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Lunes 20 de Mayo de 2019
13:13 hs.

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ATOS DO DIA 13/3
Atos da direita não foram grandes como imprensa gostaria
Marcelo Tupinambá
São Paulo

Maior manifestação da história do país? Piada, veja os cálculos do Esquerda Diário.
O que querem é apagar junho de 2013 da história do país, mas aquela juventude não tem nada a ver com esses que saíram às ruas hoje.

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Alguém que se informa sobre as manifestações pelo Brasil hoje pela grande imprensa vai escutar uma infinidade de mentiras da grande mídia, da PM e dos organizadores. Querem que o dia de hoje fique marcado como as maiores manifestações da história do Brasil, maiores até mesmo que as manifestações de junho de 2013 e que as Diretas já de 84. É pra rir de tamanho descaramento, que nas redes sociais já sofre todo tipo de chacotas.

As manifestações foram maiores que as de 15/3 do ano passado, mas uma análise séria mostra que foi pouco mais. No entanto, isso não significa que ganhou maiores setores populares. No ano passado em 15/3, o ódio com os ataques que Dilma anunciou logo depois das eleições e a aparente “espontaneidade” das manifestações levou setores de trabalhadores, negros e jovens para as ruas, ainda que também foi ultra minoritário. Mas dessa vez, o apoio de todo tipo de direitista da política e do empresariado desmascarou a manifestação e o corte de classe, de cor e de idade foi nítido: quase totalmente de classe média branca acima dos 40 anos.

Ou seja: a juventude que saiu às ruas em junho de 2013, que se expressou novamente em luta nos estudantes do ensino médio de São Paulo, Goiás e agora Rio de Janeiro, não tem nada a ver com quem saiu às ruas hoje. Se as manifestações foram um pouco mais fortes que o 15/3 em algumas capitais, é porque essa classe média branca de direita saiu mais massivamente e não porque trabalhadores, a juventude e o povo pobre e negro tenham aderido.

O caráter de classe se mostra também no fato que não se via nenhuma demanda social como mais saúde, educação, transporte, claramente a maioria ali não se preocupa em nada com isso. Sequer estavam preocupados com os 23 mortos nos últimos dias em são Paulo pelo descaso do governo estadual.

A imprensa também tentou apresentar as manifestações como se não fossem tão descaradamente “seletivas” em sua farsa de “luta contra a corrupção”, mas era impossível esconder que a grande maioria era somente contra Dilma, Lula e o PT. Irônico, ridículo, o quão pouco aparecia Cunha e nem falar então Aécio, Alckmin e outros corruptos da direita que era poupados da maioria dos “coxinhas”.

Como já é uma marca dessas manifestações da direita, houve a participação de Revoltados On Line e uma minoria de Carecas, Skin Heads, setores proto fascistas pedindo intervenção militar, a volta da ditadura, defensores do Trump, etc, mas o tom das manifestações não foi esse. O que primou foi a exaltação de Sérgio Moro e o eixo contra a corrupção, contra o PT, pelo impeachment e pedindo cadeia para o Lula.

A farsa dos números das PMs e dos organizadores destas manifestações

Os organizadores e as PMs inflam sistematicamente os números das manifestações de direita. A discrepância dos dados da Folha de São Paulo para a PM do mesmo estado já ilustram este problema.

Enquanto a PM de Alckmin que além de "calcular mal" o número mortos calculou "bem" os presentes hoje em 1.5 milhão, a Folha fala em 450 mil. Só se a Paulista inteira estivesse ocupada por 4 pessoas pessoas por metro quadrado chegaríamos ao número da Folha. O Esquerda Diário percorreu a manifestação com uma equipe e calculou aproximadamente 346 mil os presentes hoje fazendo cálculos próprios de densidade quarteirão a quarteirão. Os números da PM de Alckmin exigiriam mais de 12 pessoas por metro quadrado na Paulista inteira da Consolação ao Paraíso e quem esteve lá sabe que havia partes vazias e nos quilômetros finais, passada a Gazeta já não havia quase nada.

No Rio de Janeiro onde a polícia não divulga números para que o governador Pezão não se indisponha nem com sua aliada Dilma nem com os apoiadores do impeachment que são parte de seu governo os organizadores chegaram no número mágico de 700 mil presentes, um número parecido ao show do Rolling Stones de anos atrás ou mais ou menos "meio" Réveillon. Bem, até a Rede Globo, falou que a manifestação tomava somente 8 quarteirões, em base a metragem dos mesmos e a densidade na manifestação o Esquerda Diário calcula que foram menos de 65 mil os presentes em Copacabana, incluindo as pessoas que eventualmente entraram na contagem mas estavam lá correndo, andando de bicicleta, etc.

Alckmin e Aécio vaiados

Surgiram alguns vídeos e relatos de incidentes quando Aécio, Alckmin, Marta e Serra apareceram na manifestação em SP. Há informações de que Alckmin e Aécio pretendiam discursar e desistiram. Mostra que até mesmo entre estes setores que não tem problemas de participar de uma manifestação abertamente da direita, há também setores que são críticos a corrupção de todos e que podem estar insatisfeitos também com a gestão tucana em SP. Mostra também como a direita também não tem figuras que sejam legitimadas em todo esse espectro que saiu nas ruas. Isso é parte dos limites que a direita tem para bancar o impeachment, afinal, quem pode “liderar” o país nessa situação?

Mas longe do que setores de esquerda dizem para “pintar de esquerda” as manifestações, como se isso fosse uma espécie de “Fora Todos” pela esquerda, para justificar sua política de “Lava Jato até o final”, como expressou Luciana Genro nessa nota, trata-se no melhor dos casos de um setor minoritário que quer um “Fora Todos” pelas mãos de Sérgio Moro, da PF e da justiça, nada próximo de algo pela esquerda. Essa esquerda precisa distorcer a realidade pra não ficar ainda mais envergonhada depois dos atos de hoje com sua política de “Pra cima deles Moro e PF, deixem de ser seletivos”, que alimenta a ilusão em direitistas e nesse regime podre.

Negros, trabalhadores e jovens ausentes

Os trabalhadores e a juventude estiveram praticamente ausentes dos atos (apesar de grandes) mostra que os setores que podem ser sujeitos efetivos de qualquer saída pela esquerda para a crise do país não caíram no engodo dessas manifestações de direita. Uma boa notícia neste dia marcado pelas manifestações da direita.

Nós do MRT seguimos dizendo que

é necessário barrar o impeachment dessa direita reacionária que saiu às ruas hoje, que Moro, a PF e a justiça não são nenhuma saída para a corrupção e que o fortalecimento dessas instituições vai se voltar contra os trabalhadores. O PT alimentou essa direita e não é nenhuma alternativa, o governo Dilma segue anunciando mais ataques. A juventude e os trabalhadores precisam encabeçar um grande movimento nacional contra os ajustes e a impunidade dos poderosos, obrigando os sindicatos a romper com o governo e impulsionar esse movimento que deveria impor uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana pela força da mobilização, a única forma de combater efetivamente a impunidade, os ajustes e fazer com que a crise seja paga pelos que a criaram e não pelos trabalhadores. Para nós, essa luta se liga à batalha por um governo dos trabalhadores, como expressamos nessa entrevista.

 
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