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Domingo 22 de Septiembre de 2019
03:30 hs.

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GOVERNO TEMER
Patrocinado por planos de saúde privados, ministro quer acabar com a saúde pública
Allan Costa
Militante do Grupo de Negros Quilombo Vermelho - Luta negra anticapitalista

O Ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), que recebeu dinheiro de empresários do ramo da saúde, disse que o Brasil não conseguirá manter a saúde pública como um direito básico gratuito.

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Quando ocorreu a queda de Dilma pelas mãos golpistas de Temer, apoiadas pela oposição, empresários, mídia e banqueiros, já denunciávamos o que estaria por vir: um governo que viria com a "faca nos dentes" para atacar os direitos dos trabalhadores ainda mais rapidamente do que se propunha o governo petista. Uma vez determinados os integrantes ministeriais do novo governo, não demorou para que os primeiros ataques já se anunciassem, ataques que começam nos direitos mais básicos, como na aposentadoria, na educação e, é claro, na saúde.

No que depender do novo ministro da saúde, Ricardo Barros (PP-PR), esses ataques sequer respeitarão minimamente os direitos vigentes hoje na Constituição Federal, mostrando que para a burguesia e seus mediadores dos governos, essa constituição pactuada com os militares, é apenas um detalhe utilizado conforme lhes é conveniente. Em entrevista à Folha na última segunda feira (16), Barros afirmou que por "falta de recursos" o tamanho do SUS terá de ser revisto, disse ainda que a constituição fala em muitos "direitos dos brasileiros, mas não fala em deveres" tentando assim legitimar os cortes que virão até chegar num ponto que ele chamou de "equilíbrio entre o que o Estado tem condições de suprir e o que o cidadão tem direito de receber". Diante do cenário econômico e daquilo que o governo coloca como necessidades para o momento, Ricardo Barros defende uma repactuação "como aconteceu na Grécia que cortou aposentadorias, e em outros países que tiveram que repactuar as obrigações do Estado porque ele não tinha mais capacidade de sustentá-las".

Um dos trechos da entrevista, porém, entregou ainda mais as intenções do ministro, quando perguntado sobre a quantidade de brasileiros que não puderam mais pagar planos de saúde no último ano e se estes sobrecarregarão o SUS, ele respondeu dizendo que os planos de saúde tem que incluir cada vez mais procedimentos nas suas coberturas por determinações da justiça, o que encarece o custo do serviço, ou seja, defende que o estado interfira menos na regulação destes planos e ainda completa dizendo: "Quanto mais gente puder ter planos, melhor, porque vai ter atendimento patrocinado por eles mesmos o que alivia o custo do governo para sustentar essa questão". A inclinação aos planos de saúde privados do Ministro Ricardo Barros é explicável, sua campanha em 2014 foi financiada por um dos principais agentes de planos de saúde do Brasil, Elon Gomes de Almeida que cedeu mais de R$ 100 mil e também é presidente da Aliança, empresa especializada em administrar planos de saúde. Ao todo, o empresário gastou mais de R$ 800 mil financiando campanhas nas últimas eleições, Na campanha de 2006,o hoje Ministro da Saúde já havia sido patrocinado pela Unimed.

Qualquer trabalhador que já tenha precisado utilizar um serviço do SUS sabe que não estamos falando aqui de um serviço de ponta, onde o atendimento seja garantido com eficiência para todos os que precisam e que, com um ajuste ou outro, poderia protagonizar uma economia de recursos sem perder qualidade. Os hospitais e pronto-socorros por todo o Brasil estão escancaradamente caindo aos pedaços, sobram filas de muitas horas para atendimento e de meses para exames, faltam médicos, enfermeiros, medicamentos, materiais, equipamentos e mais uma longa lista de tudo que é mais básico, ao mesmo tempo em que todos conhecem os casos de pacientes que dão à luz, adoecem ou mesmo morrem nas filas desses mesmos hospitais. Segundo divulgou o Conselho Federal de Medicina nesta terça-feira, o Brasil fechou quase 24 mil leitos de atendimentos no SUS nos últimos 5 anos, mesmo assim, o novo Ministro da Saúde alega que é grande demais para que seja garantido pelo Governo.

Ricardo Barros ainda dá a entender que o SUS se encontra nessa situação de penúria por conta do mau uso que a população faz do serviço, quando aponta que existem usuários com mais de um cartão que pegam remédios de distribuição gratuita para revender, o que sobrecarrega os gastos com saúde. Nenhuma palavra sobre os casos conhecidos de desvio de verbas de hospitais, de fraudes em licitações de empresas terceirizadas ou até os casos de abandono de hospitais por parte de prefeituras para forçar a população à procurar a rede privada, como foi o caso do prefeito de Montes Claros, em Minas Gerais.

Ainda no final da manhã desta terça-feira, o ministro recuou de sua afirmação do dia anterior, após se reunir com especialistas em Brasília, disse que o SUS se encontra "estabelecido" e que reconhece que ainda é "insuficiente para a proposta constitucional do SUS que é saúde universal para todos". Claramente esse recuo não passa de um discurso para tentar apaziguar a má impressão e acobertar as verdadeiras intenções deste governo: Fazer os trabalhadores pagarem ainda mais pela crise dos capitalistas.

Este governo golpista já mostrou em menos de cinco dias que veio para aproveitar o caminho traçado de ajustes pelo PT e atacar em um ritmo maior que o que vinha fazendo Dilma. A batalha nas ruas para derrotar os ajustes dos governos e a sua repressão, e a luta para derrubar o governo golpista de Temer, se fundem em uma só. É preciso avançar as lutas que hoje são protagonizadas pela juventude secundarista que promoveu uma onda de ocupações de escola em defesa da educação em diversos estados, enfrentando uma brutal repressão do governo Alckmin com o objetivo de amedrontá-los, e a greve das universidades estaduais paulistas, como ponto de apoio do questionamento de todo este podre regime político que nos retira o direito à educação e à saúde. Por isso propomos uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, apoiada na força da luta de classes, que se choque aos poderes constituídos e faça com que os capitalistas e seus políticos milionários - com acesso aos melhores serviços de saúde - paguem pela crise, numa perspectiva estratégica de conquistar um governo dos trabalhadores que rompa com o capitalismo.

 
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