão de isolamento que deixava a Assembleia Legislativa em Estado de Sítio. Somente parlamentares puderam ter acesso à chamada “Casa do Povo”. Os professores, de mãos atadas, apenas acompanharam o áudio do lado de fora, através do carro de som do sindicato e gritavam palavras de ordem.

O clima de tensão se inicia pela madrugada de terça feira. Policiais da Tropa de Choque começam a despejar acampantes da praça Nossa Senhora da Salete. O intuito era aumentar o cordão de isolamento da polícia. Barracas são desmontadas à força e o carro de som do sindicato guinchado. Professores na calada da noite e sem nenhum representante da imprensa no local tentam, em vão, impedir a barbárie que se instalava, com direito a spray de pimenta nos rostos dos educadores.
Ao amanhecer, os professores conseguiram uma liminar que garantia o direito de permanecer na praça Nossa Senhora da Salete, em frente à Assembleia Legislativa. Educadores iniciam então a marcha do acampamento base, a 800 metros da praça, para cumprir a ordem judicial.

A recepção calorosa do governo do estado é aquela do início da crônica. Cerca de 15 carros da PM impediam o acesso do novo carro de som - agora, emprestado dos colegas do Sindicato dos Metalúrgicos do Paraná – e dos professores. Ao entrar na praça, os professores solicitam que retirem as viaturas do caminho, e a resposta foi o avanço das tropas de choque. Professores então criam um cordão de isolamento para que o choque não consiga ter acesso às viaturas. E a tensão acontece.
Enquanto professores na linha de frente impedem no peito e coragem o avanço da PM, companheiros na linha de retaguarda começam a retirar, nos braços, as viaturas que atrapalhavam a passagem do carro de som. No desespero de perderem o controle da situação, a polícia começa a lançar spray de pimenta nos professores da linha de frente e bombas de Gás Lacrimogênio nos “guinchadores de viaturas”. O clima era de guerra civil!

Os professores lutaram bravamente segurando o choque, avançando o carro de som por cerca de 100 metros, ao fundo se avistava a chuva de bombas de gás e o Brucutu lançando jatos de água nos manifestantes.

Quando parecia que não daria mais para avançar, e os manifestantes perderem o controle da situação, o comando de greve consegue manobrar a massa para a calmaria e o comandante da operação policial propõe um acordo para dar fim à situação. Após negociações, ficou estabelecido que os professores estacionassem o carro de som o mais próximo ao isolamento da ALEP. O clima passou da tensão à euforia, como soldados que haviam vencido uma grande batalha!

Dezenas de professores se feriram levemente no confronto, porém todos saíram de alma lavada e mais ânimo para continuar a lutar pelos seus direitos! Na sessão da ALEP, foi adiada a votação do Projeto de Lei que muda a aposentadoria dos servidores para essa quarta feira, dia 28. Outras dezenas de delegações do interior do estado prometeram chegar cedo para o dia “D”, e quem sabe sair vitoriosos do que os servidores estão chamando de “A mãe de todas as batalhas”.

 
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