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Miércoles 25 de Noviembre de 2020
08:36 hs.

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Trótski na América Latina
Liliana O. Caló

O 80º aniversário do assassinato de Leon Trótski foi acompanhado por eventos, palestras e numerosos artigos. A respeito dessas homenagens, o último dossiê da revista Archivos é dedicado à Oposição de Esquerda e ao alvorecer do trotskismo nos países do Cone Sul, de Hernán Camarero e Martín Mangiantini.

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Faremos um breve percurso por esses artigos, que resgatam a experiência de grupos da Oposição de Esquerda e trotskistas no Chile, Bolívia, Argentina e Brasil do final dos anos 1920 ao início dos anos 1950, valiosos como parte de um campo de investigação de “uma historiografia incompleta e desigual em escala mundial” sobre o movimento trotskista na qual, como apontam os autores, ainda há muito por fazer.

Uma tradição renovada

Embora as formulações da Oposição de Esquerda devem ser incluídas em um campo mais amplo de circulação do marxismo na América Latina, a recepção das elaborações de Trótski permitiu o acesso à compreensão de fenômenos sui generis ausentes nos primeiros anos do século XX, como a burocratização do Estado operário e a "teoria do socialismo em um único país", o balanço da derrota da Revolução Chinesa de 1925-27 e as conclusões para os países semicoloniais generalizados em suas teses permanentistas de 1928. Posteriormente serão as análises sobre a crise da democracia capitalista e o surgimento do fascismo e a luta contra as Frentes populares em face da tragédia da revolução espanhola. A reivindicação da política levada adiante pelo Partido Comunista (PC) Alemão e pela Internacional Comunista (IC) após a ascensão de Hitler em 1933, convenceu Trótski de que havia chegado o momento de construir novos partidos e uma nova Internacional - a Quarta - fundada, finalmente, em setembro de 1938.

Portanto, a reconstrução dessa trajetória latino-americana é fundamental para estabelecer a relação que mantinham, por meio de publicações ou em contato direto, com a Oposição de Esquerda internacional, expressão da continuidade do bolchevismo na época.

Os artigos tratam das dissidências ou frações dentro dos PCs latino-americanos com foco na fase de formação da Oposição de Esquerda Internacional (1928) e nos primeiros anos dos novos partidos trotskistas no subcontinente. Nos estudos da Bolívia e do Brasil, o levantamento se estende até décadas após a Segunda Guerra Mundial, já na ausência de Trótski, e no que consideramos uma outra etapa do trotskismo. Nos deteremos apenas no período de fundação dos grupos, pois após o pós-guerra, o trotskismo foi transformando-se de conjunto em um movimento de tendências que em muitos aspectos se distanciava do legado de Trótski, e merecem um debate mais aprofundado que não podemos abordar aqui. [1]

Argentina

O artigo de Hernán Camarero “Contra a corrente. A Oposição de Esquerda na Argentina, 1929-1933” analisa suas origens. Há uma justa insistência do autor em destacar que o surgimento da Oposição de Esquerda no subcontinente não foi um fato isolado, mas sim simultâneo ao início dos trabalhos da Oposição de Esquerda em nível internacional a partir do VI Congresso da CI em 1928 [2], diante do qual preparou um documento crítico ao programa oficial que circulou clandestinamente entre delegados e contatos. Este documento foi fundamental, pois a derrota da Revolução Chinesa teve consequências programáticas e políticas e orientou os primeiros militantes latino-americanos quanto ao papel das burguesias nacionais.

Essa insistência, além de resgatar a historicidade dos acontecimentos, nos parece central ao destacar que a fortaleza estratégica desses agrupamentos iniciais passava pelo pertencimento à corrente internacional liderada por Trótski, que buscava um caminho para a revolução, para além do peso numérico de seus militantes ou os vínculos que conseguiram estabelecer com o movimento operário.

Em relação à experiência argentina, vale destacar algumas singularidades. Camarero lembra que o aparato local do PC era o mais consolidado do subcontinente e sede de seu Secretariado regional criado em 1926, encarregado das atividades da Comintern na América do Sul. Se isso se traduziu em alinhamento absoluto com suas diretrizes, também abriu a porta para divergências mais sensíveis à problemática internacional. No entanto, as primeiras expulsões estiveram menos ligadas a confluências com ideias oposicionistas e mais aos efeitos da política de "bolchevização", a regulamentação burocrática das seções da IC. Foi o que ocorreu com os expulsos no VII Congresso do PC local em 1925, que depois fundou o Partido Comunista Operário (PCO) e publicou “La Chispa” [“A Faísca”, em português] e a ruptura posterior do líder gráfico José F. Penelón, membro do Secretariado do PC, em 1927. Ambas as acusações associadas ao espectro de Trótski foram negadas. O primeiro "argumentou que os dirigentes do PC ’usaram constantemente o problema do trotskismo como uma arma política’" (p. 18), e a tendência de Penelón "negou-o enfaticamente, como pode ser visto no extenso relatório que apresentaram então para a IC"(p. 19).

Camarero resgata os primeiros nomes associados ao trotskismo, como o britânico Robert Guinney, promotor em 1929 do Comitê de Oposição Comunista (CCO), primeiro núcleo oposicionista formalmente reconhecido, embora os acordos se limitassem basicamente à “impugnação de Stalin”. Em meados da década de 1930, o CCO tornou-se a Esquerda Comunista Argentina (ICA, na sigla em espanhol), sempre como uma fração pública do PC, mas o golpe de Uriburu limitou as suas atividades. O autor destaca as redes e o intercâmbio internacional do CCO (com os EUA –Cannon– e os franceses de La Vérité).

Além da ICA, outro grupo se associou ao intelectual Héctor Raurich e a Antonio Gallo (proveniente do PS), que por distintas razões compartilharam sua estadía na Espanha, entrando em contato com a Oposição espanhola e no seu regresso, após uma aproximação à ICA que não teve sucesso, eles formam a Liga Comunista. A outra figura é a de Milesi que, junto com outros expulsos do PC em 1932 “com quem tornaram-se ‘ convencidos da justeza das críticas e programas da Oposição Comunista de Esquerda Internacional’ ”(p.30) funde-se com a ICA em 1933.
O giro da Oposição Internacional após a experiência alemã teve uma repercussão nesses dois grupos. A ICA se tornou Liga Comunista Internacionalista (Bolchevique Leninista) e o grupo Gallo-Raurich se concentrou em abordar uma interpretação original dos problemas e da estrutura econômica do país, editando Nueva Etapa em colaboração com David A. Siburu, um dirigente estudantil que havia aderido a ideias oposicionistas e reunido militantes desde 1931. O trabalho culmina temporariamente nesse giro para a formação dos primeiros núcleos trotskistas, como expressão de uma corrente internacional que forjará novas ferramentas teóricas, políticas e programáticas que esses grupos não ficarão alheios.

O artigo de Alicia Rojo [3], "Os trotskistas e a questão nacional na Argentina dos anos 1940: a Liga Operária Revolucionária e o Partido Operário da Revolução Socialista", reconstrói um período posterior, menos explorado na história da Grupos trotskistas no país, do final dos anos 1930 e início dos anos 1940. Analisa os eixos do debate travado entre o Partido Operário da Revolução Socialista (PORS), referenciado no mencionado Antonio Gallo, e a Liga Obrera Revolucionaria (LOR) liderada por Liborio Justo (Quebracho) a respeito do caráter e a dinâmica da revolução em países semicoloniais como o nosso (a chamada “questão nacional”) dominados pelo imperialismo, no contexto da pressão norte-americana sobre a América Latina e visando a Segunda Guerra Mundial.

O autor investiga as fontes documentais de ambos os grupos e de seus jornais, como “Frente Obrero” (PORS), “La Nueva Internacional” e “Lucha Obrera” (LOR), e resgata de maneira dialética as contribuições de diferentes trabalhos historiográficas sobre o tema. Por um lado, as contribuições do grupo Antonio Gallo sobre a estrutura econômico-social argentina, os limites da industrialização dependente do capital financeiro internacional e de sua tecnologia, que deram origem à “’associação’ (ensamblamiento, no original espanhol) entre a burguesia local e o imperialismo” ( p. 84).

Embora a dita "associação" negasse a condição de opressão nacional, esses estudos, esclarece Rojo, relataram o avanço da influência norte-americana sobre o país, fator relevante nos anos seguintes. Por sua vez, embora as posições defendidas por Liborio Justo incorporassem "o problema da libertação nacional à bagagem do trotskismo vernáculo", habilitando a perspectiva da emergência dos movimentos de libertação nacional, o faziam numa dinâmica com certo etapismo (de uma revolução de tipo agrária e anti-imperialista) em que “o proletariado teve que acompanhar a ação da burguesia ’tentando ganhar a direção’ para completar a libertação da dominação imperialista” (p. 90). Rojo ressalta que esses posicionamentos se colocarão em jogo no contexto da Segunda Guerra Mundial e do surgimento do peronismo, e reflete sobre a importância dessas elaborações no devir da corrente trotskista nos anos seguintes.

Chile

O artigo de Andrey Schelchkov, “Um trotskismo no meio do caminho: o hidalguismo no Chile”, se propõe a analisar a dissidência no interior do Partido Comunista chileno conhecido como a facção de Manuel Hidalgo (o hidalguismo). O autor desenvolve aspectos de sua conformação e composição social e destaca que embora não tenha mantido diferenças importantes com a orientação política da IC stalinista, manteve relações com o trotskismo. As diferenças datam de 1929 em questões táticas e conflitos internos vinculados à interferência do Secretariado regional e do PC chileno sem romper com sua doutrina.

Até 1933, após sua expulsão, dois partidos comunistas coexistiram no Chile. No calor dessas disputas, o autor sustenta que "os hidalguistas encontraram no trotskismo uma justificativa internacional para sua dissidência e formalmente adotaram grande parte de sua retórica e doutrina" (p. 43). Eles se unirão à Oposição de Esquerda Internacional em março de 1933 sob o nome de “La Izquierda Comunista” (LIC). Em 1934, "1.000 pessoas estavam ativas no partido chileno e as células do partido existiam em quase todo o país" (p. 47) com intervenção nos sindicatos e no movimento estudantil.

Essa aproximação do trotskismo começou a evidenciar um caminho de divergências devido à participação do LIC no Bloco de Esquerda em 1934, diante do qual o Secretariado Internacional (SI) trotskista em “14 de maio de 1935 dedicou uma sessão especial para discutir a situação Chilena [...] O SI levantou a premissa de transformar o Bloco em uma ’frente única de classes’ e recomendou que os chilenos estudassem as experiências chinesa, espanhola e francesa para não cair no oportunismo da ’frente popular’. O trotskismo rechaçava as alianças eleitorais interclassistas com partidos burgueses ”(p. 50). Distanciamento que culminou em janeiro de 1936, quando os hidalguistas ingressaram no Partido Socialista Chileno, rompendo com o trotskismo internacional. Uma minoria permaneceu alinhada com o trotskismo, dirigida por Enrique Sepúlveda (Diego Henríquez), que em 1937 constituiu o Partido Operário Revolucionario (POR). Schelchkov conclui que o hidalguismo não era homogêneo, mas um “amálgama dos inconformistas do comunismo e do socialismo chileno. [...] Na realidade, o hidalgismo se localizava entre duas Internacionais, a III e a IV, sem ter aceitado integramente nenhuma delas ”(p. 55).

Brasil

O artigo de Carlos Prado e Márcio Lauria Monteiro, "História e historiografia do trotskismo brasileiro", aponta como antecedente da Oposição de Esquerda Brasileira o surgimento de dissidentes dentro do PCB brasileiro (PCB) nucleado em críticas ao regime partidário, política sindical transformar os sindicatos em apêndices e, em particular, o apoio e embelezamento do tenentismo. Alguns desses dirigentes foram expulsos no início dos anos 1930, organizando-se como oposicionistas em rechaço a teoria do "socialismo em um só país", o balanço da questão do Comitê Anglo-Russo e da Revolução Chinesa, fundando o Grupo Comunista Lenine (GCL) como fração externa do PCB, liderada por Mario Pedrosa, Livio Xavier, Rodolfo Coutinho (destacado líder do PCB) e Aristides Lobo, a quem os autores chamam de "primeira geração" [4], publicam A Luta de Classe, um órgão teórico e político, e promovem um enorme trabalho editorial de tradução de autores marxistas clássicos. Uma conjuntura de enormes dificuldades devido às perseguições do governo Varguista e do próprio PCB, que ganhava prestígio crescente.

Uma de suas principais contribuições, "Esboço de uma análise da situação econômica e social no Brasil", é uma análise da história do Brasil desde o período colonial até o golpe bonapartista de Vargas na década de 1930, que definem como "uma" última forma conciliatória ", entre as mais diversas frações burguesas para reorganizar as bases do desenvolvimento capitalista" (p. 62), demonstrando a impossibilidade da burguesia de conjunto liderar a revolução em oposição ao que proclamava o PCB.

Em uma segunda fase (1931), eles se reorganizaram como Liga Comunista - Oposição de Esquerda (LC). Após o abandono da linha reformista sobre os PCs em 1933, a LC passou a se chamar Liga Comunista Internacionalista (LCI). Não foi um giro sem polêmica sobre o caráter da URSS, da burocratização e como superá-la. No entanto, nesse quadro de debates, os acordos sobre as lições da tragédia alemã transformaram-se em um guia de ação, pelo qual promoveram a Frente Única Antifascista (da qual participaram anarquistas e socialistas), que em 1934 derrotou os integralistas (“Revoada dos Galinhas Verdes”), os primeiros marcos da tradição combativa do trotskismo brasileiro.

As críticas da LCI à política e o programa de frentepopulista da Aliança Nacional Libertadora (ANL) - um revival da política da IC frente ao Kuomintang na China - promovidas pelo PCB em 1935, como explicam Prado e Monteiro, colherá seus frutos impactando setores do regimentado PCB. Apesar do distanciamento de um setor da LCI rejeitando a tática “entrista” ao socialismo francês (1936) e alguma estagnação em um contexto de maior perseguição do varguismo, a LCI se fusionaría em 1937 com um setor dissidente do PCB que rechaçava o apoio à ANL, criando o Partido Operário Leninista (POL).

A virada ditatorial de Vargas em 1937 (Estado Novo) obrigaria o grupo a ir para clandestinidade. Pedrosa, exilado na França, pôde participar no Congresso fundacional da Quarta Internacional “como representante de grupos latino-americanos, sendo eleito membro do seu Comitê Executivo (sob o pseudônimo de “Lebrun”)” (p. 65). Por volta de 1939 confluíram com o grupo expulso do PCB comandado por Hermínio Sacchetta, na formação do Partido Socialista Revolucionário (PSR). Em 1939, os debates em torno da defesa da URSS provocaram o colapso de Pedrosa, próximo às posições da facção antidefesa de Max Shachtman, na seção norte-americana. O PSR se desagregou em 1950, como parte das tensões que ocorreram após a morte de Leon Trótski.

Pode-se concluir que o trotskismo brasileiro teve características distintivas: incidência precoce em setores sindicais do movimento operário; contribuições teóricas importantes como os trabalhos sobre o capitalismo brasileiro na lógica permanentista, que demoliram as consagradas teses stalinistas de Octavio Brandão (Agrarismo e Industrialismo) do PCB e, para além de pequenos grupos, demonstraram por meio de diversas táticas a força da política dos trotskistas à luz da luta de classes.

Bolívia

John Steven Sándor resume em “De Prinkipo a Pulacayo: considerações sobre a história do trotskismo boliviano”, os principais momentos desse itinerário e deixa sua hipótese sobre a excepcionalidade desse trotskismo “pelas suas características particulares - e pelo papel que desempenhou na vida do país - deve ser abordado como uma variante sui generis do trotskismo latino-americano e mundial ”(p. 100).
O primeiro aspecto dessa particularidade é sua fundação tardia, no final da década de 1930. O Partido Obrero Revolucionario (POR) resultou da fusão do Grupo Tupac Amaru dirigido por Tristán Marof, com base na Argentina, referenciado em uma "ideário indígena, aspectos do pensamento marxista internacional e uma forte dose de nacionalismo romântico" (p. 102) e o grupo Esquerda Boliviana, liderada por José Aguirre Gainsborg, que em seu exílio havia atuado na seção chilena da Oposição de Esquerda internacional.

O segundo elemento refere-se à influência que o trotskismo conquistou nos setores camponeses, preocupação dos latifundiários bolivianos. Mencionemos que o POR foi parte dos levantamentos camponeses de Cochabamba que obrigaram Víctor Paz Estenssoro a decretar a reforma agrária em 1953. Essa influência, assinala o autor, foi alimentada em parte a partir da migração / expulsão dos trabalhadores vindos das minas que voltaram às suas comunidades natais após terem adquirido experiência sindical, da qual os trotskistas não ficaram alheios ao peso e à influência que a classe trabalhadora boliviana conquistou neste setor.

Outro aspecto não menos importante é o alcance de sua intervenção na revolução operária boliviana de 1952, cujo ícone por excelência foram as Teses de Pulacayo, inspiradas no Programa de Transição, elaborado pelo POR e adotado pela Federação Sindical dos Trabalhadores Mineros da Bolivia (FSTMB) seis anos antes [5].
Steven Sándor destaca que a influência alcançada pelo trotskismo rompe vários mitos: entre as escavações dos mineiros as teses permanentistas não eram exóticas, pelo contrário, “ajudavam os mineiros a compreender o mundo em que viviam, a dar significado às suas vidas e para orientar suas lutas [...] esse mesmo desenvolvimento desigual e combinado - mesmo a exploração implacável que isso acarretava - colocou em suas mãos a força potencial, as ferramentas e as armas sociais com as quais poderiam liderar a libertação de todos os explorados, que seria também a de seu país ”(pp. 107-108).

***
Os artigos publicados contribuem para a difusão das origens e dos primeiros grupos trotskistas latino-americanos, forjados no enfrentamento ao processo de stalinização da IC e dos PCs locais que atribuíram às burguesias nacionais um papel progressista como parte da revolução “antifeudal, agrária e anti-imperialista” nos países coloniais e semicoloniais, nos quais o proletariado e o campesinato teriam um papel auxiliar [6]. Um momento fundacional em torno das lições das grandes lutas e derrotas do proletariado mundial, os problemas da revolução e da estratégia socialista, para buscar um caminho para o movimento operário de massas.

A reconstrução dessa tradição inclui as elaborações que Trótski realizou durante seu exílio no México [7], analisando os fenômenos políticos mais importantes da época no continente, como o cardenismo dos anos 1930, que preservam, além de seu valor histórico, enormes atualidade e são indispensáveis para entender a realidade latino-americana e sua perspectiva de transformação revolucionária.

 
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