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Intervenção na UFRGS
Em ato autoritário, reitor interventor da UFRGS extingue Colônia de Férias do Campus Litoral Norte
Luno P.
Estudante de licenciatura em teatro pela UFRGS | Coordenador Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)

A Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais (PROIR-UFRGS) de Carlos André Bulhões, reitor interventor de Bolsonaro em nossa universidade, e Geraldo Jotz, solicitou o fim da Colônia de Férias da UFRGS em Tramandaí para que cedesse seu espaço como Sede Tramandaí do Parque Científico e Tecnológico ZENIT. O pedido foi acatado pela PRAE – Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e todo o patrimônio será entregue à PROIR, tendo sido despachado no último dia 14.

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Em mais um ato autoritário e buscando avançar com o projeto intervencionista de Bolsonaro e da direita em nossa universidade, Bulhões e Geraldo Jotz, em nome da Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais, solicitaram à PRAE o fim da Colônia de Férias da UFRGS em Tramandaí para que se tornasse sede do Parque Científico e Tecnológico ZENIT no Campus Litoral Norte, o que rapidamente foi aprovado tendo todo o patrimônio da Colônia de Férias entregue à PROIR.

A Colônia de Férias em Tramandaí, que desde 2017, ainda na antiga gestão da reitoria, está sob reformas em três pavilhões da que jamais se concretizaram, é demanda antiga da comunidade do CLN - Campus Litoral Norte da UFRGS, servindo como Casa do Estudante. Agora, com seu patrimônio entregue a PROIR, centenas de estudantes do CLN que estudam em lugares distantes do campus podem perder seu direito a moradia. A Colônia também servia para uso de outros espaços administrativos e acadêmicos do Campus, sendo parte fundamental para consolidar o projeto do Campus Litoral Norte. O patrimônio da Colônia sendo entregue a PROIR significa também a retirada de espaços de lazer e integração da comunidade do CLN e de toda a comunidade universitária da UFRGS que usava a Colônia para passar suas férias, benefício que foi sendo tolhido pela constante precarização do espaço.

O fechamento da Colônia de Férias da UFRGS ocorreu sem qualquer diálogo com a comunidade universitária, sem nenhum debate em qualquer conselho da instituição, inclusive no antidemocrático Conselho Universitário (CONSUN). Segundo documentos disponibilizados pela ASSUFRGS Sindicato, a entrega da Colônia de Férias da UFRGS para as mãos da PROIR iniciou durante a pandemia, no período em que a estrutura estava fechada por tempo indeterminado devido á covid-19. Em ofício enviado no dia 21 de dezembro de 2020, o pró-reitor da PROIR, Geraldo Pereira Jotz, solicitou o empréstimo do espaço do Salão de Convivência e de um apartamento da Colônia. O pedido foi feito diretamente à pró-reitora da PRAE, Ludymila Schulz Barroso. Ela acatou no mesmo dia a solicitação.

Já neste ano, no dia 06 de janeiro de 2022, a PROIR envia ofício à PRAE solicitando a utilização integral das instalações da Colônia de Férias de Tramandaí, incluindo a solicitação da passagem do encargo patrimonial da Colônia. No pedido, a PROIR utiliza a expressão “ex-colônia de férias de Tramandaí”. O pedido foi novamente acatado rapidamente pela PRAE, com despacho emitido no mesmo dia, concordando com a transferência do prédio a partir do dia 14 de janeiro de 2022. No mesmo documento, PROIR já encaminha pedido à SUINFRA e DEPARTI para dar sequência à transferência da propriedade do prédio e da carga patrimonial da colônia à PROIR.

Esse ataque não é só contra os trabalhadores e estudantes do Campus Litoral Norte, mas contra toda a UFRGS, e faz parte dos planos de consolidar ainda mais a intervenção de Bolsonaro em nossa universidade, sendo a PROIR o cargo chefe de Bulhões e de sua reforma administrativa. A PROIR está a serviço de submeter cada vez mais nossa universidade aos interesses privados, direcionando nossa produção de tecnologia e ciência para aumentar o lucro dos capitalistas. Isso fica bem expresso em sua ligação com o Pacto Alegre, projeto que busca transformar a cidade de Porto Alegre num paraíso de startups e empresas unicórnios como Rappi, 99 Pop e Ifood.

Leia mais em: Qual o papel da PROIR de Bulhões e Geraldo Jotz na intervenção de Bolsonaro na UFRGS?

É preciso enfrentar os planos privatistas de Bulhões, Bolsonaro e Mourão para as nossas universidades, expressos na odiosa frase de Milton Ribeiro, Ministro da Educação, defendendo que nossas universidades sejam restritas aos filhos da elite. Por isso, nós da Juventude Faísca batalhamos por assembleias de base com direito a voz e voto, pela auto organização dos estudantes em aliança com os trabalhadores, apontando para um caminho de reorganização das forças do movimento estudantil. É isso que permite lutar contra a intervenção, a Reforma Administrativa de Bulhões e para que sejam os estudantes que decidam os rumos da UFRGS. Isso passa diretamente pela luta por uma estatuinte livre, soberana e democrática na nossa universidade, bandeira que propomos para discussão com o conjunto do movimento estudantil, onde todos os setores da comunidade, inclusive terceirizados, possam ser representados segundo seu peso proporcional na universidade.

Leia também: 1 ano de intervenção bolsonarista na UFRGS: É necessário reerguer o movimento estudantil

 
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