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Domingo 25 de Agosto de 2019
17:39 hs.

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ELEIÇÕES
Lula e Renan teriam discutido proposta de eleições antecipadas
Fernando Pardal
@fepardal

O apoio de Renan à proposta de realizar eleições antecipadas já havia sido declarado antes mesmo da aprovação do impeachment na Câmara dos Deputados, como apontamos aqui. Hoje, contudo, ele discutiu essa proposta com Lula em um cenário muito mais desfavorável ao governo, enquanto o golpe institucional tramita rapidamente pelo Senado.

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26/04/2016- Brasília - Renan recebe o Lula na residência oficial do Senado. Foto: José Cruz/ Agência Brasil.

As possibilidades de eleições antecipadas

O tema da conversa entre Lula e Renan, segunda a imprensa, versou justamente sobre por que vias seria possível conseguir implementar a proposta das eleições antecipadas. Diante da aprovação do impeachment na Câmara, que representava a maior dificuldade no trâmite parlamentar do impeachment, torna-se impossível a aprovação de alguma medida do tipo no Congresso, como seria necessário no caso de uma PEC (Projeto de Emenda Constitucional), por exemplo. Cunha, presidente da Câmara e um dos líderes da articulação do golpe institucional, já anunciou que não colocará em discussão nenhuma medida desse tipo. Já Temer, de forma bastante cínica, alegou que a proposta é uma “tentativa de golpe”.

Assim, a forma mais viável cogitada é a de um plebiscito que poderia ser realizado concomitantemente às eleições de outubro, e que permitiria a antecipação das eleições para 60 dias após sua realização.

Os interesses nas eleições antecipadas

O PT, ao procurar uma alternativa ao impeachment, procura evitar o desgaste da derrubada de Dilma por meio de um golpe, mas ao mesmo tempo viabilizar uma alternativa para voltar ao poder. As recentes pesquisas que indicavam até 31% de intenção de voto em Lula, perdendo apenas para Marina Silva, animaram o ex-presidente a procurar na via das eleições uma forma de aproveitar de seu prestígio relativamente preservado entre as massas – já que não esteve diretamente ligado aos ataques protagonizados por Dilma nesse início de seu segundo mandato – para poder revitalizar o PT e impedir sua bancarrota política.

Por outro lado, Renan procura uma via de preservação para o regime. Um governo que fosse colocar no poder pela via das urnas possuiria uma legitimidade muito maior do que o golpista Temer, na prática eleito por 367 deputados fisiologistas que escancararam em transmissão nacional os interesses reacionários e mesquinhos por trás do golpe do impeachment. A legitimidade do próximo governo será fundamental para que possam implementar até o fim os ataques já iniciados pelo governo petista, com o “choque de gestão” que vão precisar para cortar na carne dos trabalhadores, dos direitos sociais e salvar os lucros dos patrões.

O PT jogaria a toalha e procuraria mais uma vez o caminho do regime corrupto

Se confirmar-se o noticiado pela grande mídia, seria mais uma mostra de como ao longo dos treze anos de governo o PT procurou sempre o caminho da “governabilidade”, e para isso abriu caminho ao poder para toda a podre e oligárquica direita que hoje avança com o golpe contra Dilma, nós vimos que isso não mudou depois que esses mesmos setores organizaram a derrubada do governo petista. Primeiro foi o loteamento de cargos deixados vagos pelo PMDB, as negociatas e trocas de favores para tentar garantir o apoio de partidos de direita e fisiologistas de plantão que compunham a “base aliada” do governo, tal como PP e PR.

Agora que este caminho fracassou, o PT procuraria mais uma via institucional por dentro desse regime podre, dando as mãos para Renan Calheiros, do mesmo PMDB de Michel Temer, que o próprio PT chama de “chefe conspirador dos golpistas”.

O que está claro é que a única via que o PT procura para se manter no poder é a mesma via podre que utilizou para manter seus sucessivos governos voltados aos interesses dos patrões e de ataques aos trabalhadores e aos setores explorados e oprimidos. Do lado de fora do parlamento, os burocratas governistas infiltrados nos movimentos de massa, as direções da CUT, UNE, Intersindical, CTB, MST, MTST, bradam aos quatro ventos que “vai ter luta”, mas ninguém vê suas palavras virarem ações. Há meses alertamos para a necessidade de colocar de pé um plano de lutas contra o golpe, que se paute pelos métodos de luta da classe operária, com greves, piquetes, paralisações, ações de rua. O que se viu foram apenas atos “showmícios”, com discursos vergonhosos como o de Lula no dia 18 de março, em que afirmou que nunca os patrões haviam ganhado tanto dinheiro como no seu governo. Tudo para agradá-los, e nunca uma sombra de uma luta independente.

Eles seguem hoje utilizando os mesmos métodos, como vemos quando Frente Brasil Popular, da mesma forma que Lula, sentou-se para conversar com Renan Calheiros pedindo que conduza o processo no Senado com “isenção e imparcialidade”, e João Pedro Stédile, líder do MST, disse que a pressão é para que Renan “recupere a credibilidade do processo e julgue o mérito” do pedido de impeachment. Em suma, continuam alimentando as ilusões, mesmo depois das monstruosidades que ouvimos na votação da Câmara, de que possa haver qualquer tipo de isenção no Senado, que será responsável por desferir o último lance do golpe.

 
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