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Domingo 5 de Abril de 2020
10:59 hs.

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PRIVATIZAÇÃO
Aeroportos: Dilma quer privatização express para competir com a privatização do golpista Temer
Kenji Ozawa

Tentando competir com os privatistas em seu próprio terreno, Dilma acelera a entrega de importantes e lucrativos aeroportos regionais. Temer quer abrir toda a aviação civil do país 100% ao capital imperialista. A pressa do entreguismo petista escancara, mais uma vez a estratégia de "tentar" combater o golpe aplicando negociatas e ataques.

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Na contramão da tentativa de se relocalizar à esquerda nos “45 do 2º tempo anunciando medidas em prol dos indígenas, negros e pobres -> http://www.esquerdadiario.com.br/Dilma-anuncia-pacote-de-medidas-em-prol-dos-indigenas-negros-e-pobres-entenda-o-porque] , a presidente Dilma Rousseff ainda tentará competir com Michel Temer nesses prováveis 10 últimos dias de governo PT pela “assinatura” de quem serão privatizados os nossos aeroportos.

Desde março deste ano, tramita no Congresso uma medida de autoria do governo Dilma que prevê o aumento da participação do capital internacional nas empresas aeroviárias brasileiras de 20% para 49%, mas podendo chegar a 100% no caso de capitais de países onde a mesma coisa seja permitida ao capital brasileiro. Ainda hoje, o governo pretende lançar o edital de leilão de quatro aeroportos: Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador.

O golpista Michel Temer, por sua vez, quer alterar a medida por meio de emendas que legalizem a participação de 100% do capital estrangeiro em qualquer caso, sem exigência de reciprocidade em relação ao país de origem do capital; ou seja, que legalizem a entrega ao imperialismo de todos os aeroportos brasileiros.

A crise econômica internacional, que já dura oito anos, impõe à burguesia, nacional e internacionalmente, ataques ainda mais duros, algo do que o PT, tendo que lidar com as contradições entre sua direção burguesa e sua base operária e popular, não era capaz; graças aos “tentáculos” burocráticos do PT em volta das centrais sindicais e dos movimentos sociais, o governo Dilma pode dar os “primeiros passos” do ajuste fiscal mais ou menos sem resistência da classe operária, mas teve que fazê-lo mais devagar do que gostaria.

A desagregação da situação econômica do país já não permite esse luxo. Da mesma maneira, o capital internacional, em crise, cansou-se de esperar pelo entreguismo “à conta gotas” do PT; quer já a privatização da Petrobrás e, agora, dos nossos aeroportos. Daí o golpe institucional que, além de abrir caminho à um recrudescimento da repressão e ataques aos direitos democráticos dos trabalhadores, pretende fazer do PT uma mediação entre a disposição de luta dos trabalhadores e da juventude e a construção d’uma alternativa revolucionária apresentando-o como vítima e, assim, garantir que esse partido que foi o principal pilar da dominação burguesa durante quase 14 anos de governo, continue sendo-o, agora na oposição.
Este golpe é possível somente porque o PT, desde que chegou ao poder, sempre governou junto com o que há de mais nojento e fisiológico na política brasileira, cumpriu religiosamente os “compromissos” com a burguesia que são a Lei de Responsabilidade Fiscal e a dívida pública, rifou o direito das mulheres ao aborto legal, seguro e gratuito, e o kit anti-homofobia em prol da tal “governabilidade”, foi cumplice do genocídio da população negra nas favelas, por exemplo, o complexo da Maré, assim como no Haití; enfim, porque o PT foi assimilado estruturalmente pelo Estado burguês, inclusive padecendo do seu mal endêmico, que é a corrupção.

O PT, ao integrar-se ao Estado burguês e fazer um governo de conciliação de classes, abriu o caminho à essa direita que não fez nenhuma questão de esconder seu reacionarismo quando a Câmara dos Deputados votou “sim” ao golpe institucional. A privatização dos aeroportos brasileiros é só mais uma das exigências que os patrões, o latifúndio e seus representantes tucanos já têm feito ao ex-vice “decorativo”, renascido das cinzas do golpe: idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e mulheres; que a negociação coletiva valha mais que a CLT; maior “integração” internacional, leia-se, mais privatização e mais entreguismo; aumento da produtividade, leia-se, arrocho salarial, carestia de vida; etc.

Contra todos esses ataques e o golpe institucional a ser legitimado pelo Senado, nós, do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), exigimos: que a CUT e demais centrais rompam sua submissão ao PT e organizem um verdadeiro plano de lutas, que não se limite a showmícios, mas sim organize os trabalhadores por local de trabalho, que paralise a produção e convoque já uma greve geral! Além disso, propomos a classe operária que imponha, pela força desta mobilização contra o golpe e todos os ataques de todos os governos, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que proibia as privatizações e re-estatize, sob controle operário, todas as empresas privatizadas; que estanque a sangria da dívida pública e ponha fim a opressão imperialista sobre as riquezas da nossa terra.

 
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