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Jueves 22 de Agosto de 2019
22:16 hs.

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IDEOLOGIA
O ‘Estado veio quente’ e a juventude está ‘fervendo’, o que isso tem a ver com o marxismo?
Marcelo Tupinambá
São Paulo
Jéssica Antunes

Foi lindo um funk-hino das ocupações dizendo: “O Estado veio quente, nóis já tá fervendo”, dos MC Foice e Martelo. Neste texto, vamos debater a questão do Estado, baseado em revolucionários como Marx e Engels, mas antes vejamos como se chega até essa inspiradora luta secundarista, que chega a questionar coisas tão importantes como o Estado.

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De junho à revolta dos secundas

Em junho de 2013 a juventude avisou que “não é só por 0,20”. Quiseram negar. De um lado, governistas defensores do PT diziam que junho abriu uma “ofensiva conservadora”, na qual Cunha e seu pedido de impeachment contra Dilma seriam a máxima expressão. Absurdos para defender o PT como “mal menor”. De outro, setores disseram que era sim por R$0,20, porque aquele movimento de massa na rua não se viu mais.

Mas a luta secundarista de SP comprova uma vez mais que não era por R$0,20 e que aquelas manifestações de “verde e amarelo” da Av. Paulista não tinham nada do “povo brasileiro”. Eram os “coxinhas” que gostam dos Cunhas e Bolsonaros. Essa juventude secundarista tem rosto negro, tem rosto de mulher na linha de frente dos mais combativos, tem entre si os LGBT mais à vontade porque são mais aceitos e não ouviu panelas batendo em seus atos na Paulista.

A juventude volta com mais força porque vem como movimento estudantil secundarista, com uma demanda clara em defesa da educação que contagia a massa dos trabalhadores e do povo pobre, o que se comprovou na mobilização dos pais e professores. Eles cantam o “não tem arrego” dos garis do Rio de Janeiro e completam como os trabalhadores da USP “você tira a minha escola e eu tiro o seu sossego”. Dizem no seu funk-hino: “Geraldinho, se liga, os trabalhadores já estão apoiando nossa luta, daqui a pouco eles que começam a ocupar as fábricas e as empresas, aí você não guenta”, mas também chamam Haddad do PT de “prefeitinho” derrotado por junho. É por isso que o governismo petista tenta controlar a luta com as garras da APEOESP e das entidades estudantis (UMES, UPES, UBES).

Essa juventude quer futuro e não tem medo de nada que a impeça de arrancá-lo com a luta. Todos os poderosos a temem porque eles não se sentem representados por nenhum partido da ordem, porque tendem a ir além de questionar um governo (Alckmin, Haddad, Dilma), para questionar essa democracia dos ricos em que vivemos, podendo chegar a questionar o Estado burguês. Mas para vencer nesse objetivo, é indispensável a ferramenta do marxismo revolucionário, a melhor arma para a juventude que “está fervendo” pra se aliar com os trabalhadores pra fazer uma revolução.

O que é o Estado?

Para Marx, o Estado é um órgão de dominação de classe, um órgão de opressão de uma classe sobre a outra, é a criação de uma “ordem” que legaliza e consolida essa opressão. Para que essa “ordem” seja acatada pela classe explorada e oprimida, o Estado cria uma força especial de homens armados (polícia, exército) e cadeias para quem não cumpre com as “leis”, que são dominadas pela classe dominante. Os estudantes viram isso muito bem quando saíram às ruas nas manifestações, mas também sentem isso na pele todos os dias na periferia com a opressão da polícia.

É possível uma sociedade sem Estado?

Engels diz: “O Estado nem sempre existiu. Houve sociedades que viviam sem ele, que não tinham a menor idéia do Estado nem do poder. Em certa etapa do desenvolvimento econômico, necessariamente ligada com a divisão de classes, o Estado se converte em uma necessidade devido a essa divisão. Agora nos aproximamos com rapidez de uma etapa de desenvolvimento da produção na qual a existência destas classes não somente deixa de ser uma necessidade, mas se converte em um verdadeiro obstáculo para a produção. As classes desaparecerão inevitavelmente como surgiram em uma etapa anterior. Com elas, o Estado desaparecerá”.

Ou seja, a única forma de acabar com o Estado é acabar com a sociedade dividida em classes, derrubando os opressores que tem as forças armadas e leis do seu lado. Isso só é possível se a classe trabalhadora, junto com a juventude, faz uma revolução e toma o poder do Estado da burguesia. Ao tomar o poder da burguesia, a classe trabalhadora deixaria de ser uma classe oprimida e não oprimiria outra classe, a não ser a minoria burguesa. Marx dizia que o Estado não é abolido, ele se extingue junto com as classes.

Para isso, é necessário um partido revolucionário, sem patrões, sem carreiristas e oportunistas de todo tipo, mas isso é tema para um próximo texto.

 
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