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Martes 15 de Octubre de 2019
19:40 hs.

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RACISMO EUA
Impunidade para o policial que matou Tamir Rice
Juan Cruz Ferre
Left Voice, EUA

O júri do condado de Cuyahoga (Ohio) decidiu hoje não abrir processo contra o policial que matou no ano passado a tiros o menino de doze anos Tamir Rice. A criança brincava com uma arma de brinquedo em um parque da cidade de Cleveland. Após o anúncio ocorreram protestos em várias cidades dos EUA.

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O júri anunciou sua decisão de não abrir nenhum processo contra o policial Timothy Loehmann que atirou na criança, também não seguirá o processo contra seu parceiro Frank Garmback.

O procurador McGinty argumentou que a morte de Tamir foi causada por uma “tempestade perfeita de erros humanos e problemas de comunicação entre todos os envolvidos naquele dia” e que a “a evidência indica que não houve conduta criminosa por parte da Polícia”.

Dias antes desta declaração o promotor tinha sido denunciado pela família de Tamir por enviar de maneira seletiva as evidências aos meios de comunicação . O advogado da mãe de Tamir Rice, Jonathan Abady, declarou ao New York Times: nunca vimos um promotor que tivesse feito um esforço tão grande para perder um caso.

O caso Tamir Rice

Em novembro de 2014 a central da polícia recebeu uma chamada de um vizinho que avisava que um jovem estava manipulando uma arma em um parque. “Não sei se é verdadeira ou falsa”, disse o vizinho. Os policiais Loehmann e Garmback foram enviados ao local.

Nas imagens de vídeo distribuídas ao público pode-se notar como os policiais param a viatura a poucos metros de Rice. Em seguida enquanto saiam do veículo, sem que houvesse nenhuma comunicação ou manobra de dissuasão, Loehmann dispara contra o menor lhe ferindo mortalmente.

Em depoimento escrito o policial Loehmann justificou sua ação assegurando que o menino movimentou sua pistola de plástico que ele pensou que fosse real.

Como explicamos em outro artigo, não é uma surpresa que os promotores sejam especialmente benévolos quando os acusados são policiais. Os promotores trabalham diariamente em colaboração com os policiais recolhendo provas para acusar e conseguir a condenação daqueles a quem realmente querem condenar. Imputar algum deles significaria romper esta aliança. Também não é algo fortuito que entre os terminam atrás das grades estão super-representados os negros, latinos e outros imigrantes.

Quando escrevíamos este artigo ativistas do movimento conhecido como #BlackLivesMatter se manifestavam em Cleveland, Nova Iorque e outras cidades.
Desde o assassinato de Mike Brown em Ferguson em agosto de 2014 milhares de manifestações em centenas de cidades dos EUA aconteceram, protestando contra as repetidas mortes pelas mãos da polícia de indíviduos desarmados, em sua grande maioria negros.

Eric Garner, Rekia Boyd, Sandra Bland, Freddie Gray, Walter Scott, Noel Aguilar, são somente alguns dos nomes das pessoas assassinadas pela polícia. O jornal britânico The Guardian tem uma base de dados de todos que foram mortos pela polícia desde o começo de 2015: 1126 pessoas, sendo 40% negros.

A luta contra o racismo e a violência policial foi o fenômeno social mais dinâmico de 2015 nos EUA: derrubou funcionários, forçou a implementação de estados de sítios e até impôs uma agenda nas campanhas eleitorais. As condições que geraram este movimento não desapareceram nem diminuíram. Podemos esperar uma grande quantidade ações e enfrentamentos com a lei e as forças da ordem no ano que começa.

 
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