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Lunes 17 de Junio de 2019
00:31 hs.

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TRAGÉDIA EM MINAS GERAIS
Quem é a bancada mineradora com as mãos sujas da lama que soterra trabalhadores?
Tassia Arcenio
Contagem, Minas Gerais
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Menos de um mês da tragédia de Mariana, que configurou uma das maiores tragédias socioambientais recentes, fica a pergunta: por que as mineradoras são tão poderosas a ponto de matar pessoas, destruir um distrito, acabar com um rio, e ainda ser beneficiada em PL do PT e pelo novo Código de Mineração presidido pelo mesmo partido e relatado pelo PMDB?

Três semanas após a tragédia em Minas Gerais, que se alastrou para o Espírito Santo e pode chegar à Bahia, a contradição entre os lucros das mineradoras e a pobreza em que vive a população mineira dessas regiões veio à tona.

Por que parte dos trabalhadores que perderam tudo ainda continuam em hotéis, não receberam indenização e nenhuma resposta definitiva, enquanto as mineradoras estão ativamente produzindo através do suor dos seus trabalhadores, e são beneficiadas com o andamento do projeto do Novo Código da Mineração e com a aprovação do PL 2946/15 na Assembleia Estadual de Minas Gerais?

Essa pergunta só pode ser respondida se consideramos que “o Estado é um balcão de negócios da burguesia”, e na democracia burguesa que vivemos, fica cada vez mais nítido que “quem paga a banda, escolhe a música”, explicitando as reais consequências dos financiamentos de empresas aos mais diversos partidos e políticos.

Em Minas Gerais são vários municípios com alta concentração da mineração nas atividades econômicas, como a própria Mariana, Congonhas, Itabira, Itabirito, São Gonçalo do Rio Abaixo, Barão de Cocais, Nova Lima, Itatiaiuçu, Brumadinho, Serra Azul, entre outras. Nelas estão as principais mineradoras do país: Vale, Samarco, CSN, V&M, MMX, Usiminas, ArcellorMittal, CBMM, AngloGold Ashanti e muitas mais.

Há anos essas empresas figuram entre as principais financiadoras das campanhas dos “grandes” políticos do país e seus partidos, sendo generosamente recompensadas depois, seja nas alterações das legislações que permitam uma exploração dos trabalhadores e da natureza de forma ainda mais irracional, ou na garantia da impunidade em casos como esse de Mariana, em que os responsáveis estão tranquilamente pedindo “calma” aos moradores da região e negando-se até, a pedir desculpas pela tragédia causada.

Apenas a Vale, acionista da Samarco e símbolo das empresas privatizadas pelo governo FHC/PSDB e da política neoliberal implementada por ele e continuada fielmente nos anos dos governos do PT, investiu nos comitês e diretórios do PMDB o valor de 23.550,000, do PT a quantia de 8,250,000 e para o PSDB 6.960,000 reais.

Para as candidaturas próprias, a Vale entregou à Dilma 12 milhões de reais (que recebeu mais 12 milhões de outras mineradoras) e a Aécio 2,7 milhões de reais. Já o ex-governador de Minas Gerais, senador Antônio Anastasia (PSDB) foi financiado pela Vale em 300 mil reais e pela CBMM e MBR no valor de 500 mil reais cada uma.

Até a dita “ambientalista” Marina Silva recebeu 488 mil reais da MCR (que também é da Vale). O conservador e corrupto Eduardo Cunha foi financiado pela MCR com 700 mil reais e pela CRBS com 1 milhão de reais (as doações foram para o diretório do PMDB que repassou os valores ao presidente da Câmara). Além disso, a CRBS repassou 4 milhões de reais para o PMDB através do diretório nacional.

Hoje, o Ministério de Minas e Energia e o Departamento Nacional de Produção Mineral são comandados pelo PMDB. Do mesmo partido, é também o filho do Ministro de Minas e Energia, o senador Edison Lobão Filho, dono da empresa de mineração Vale do Sol. Correligionário de todos estes, Romero Jucá é autor do projeto de lei que autoriza a mineração em terras indígenas e foi acusado de beneficiar a Vale.

Fernando Pimentel (PT), governador atualmente, que conseguiu aprovar o PL 2946/15 na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, acelerando para as mineradoras as licenças ambientais, foi financiado pela Vale, MBR e MCR. Patrus Ananias (PT) recebeu 100 mil reais da Vale e suas terceirizadas.

Já a correligionária do governador, Marília Campos, ex-prefeita de Contagem, recebeu 800 mil reais da CBMM e não hesitou em defender fortemente a aprovação do PL 2946/15.

Pronto para ser votado no Congresso, está também o Novo Código da Mineração, que tem como relator o deputado mineiro Leonardo Quintão, do PMDB, que teve 42% do financiamento de sua campanha ligado às empresas de mineração como Vale, Gerdau, Usiminas, AngloGold Ashanti, Arcellor Mittal, V&M, entre outras e vê sua participação na Comissão Especial do Novo Código da Mineração altamente questionada pelo envolvimento com as mineradoras.

O alto valor investido pelas mineradoras, que na verdade, representam apenas uma percentagem pequena dos seus lucros conseguidos às custas dos trabalhadores, tem o retorno dado por esses políticos do governo do PT, do PMDB, PSDB e toda a oposição de direita, que dependem dos acordos feitos com as mineradoras para tornarem suas candidaturas e eleições viáveis – para a burguesia.

Esse “retorno” é cada dia mais criminoso, e, frente a essa tragédia, significa a impunidade e a garantia dos lucros estratosféricos das empresas mineradoras responsáveis diariamente por adoecimento de trabalhadores, acidentes dos operários terceirizados e efetivos e não raro, mortes no local de trabalho. Em Mariana, significa que a morte dos trabalhadores e a destruição de todos os pertences da população da região nada valem nessa democracia e no sistema que a sustenta.

 
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