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Jueves 21 de Enero de 2021
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LUTA DE CLASSES NA FRANÇA
10 motivos para apoiar a grande greve da refinaria da Total na França

O 2021 começa com luta na refinaria Total de Grandpuits, França. Os trabalhadores estão em greve desde o 4 de janeiro contra a destruição de 700 postos de trabalho. Na rede internacional do Esquerda Diário te contamos as razões para apoiar essa greve.

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1. Desmascarar o greenwashing* da Total

O gigante da indústria petroleira e do gas afirmou querer acabar com a atividade da refinaria devido a uma perspectiva ecológica. No entanto, seu objetivo real é deslocalizar a produção aos países do Sul onde a normativa trabalhista e meio ambiental é mais permissiva. Nada a ver, por tanto com a ecologia, por trás dos seus argumentos encontra-se unicamente o interesse de aumentar seus benefícios sem importat os trabalhadores nem o meio ambiente. É importante lembrar que a Total é uma das empresas mais contaminantes do mundo.

2. Lutar ao lado dos trabalhadores da Total é também combater o imperialismo dessa empresa que explora as populações da África e rouba suas terras

Total é uma das principais multinacionais francesas, que obtém grandes benefícios da exploração das terras e o subsolo em inúmeros países da África, Oriente Médio e América latina. As atividades do grupo tem consequências humanas e meio ambientais catastróficas. O recente megaprojeto em Uganda que permitirá a produção de1,4 bilhão de barris de petróleo vai destruir toda uma região, assim com sua água, suas terras e os redutos da população local. Com esse projeto cerca de 100 mil pessoas serão vítimas de remoções. Por trás do discurso patronal sobre a ecologia, encontra-se, na verdade, o imperialismo mais letal das multinacionais.



3. A transição ecológica não pode ser deixada nas mãos da Total

Se os trabalhadores denunciam o greenwashing da Total, a CGT Grandpuits reconhece também a importância da questão da transição ecológica. Mas, a condição de não deixar nas mãos das grandes multinacionais que a usam como desculpa nos seus ataques aos trabalhadores. No extremo oposto do greenwashing da Total, a CGT Grandpuits alia-se com organizações ecologistas como Greenpeace ou Les Amis de la Terre (Os amigos da Terra), assim com também outras organizações reunidas no coletivo “Plus jamais ça” (Nunca mais)
“Hoje nos comprometemos a sustentar a lutla dos petroleiros de GRandpuits contra o plano social e a farsa da conversão “zero petróleo” da Total, incluindo a necessidade de manter a atividade da refinaria durante alguns anos; a mobilizar toda a capacidade de nossas organizações para construir, com os trabalhadores de Grandpuits, os habitantes de Seine-et-Marne e o conjunto do setor econômico afetado pelo anuncio da Total, um verdadeiro plano de reconversão, justo e ecológico, com zero supressão do emprego”. Anunciavam as organizações na coluna que publicaram em apoio a Grandpuits.

4. Uma batalha pelo emprego, as condições de trabalho e a rede econômica local

A direção da Total afirma que não haverá nenhuma demissão ao mesmo tempo que a empresa vai deixar os 500 trabalhadores da fábrica na rua e que a maior parte dos contratos terceirizados e temporários não serão renovados. Contra essa mentira apoiamos aos trabalhadores que rechaçam as demissões de uma grande parte dos seus companheiros. Entre os 200 trabalhadores da Total que vão sofrer a supressão dos empregos, os que não quiserem ficar calados serão provavelmente “disciplinados”, ou seja vão se encontrar sem tarefas, sem nada a fazer, pese a sua formação. Até irem embora desmoralizados.

É também um desastre local o que está por vir. A supressão desses 700 postos detrabalho vai impactar o tecido econômico local e provocar o desaparecimento de empregos indiretos relacionados com a fábrica: padarias, lojas de alimentos, restaurantes, bares, cafés. Também, a presença da refinaria de Grandpuits era uma das poucas possiblidades de encontrar um emprego estável e com um salário superior ao SMIC (Salário Mínimo Inter-professional) em toda essa região. Por tras do mito da reconversão sem consequências sociais, encontra0se um verdadeiro Bridgestone disfarçado no que promete a Total.

5. Cada ano, Total da benefícios milionários aos seus acionistas. Mas agora dizem que não tem dinheiro

Total é um gigante mundial da indústria, uma empresa em plena forma que obtem bilhões de benefícios. Terceira no CAC 40, a Total é uma das empresas francesas mais poderosas, que distribui bilhões de euros entre os seus acionistas. Como lembrava Adrien Cornet da CGT Grandpuits: “Total ganha 7 bilhões em lucros em 2020, tomando bilhões de euros de ajuda do estado e quer nos fazer acreditar que são pobres ao mesmo temp que os salários dos executivos da empresa só aumentam”.

“Eles sabem: 200 supressões de emprego direto em Grandpuits, 500 postos de trabalho informal, 694 a traves de um plano de pre-aposentadorias. Essa eliminação de postos de trabalho não tem a ver com atransição ecológica, é so a redução das massas assalariadas, para otimizar a rentabilidade no curto prazo, e não pensar no bem dos seus trabalhadores”.

6. Impedir um desastre ambiental

Se a Total beneficia-se da reconversão do local para destruir empregos, essa estratégia não concorda dcom a da segurança ambiental. O plano da Total busca eliminar postos de trabalho relacionados com a segurança do local: “inclusive no terreno da segurança, a direção busca maximizar os benefícios, querem colocar um único bombeiro entre o pessoal de serviço quando são requeridos no mínimo três nas outras fábricas desse tipo. É esse tipo de política que pode produzir novos Lubrizol em lugares como este”. Explica a CGT Grandpuits, fazendo referência ao desastre industrial que aconteceu em Rouen no ano passado, que teve um incêndio numa planta química que gerou fumaças tóxicas.

7. Uma greve auto-organizada

Se as organizações sindicais cumprem um papel importante no combate, são os operários os que devem tomar o controle na luta. Já no 17 de dezembro, os petroleiros tinham rechaçado espontaneamente retirar o gás das instalações e começaram a greve. Na segunda-feira 4 de janeiro, foram os trabalhadores desses turnos noturnos e da manhã os que decidiram em assembleia geral começar a greve indefinida ao redor das demandas debatidas coletivamente. A partir de agora são as assembleias gerais as que marcaram os seguintes movimentos para assegurar um verdadeiro controle dos trabalhadores da sua própria luta.

8. Uma greve que pode ser o pilar de um contra-ataque coordenado frente às demissões

Mais uma vez, os operários serão os grandes sacrificados da crise acelerada pela pandemia. A crise sanitária e econômica que vem abrirá aos patrões a via da demissão e outros ataques às condições de trabalho como pode se ver na aeronáutica e no automóvel. Nesse contexto, as lutas são ainda mais raras contra essas supressões de empregos e devem-se apoiar todas as que vao acontecer, rechaçando a ilusão do dialogo social e buscando construir uma correlação de forças.

Nesse sentido, a luta de GRandpuits poderia constituir um exemplo para o próximo período da estratégia ofensica contra os ataques patronais. Um exemplo inspirador para todos os que se recusam a se resignar, e que deverá ir juntamente com uma coordenação entre os setores em luta contra as demissões e a destruição de postos de trabalho, que tomarão as ruas o dia 23 de janeiro respondendo ao chamado de TUI França.

9. Os trabalhadores de GRandpuits participaram em todos os combates

Os operários de GRandpuits tem participado em todas as grandes mobilizações dos últimos atempos contra os projetos de lei neoliberais que buscavam precarizar o conjunto dos trabalhadores e da juventude. Símbolos de luta contra a reforma da previdência de Sarkozy em 2010, os petroleiros de Grandpuits tem sido a vanguarda da luta contra a reforma da previdência de Macron e seu governo.
Tem decidido iniciar a greve sem importar os dias e de se mobilizar junto a outros setores, com ferroviários e motoristas de trem à frente. Devemos apoiar essa luta contra a destruição de empregos.

10. Simplesmente por apoiá-los

Atualmente eles precisam de nós, devemos dar todo nosso apoio para poder vencer a Total. Dar uma mão é fácil. Podemos nos unir aos piquetes da greve na refinaria de Grandpuits, contribuir algo para comer, ou vir debater sobre sua luta. Podemos contribuir ao fundo de greve que permitirá aos trabalhadores resistir o maior tempo possível frente ao gigante petroleiro Total. Podemos difundir e compartilhar a informação da greve, seguindo o site dos petroleiro em luta e compartilhando os artigos do Esquerda Diário e as informações sobre a greve.

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* Greenwashing é um termo que faz referência às propagandas adotas por empresas para se "pintar de verde", ou seja, uma tentativa de "maquiar" os seus produtos passando a ideia de que são ecológicos e produzidos seguindo por um processo produtivo ambientalmente correto e sustentável.

 
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