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Domingo 18 de Abril de 2021
21:10 hs.

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VACINA COVID-19
Ministério da Saúde promete mais de 230 milhões de doses de vacinas contra Covid até julho
Redação

Em reunião com governadores, o ministro da saúde, General Eduardo Pazuello, apresentou um plano de vacinação que promete a distribuição aos estados de cerca de 230,7 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 até o fim do primeiro semestre. Na reunião também se discutiu a situação de colapso dos hospitais e leitos de UTI, em que Pazuello seguiu se omitindo de dar soluções para esse problema que leva a um aumento das mortes. A promessa de vacinação massiva lança dúvidas e é contrariada pela própria gestão irresponsável da pandemia pelo governo Bolsonaro.

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Imagem: divulgação/MS

Nesta quarta-feira, 17, o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, se reuniu virtualmente com governadores para discutir a situação atual da pandemia em cada estado. Nesta reunião, o ministro apresentou um cronograma de entrega de vacinas, contratos para compra de mais imunizantes e um dado de que, de final de fevereiro até julho, serão distribuídas aos estados mais de 230,7 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19.

O cronograma deste primeiro semestre leva em conta contratos e negociações com distintos laboratórios que fornecerão diferentes quantidades de imunizantes. A Fiocruz deverá entregar mais de 112,4 milhões de doses da vacina AstraZeneca/Oxford, sendo que a partir do mês de março será produção nacional com insumo importado e previsão de produção de mais de 110 milhões de doses com produção 100% nacional a partir do segundo semestre. A vacina Coronavac/Sinovac tem previsão de entrega de 77,6 milhões de doses até julho. As vacinas Sputnik V, da Rússia, e Covaxin, da Índia, devem chegar a partir de março, dado que a previsão é de que o contrato com esses dois laboratórios seja assinado ainda nesta semana.

Além do cronograma e promessa de alta quantidade de vacinas até o fim do primeiro semestre, nesta reunião entre Pazuello e os governadores se discutiu também a situação alarmante da falta de leitos de UTI e hospitais colapsados em meio a um dos piores momentos da pandemia da Covid-19 desde seu início.

Neste tema o ministro não apresentou planos tão promissores. Pelo contrário, Pazuello não declarou nenhuma solução definitiva para o problema da habilitação e custeio de leitos de UTI. Muitos municípios e estados estão com dificuldade de pagar por leitos existentes, enquanto o Ministério da Saúde tem reduzido o número de leitos habilitados.

O que o ministro declarou no encontro é que se compromete a financiar os leitos, mas de uma maneira diferente de custeio e pagamento. Sem explicar com detalhes e colocando que em outra ocasião poderia esclarecer, Pazuello mencionou um “modelo pós-pago” para os leitos habilitados.

A promessa de Pazuello em relação ao plano de vacinação mostra então suas insuficiências. Além da quantidade em si de fato ainda não ser suficiente para vacinar a população brasileira (ainda mais para os imunizantes que devem ser aplicados em duas doses), é um plano isolado diante de toda a política de combate à pandemia, além de não se ter garantias de que de fato será executado e chega a ser inclusive difícil de acreditar que o mesmo governo que há um mês bradava contra a imunização realmente vai garantir um plano massivo.

Até agora o que a população enfrentou foi milhares de mortes, falta de leitos de UTI (agora ainda com a declaração dada pelo ministro pouco clara sobre como resolver essa questão) e situações catastróficas como a de Manaus, com bebês e idosos morrendo asfixiados. Não basta apresentar uma promessa por entrega de vacinas quando toda a política, desde o início da pandemia, do Ministério da Saúde e do governo Bolsonaro tem sido rifar a vida da população, deixando-os à própria sorte em péssimas condições de vida e trabalho enfrentando a pandemia.

Especialistas da área da saúde desde o início declaram sobre a insuficiência das políticas do governo federal, mas também a nível estadual e municipal. A disputa da vacina no final do ano passado e janeiro deste ano, em especial entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, tinha fins midiáticos rumo às eleições de 2022 e atrasou a produção e entrega de vacinas, também impediu que outros acordos fossem assinados e planos racionais de imunização pudessem ser organizados.

Mais do que isso, toda a situação da disputa das vacinas entre o negacionismo de Bolsonaro e a demagogia de Doria como salvador da pátria com a vacina do Instituto Butantã, que seu partido (PSDB) precarizou ao longo das últimas décadas, somente escancarou a irracionalidade do capitalismo com as patentes da vacina e de insumos que impedem a produção 100% em território nacional. Se não fossem as patentes que garantem o lucro para os monopólios da Indústria Farmacêutica que estão aumentando em bilhões seus ganhos durante a pandemia, seria possível produzir vacina no Brasil nas tantas universidades e institutos de pesquisa existentes.

Já existem algumas dezenas de investigações e planos de vacina no país, entretanto, são projetos que estão começando do zero, quando poderiam estar partindo de todo o acúmulo científico das vacinas existentes, senão fossem as patentes que alguns poucos laboratórios concentram. É preciso defender a quebra de patentes para que haja insumos e vacinas produzidas em território nacional, investindo em novas pesquisas que se iniciam no país. Só assim será possível produzir milhões de vacinas por mês, ultrapassando a quantidade prometida por Pazuello e de fato garantindo vacina universal e gratuita para todos.

Saiba mais: "Guerra pelas vacinas": frente à irracionalidade capitalista, anulação das patentes e vacinas para todo mundo

 
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