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Miércoles 25 de Noviembre de 2020
08:20 hs.

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China e imperialismo: elementos para a discussão
Esteban Mercatante

A questão do lugar da China na ordem internacional é central para caracterizar para onde caminha o sistema capitalista mundial, e tem sido objeto de um debate no qual encontramos posições que não poderiam ser mais divergentes, uma amostra da complexidade que contém. Este artigo faz parte de um processo de elaboração e discussão em curso na FT-QI sobre o assunto, que ainda não foi concluída, razão pela qual aqui se expressa a posição pessoal do autor. Agradeço especialmente as contribuições de Paula Bach para pensar o método e os critérios que permitem uma caracterização equilibrada da posição da China hoje.

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Em 40 anos, a China passou de uma posição subordinada e marginal na ordem mundial - exceto pela importância que tinha na Ásia para a estratégia do imperialismo norte-americano contra a URSS - para se converter a partir dos anos 1990 - e principalmente a partir de sua entrada em 2001 na Organização Mundial do Comércio (OMC) - num epicentro de super-lucros para as multinacionais de todos os países imperialistas. Isso permitiu que ela se estabelecesse como exportadora de bens finais ou componentes de mão-de-obra intensiva, e então projetasse mais e mais influência internacional por meio do comércio e da diplomacia, enquanto concentrava esforços para tornar sua economia mais complexa, aumentando a agregação local de valor e competindo pela liderança em inovação. Em outro artigo recente, demos conta das sucessivas etapas pelas quais passou a restauração capitalista na China, ocorridas no do regime do PCCh e em que o Estado reteve amplos poderes, que permanecem centrais para a direção da economia e da organização social. Essa "hibridização" entre o estatismo e a inserção de liderança nos fluxos de circulação global do capital é um atributo distintivo do desenvolvimento desigual e combinado que caracteriza a formação socioeconômica chinesa hoje. Ambas as facetas são fundamentais para compreender o curso peculiar da China, diferente de qualquer país dependente ou semicolonial.

Nos últimos 20 anos junto com um aprofundamento das relações econômicas que a tornaram um dos principais parceiros comerciais de quase todos os países do planeta, a China procurou estabelecer um espaço próprio de influência e presença econômica, apelando aos acordos bilaterais tanto comercialmente, em investimentos, em diplomacia, e mesmo na instalação de infra-estruturas ligadas à segurança. Durante a primeira década do milênio, as tentativas de avançar na influência global foram feitas no âmbito de uma relação de co-dependência com os Estados Unidos, o que levou a se falar de “Chinamérica”. Embora numerosos analistas da principal potência imperialista notassem com preocupação os “desequilíbrios globais”, ou seja, basicamente o déficit norte-americano e sua conseqüente dependência da China para financiá-lo, e também houvesse inúmeras menções à “manipulação” das moedas, ainda não havia indícios de ruptura. Isso começou a mudar a partir de 2008. Com Obama, que em 2011 anunciou o “giro em direção à Ásia”, as relações com a China tornaram-se mais tensas - para escalar com Trump - e isso estimulou uma resposta mais intervencionista por parte da China, especialmente com a chegada de Xi ao poder em 2013. É preciso dizer que embora o que cada vez mais tenha prevalecido nas relações entre os EUA e a China tenha sido o confronto, algo que se intensificou durante a presidência de Donald Trump, a forte dependência mútua entre o principal exportador (China) e o maior comprador mundial (EUA) não foi revertida, o que complica o desenvolvimento do conflito.

Ao mesmo tempo em que há indicadores objetivos da projeção internacional da China que são incontestáveis, os sinais de crescimento do poder mundial coexistem com outros que, ao contrário, parecem confirmar a continuidade de um papel subordinado no capitalismo mundial.

Se fizermos um paralelo com o período em que a substituição da potência hegemônica da Inglaterra pelos Estados Unidos começou a se delinear, veremos inúmeros contrastes na posição da China hoje e dos Estados Unidos da época, que são os fatores que dão origem a muitas das dificuldades em caracterizá-lo. É interessante ler as observações que Trotsky fez sobre o declínio da Inglaterra e a ascensão dos Estados Unidos, expressas em vários artigos e intervenções, para pensar sobre quais semelhanças e diferenças podemos encontrar no paralelismo [1]. Naquela época, tanto os Estados Unidos quanto a Alemanha, os dois países que estavam na vanguarda da disputa interimperialista, haviam claramente ultrapassado a Grã-Bretanha no desenvolvimento das forças produtivas. Em vez disso, a China tem uma combinação de modernidade e atraso que resulta da maneira acelerada com que deu o seu “salto de etapas”.

A diferença com outras potências que ascenderam ao pódio mundial não é menor. Os Estados Unidos criaram as bases para sua ascensão por mais de 100 anos, tiveram políticas protecionistas de sua base industrial contra o "consenso" liberal e os interesses do algodão e escravista do Sul, e finalmente consolidaram com a guerra civil as bases da sua decolagem. A China fez isso em 40 anos e apelando ao capital imperialista, embora seja exatamente isso que explique por que as multinacionais imperialistas têm um lugar de destaque, ou mesmo dominante, em seu comércio exterior, ainda hoje [2]. Mas não podemos olhar para estes últimos dados apenas no seu aspecto "negativo", ou seja, como uma amostra da situação de dependência que a China manteria se lêssemos unilateralmente algumas dimensões de sua economia, mas também é preciso ter em conta o ponto de vista do que isso permitiu para as aspirações das camadas dirigentes do PCCh: de fato, isso possibilitou - em grande parte graças aos aspectos de "liderança" que o estado chinês mantinha - "subir" a escada do desenvolvimento para além das enormes desigualdades com que o fez, como resultado inevitável da forma acelerada que teve seu “salto de etapas”.

Há duas discussões que se entrelaçam na maioria das análises sobre o lugar da China, e que devemos tentar separar embora estejam muito ligadas: a primeira é como a China se situa no "concerto das nações", ou seja, em que medida sua posição já a coloca como potência; a segunda é se esta contesta a liderança mundial. Essas duas questões se confundem, e muitas vezes a noção de que a China poderia estar se tornando uma potência imperialista é descartada quando se compara sua posição em relação ao país dominante, os Estados Unidos. Aqui a distância ainda é enorme, embora seja reduzida em alguns planos. Mas se em vez disso tomamos sua posição em relação aos demais países imperialistas, abordando uma série de parâmetros, observamos outro resultado. A China está atrás - e muito atrás - dos Estados Unidos, mas começa a superar outros países imperialistas em muitas áreas. Com muita heterogeneidade em sua estrutura econômica e outras fragilidades, como veremos, mas assim o faz.

Por um lado, considerando uma série de dimensões juntas, é cada vez mais difícil dizer que a China ainda não alcançou um lugar de país imperialista ao nível de alguns dos mais poderosos do mundo - excluindo a principal potência, os Estados Unidos, com o qual não é comparada. Por outro lado, toda uma série de características que conserva como país dependente e o atraso econômico em algumas regiões, tornam impensável ainda lhe dar essa caracterização. No quadro dessas duas tendências contraditórias que persistem, o que parece claro é a direção em que está se movendo.

1. AS DIMENSÕES QUANTITATIVAS DA POSIÇÃO DA CHINA HOJE

Alguns indicadores são necessários para ponderar o lugar da China nas relações de poder mundial e para avaliar a partir daqui até que ponto ela está avançando ou não.

Indicadores econômicos

Temos que começar alertando sobre os limites que os parâmetros propostos podem ter. Tudo o que é ligado à China adquire uma escala que altera qualquer parâmetro. Isso se reflete em primeiro lugar no contraste entre ser a segunda economia mundial em termos de tamanho de seu PIB, e estar longe do topo em termos de PIB per capita ou produtividade. O tamanho de uma economia é um fator de primeira ordem a pesar na balança internacional. Mas, como Trotsky advertiu, "a lei da produtividade do trabalho é tão importante na esfera da sociedade humana quanto a da gravitação na esfera da mecânica".

Na história capitalista dos últimos dois séculos, os países que disputaram a liderança mundial foram sempre aqueles que estavam em primeiro plano em termos de produtividade. A peculiaridade da China é que isso não acontece inteiramente. Sua produtividade horária se multiplicou por 15 em 40 anos, desempenho que poucos países conseguem apresentar hoje e que expressa a magnitude de suas transformações. Mesmo assim, quando comparamos sua produtividade horária com a das demais potências imperialistas, um abismo as separam: é 20% da dos Estados Unidos e da Alemanha e 32% da do Japão. Isso obviamente expressa o fato de que a gigantesca população chinesa torna o produto por pessoa muito mais baixo. A escala da China e sua heterogeneidade nos enganam: a alta produtividade da região sudeste do país, onde, por exemplo, o “Vale do Silício” da China se combina à baixa produtividade das regiões camponesas; desse agregado total surge essa “produtividade total” muito baixa. Mesmo assim, a medida mostra o caminho que a China ainda precisa percorrer. Observa-se uma tendência bastante abrangente: em 2007, a produtividade horária da China era 10% da dos EUA, ou seja, a proporção dobrou desde então [3]. Desta heterogeneidade produtiva e baixa riqueza per capita pode-se explicar uma estrutura de classes que não tem comparação com a de qualquer país imperialista. Embora as estatísticas registrem um crescimento dos estratos sociais que a sociologia convencional categoriza como “classe média” - isto é, a população assalariada ou comerciantes / profissionais autônomos com certa capacidade de consumo - a maior parte (68%) está localizada no substrato de renda da metade para baixo [4].

Os efeitos de ser um país fora de escala também se manifestam no fato de a China liderar em número de empresas no ranking das maiores do mundo compilado pela Fortune: das 500 maiores corporações do mundo, a China tem 119, seguida pelos EUA com 99 empresas. Se há um indicador que tradicionalmente é tomado como um sinal do poder econômico de um país este é quantas empresas ele tem entre as maiores do planeta, algo em que os Estados Unidos foram indiscutivelmente dominantes pelo menos nos últimos 90 anos. Pela primeira vez em 2019 a China passou a frente, mas tem mais empresas listadas principalmente pelo tamanho de sua economia e pela política estatal de fortalecimento dos “campeões nacionais”; quando se trata de avaliar o quão expandida é a influência global de suas empresas, os EUA, com menos empresas continuam a superá-la. Para cada Huawei que compete no mundo, há 5 empresas chinesas no ranking com poucos negócios fora do país. No caso dos EUA, Japão ou UE, a relação é quase inversa: entre as empresas desses países no Global 500 primam aquelas com negócios internacionais generalizados, e dominam as cadeias de valor globais ou as finanças internacionais. . O mesmo é verdade quando olhamos para o “desempenho econômico”: as 99 empresas americanas agregam mais lucratividade e usam menos ativos do que as 119 empresas na China.

Isso não obsta que seja um indicador do forte desenvolvimento corporativo chinês, liderado, é claro, pelas empresas estatais, embora sejam acompanhadas por algumas importantes empresas privadas com elevada expansão e competitividade global.

Intimamente relacionado a isso, está a posição dos países na corrida da tecnologia. Os que lideram neste campo são capazes de impor a outros países o que e como é produzido e, com isso, passam a dominar os elos estratégicos da cadeia de valor - aqueles que ficam com a maior parte da riqueza gerada - e eventualmente também recebem receita como resultado da propriedade de patentes de tecnologia [5] Vamos sintetizar aqui o panorama que desenvolvemos sobre isso em outro artigo recente. A China foi em 2019, pela primeira vez, o maior usuário do sistema internacional de patentes, seguida pelos EUA, Japão, Alemanha e Coréia do Sul. No ranking publicado em 2019 pela Comissão Europeia, das 2.500 empresas do mundo que mais investem em pesquisa e desenvolvimento (P&D), a China é o segundo país com mais empresas, atrás dos EUA, seguida pelo Japão e Alemanha. [6]. Mas quando se trata de avaliar os gastos, a China fica relegada ao terceiro lugar: as empresas norte-americanas desembolsam 312 bilhões de euros, as do Japão 109,4 bilhões de euros e as chinesas 96,4 bilhões de euros. A Alemanha, com um terço das firmas que a China tem entre as 2.500, registra um investimento em P&D de 82,9 bilhões de euros, ou seja, bastante próximo. A China tem muitas empresas no ranking, mas apenas duas entre as 50 primeiras: Huawei (5ª) e Alibaba (28ª). Os EUA têm 22 entre as 50 maiores, a Alemanha 8 e o Japão 6. A Coreia tem apenas 1, mas é a Samsung, a segunda empresa entre as que mais gastou em P&D em 2019.

Como podemos ver, a liderança dos Estados Unidos permanece nessa área, seguida de longe por Japão, China e Alemanha. Huawei ou Alibaba permitem que a China marque posição e há setores como o da inteligência artificial. O [7] ou o 5G onde a competição começa a se dar cabeça a cabeça, no contexto de que os EUA ainda mantêm uma diferença considerável em termos de recursos investidos no desenvolvimento da inovação. O resto dos países, mesmo aqueles com alta tecnologia altamente desenvolvida como a Alemanha, estão começando a olhar para a corrida de trás.

Outro exemplo de poder econômico está na expansão internacional de empresas por meio de investimento direto estrangeiro (IED). Deve ficar claro que embora até algumas décadas atrás a exportação de capitais fosse exclusividade dos países imperialistas, hoje muitos países “emergentes” e “em desenvolvimento” também exportam capital, ou seja, seus residentes fazem investimento estrangeiro direto. Por este motivo, a hierarquia entre os países não passa hoje pela exportação ou não de capital, mas sim pelo grau desta exportação e o resultado líquido entre o capital “exportado” e o capital recebido [8]. Aqui podemos ver a extraordinária expansão da China ocorrida em apenas 20 anos.

Em 2019 a China era o terceiro país com maior estoque de investimento direto no exterior: seu IED representava 6% do estoque total. Somente 19 anos antes seu IED era de apenas 0,37%. Os EUA continuam sendo, de longe, o maior investidor global, embora entre 2000 e 2019 sua participação no estoque total tenha caído de 36% para 22%. Em outras palavras, ainda tem mais de 3 vezes o estoque do próximo país - a Holanda. Grã-Bretanha, Japão, Alemanha e França estão ligeiramente atrás da China em termos de volume de capital produtivo exportado. Mas, ao contrário da China, todos, exceto o Japão e a Holanda, viram sua participação cair em relação ao que tinham há 9 ou 19 anos. Apenas a China apresenta crescimento exponencial no estoque de seus investimentos no exterior.

Como é o caso de vários desses países imperialistas e ao contrário da maioria das economias dependentes, o estoque de IED de residentes chineses no exterior excede o de capital estrangeiro na China. Nas últimas décadas, a China tem sido um pólo de atração de capitais de todo o mundo, principalmente das grandes multinacionais que ali estabeleceram parte importante de suas cadeias de valor, mas com o esforço de investimento que suas empresas - principalmente estatais - têm feito em outros países, passou a ter mais capitais exportados do que os que entraram no país, embora as duas contas sejam gigantescas. Em outras palavras, seu saldo líquido é um "credor" do resto do mundo em termos de capital produtivo. Isso é diferente dos Estados Unidos, que tem em seu território mais IED realizado por capitais de outros países do que suas empresas no exterior, ou seja, acumula um saldo “devedor” bastante significativo (aqui estamos apenas comparando o os estoques de investimento produtivo, não a posição total da conta externa líquida, que também é cronicamente deficitária para os EUA).

Capítulos a parte sobre a exportação de capital e expansão econômica internacional da China são a Belt and Road Initiative e investimento que visa garantir acesso privilegiado aos recursos naturais. A China entrou nessa corrida com tudo. Na África em muitos países alcançou posições vantajosas em relação aos Estados Unidos e às potências europeias, e ao mesmo tempo exibiu em várias ocasiões comportamentos que deixam pouco a desejar ao colonialismo tradicional em termos de ganância e desprezo pelos impactos ambientais.

Uma das pernas mais fracas da China até o momento está na expansão de seu poder financeiro, entendido como a extensão de sua moeda como moeda internacional e a internacionalização de seu sistema financeiro. Não há necessidade de se aprofundar demasiado no poder que detém aquele que administra as finanças globais. As sanções econômicas, que no arsenal de políticas de Washington para atingir os países que o enfrentam têm se tornado cada vez mais importantes, têm um pilar fundamental na dimensão financeira. Devido à centralidade do dólar e do sistema financeiro dos EUA nas finanças internacionais, os governos dos EUA podem bloquear a capacidade de residentes de outros países de operar em dólares, tanto para transações comerciais quanto financeiras; O congelamento de ativos é fácil de fazer e muito eficaz para atingir a elite política e econômica dos países que visa. O poder financeiro também é um veículo que potencializa a capacidade de acumulação e expansão global das empresas que operam naquele país. Nessa área, a vantagem dos EUA é, à primeira vista, avassaladora. Nova York é o centro das finanças globais, e o dólar é a moeda que domina os negócios e as transações financeiras: no dia-a-dia do comércio de moedas, 88% do faturamento envolve o dólar de um lado da transação. Na comparação mesmo o euro participa em apenas 32%, e a moeda da China, o renminbi, está em apenas 4% (o valor total negociado dá 200% porque leva em conta as moedas usadas nos dois lados da operação).

A China vem tentando ganhar terreno. Ela busca substituir o dólar por sua moeda no comércio. O limite para que isso altere substancialmente o equilíbrio entre as moedas é que apenas 7% das transações monetárias são realizadas por empresas não financeiras, ou seja, estão mais diretamente ligadas ao comércio. Ao negociar sua moeda, algo que não pode fazer com todos os países, a China pode aumentar sua preponderância nesse segmento, mas os 93% restantes estão vinculados a transações financeiras. A China também está determinada a desenvolver seu próprio andaime financeiro. Com os swaps cambiais realizados entre o Banco do Povo da China e os bancos centrais de outros países dependentes, tece laços que vão a favor do aumento da gravitação internacional do renminbi. A iniciativa mais ambiciosa neste campo tem sido a criação de instituições financeiras internacionais envolvendo outros países, com lugar de destaque na China: o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (AIIB), lançado pela China em 2013-14, e o Banco de Desenvolvimento BRICS, agora chamado de Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), proposto em 2013-14 e lançado em 2015. Devido à deriva do BRICS, com o Brasil se alinhando mais com os EUA e a Índia enfrentando a China em conflitos border, este último não era muito ativo. O AIIB, com um capital de US$ 100 bilhões e mais de 100 países membros até o momento, financiou projetos de eletricidade, energia e estradas nas Filipinas, Bangladesh, Paquistão, Índia, Indonésia, Egito, Turquia e outros lugares.

Poder militar

Assim como ocorre na arena financeira, no campo militar os EUA continuam a estar várias posições à frente de todos os outros países, incluindo a China. Em 2019, 38% dos gastos militares foram feitos por este país, de acordo com o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo. A China gastou pouco mais de um terço do que foi desembolsado pelos EUA, ocupando o segundo lugar com 14% do desembolso global. As capacidades militares desenvolvidas como resultado desses níveis de investimento excedem as de vários países imperialistas.

Existem áreas como a de arsenal de ogivas nucleares em que os EUA - e a Rússia - têm uma superioridade avassaladora, com 6.800 ogivas nucleares para menos de 200 no caso da China. Mas em outros, a China conquistou vantagens consideráveis rapidamente. De acordo com um relatório recente do El País, a China desenvolveu "uma indústria naval e de armas de classe mundial". Os fabricantes de armas chineses "se destacam no campo da inteligência artificial e na produção de drones e mísseis". Pequim implantou pelo menos 2.000 mísseis terrestres de alcance intermediário, convencionais ou nucleares (entre 500 e 5.500 quilômetros), segundo cálculos dos serviços de inteligência ocidentais.

Outra área em que a China está fazendo grandes avanços em sua Marinha. Como um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA (CRS) observa, a Marinha chinesa é “de longe a maior do que qualquer país do Leste Asiático, e nos últimos anos ultrapassou a Marinha dos Estados Unidos em número de navios de combate", Segundo o mesmo relatório, o Escritório de Inteligência Naval afirma que até o final deste ano a China terá 360 navios de combate, ante 297 dos Estados Unidos. Segundo o documento, a Marinha chinesa “representa um grande desafio à capacidade da Marinha dos Estados Unidos de alcançar e manter o controle das áreas de água oceânica do Pacífico ocidental.” Esta é a primeira vez que isso acontece desde o fim da Guerra Fria.

Uma distinção fundamental é que até hoje, ao contrário dos EUA e de outros países imperialistas, a China não usou sua força militar em intervenções de grande escala em áreas não ligadas a conflitos com países vizinhos ou à ameaça de território marítimo.

Os parâmetros “quantitativos” e a posição global da China

Para tirar alguma conclusão dessas dimensões que temos analisado, é interessante considerar o que elas nos dizem, tomadas em conjunto, sobre a posição comparativa da China em relação a outros países. É o que faz Tony Norfield, que elabora um Índice de Poder dos países (com base em seu PIB, seu investimento estrangeiro, o peso de seus bancos, sua moeda e poder militar).

Em 2019 a China passou para o segundo lugar pela primeira vez - obviamente os EUA estão em primeiro - e depois da China estão Grã-Bretanha, Japão, França, Alemanha e Holanda. Se olharmos com mais detalhes, veremos que a China faz diferença no tamanho de seu PIB e em seu poderio militar. Nas outras dimensões que Norfield mede, ele se classifica quase da mesma forma que os países que o seguem, ou ligeiramente atrás. Há um aspecto crucial que destacamos e não está contemplado neste indicador, que é a inovação. Nesse sentido, a China vem ganhando espaço e competindo nas primeiras posições, como já indicamos, com o qual se a incluíssemos, o lugar da China que o índice mostra seria fortalecido.

Norfield não considera a China imperialista de qualquer maneira, porque em sua opinião os desenvolvimentos capitalistas no país não alteraram qualitativamente sua estrutura social ou comportamento estatal. Atribui também - erradamente - à China um papel progressista tanto pelas conquistas sociais alcançadas como “contrapeso” às potências imperialistas. São argumentos que não compartilhamos, com base no que foi desenvolvido neste e em outros artigos.

O que é uma diferença considerável entre a China e os países imperialistas que está deixando para trás na competição mundial pelo poder, é a maior "consistência", por assim dizer, que tem a posição desses outros países. Quando analisamos Japão, Alemanha, Grã-Bretanha ou França, sua posição em termos de geração de riqueza, expansão do capital transnacional com base neles, capacidade de inovação, desenvolvimento financeiro e monetário, os lugares que cada país é mais ou menos consistente joga, além das vantagens específicas que cada um pode ter (como no caso da Grã-Bretanha, que tem uma vantagem indiscutível com a cidade de Londres, por exemplo, enquanto a Alemanha ou o Japão estão à frente em inovação). O mesmo é verdade também no campo militar, com exceção da Alemanha, que está atrasada neste ponto. Por outro lado, a China tem uma grande projeção de poder auxiliada por sua escala gigantesca e força em certas áreas, mas isso contrasta com o fato de que ela não conseguiu se livrar completamente de alguns traços de dependência e sua estrutura econômica e social está repleta de heterogeneidades.

2. PONTOS FRACOS

Unidade nacional incompleta

Será difícil falar de uma construção imperialista da China que avance com sucesso enquanto não conseguir resolver definitivamente a sua integridade territorial. A unidade alcançada com a revolução de 1949, elemento que foi um divisor de águas, mas sempre teve um caráter relativo, visto que teve que conviver com a ocupação britânica de Hong Kong e a ocupação portuguesa de Macau, que durou até 1999, e com o protetorado constituído pelo Kuomintang em Taiwan.

Taiwan representa um problema de segurança fundamental, já que sua reivindicação de independência sempre teve o apoio, aberto ou contornado, do imperialismo. A política dos EUA em relação a Taiwan desde 1979 foi descrita por alguns analistas como "ambigüidade estratégica": ao mesmo tempo que todos os presidentes (mesmo Trump, que flertou com a mudança) pararam de ter relações diplomáticas com Taipei , o Congresso dos EUA sancionou e mantém a Lei de Relações com Taiwan, que prometia fornecer armas defensivas a Taiwan, destacando que qualquer ataque pela China seria de "grave preocupação" para os EUA.

Com Hong Kong, os conflitos que persistem no esquema “um país, dois sistemas” tornaram-se evidentes nos últimos anos. Por seus laços financeiros com a cidade de Londres, é um canal fundamental para a movimentação de capitais, podendo se tornar um calcanhar de Aquiles se os choques recentes continuarem se aprofundando.

A análise da posição relativa da China deve ser concluída com a introdução de outras dimensões críticas que ainda mostram os pontos mais vulneráveis da posição da China.

A existência de muitas Chinas devido à heterogeneidade da estrutura produtiva e social e à incapacidade de dominar esses territórios é para o Estado chinês um dos elementos potencialmente mais desestabilizadores que ameaçam qualquer projeção de poder global.

A falta de mecanismos para salvaguardar seus interesses econômicos no exterior

Imperialismo é, por definição, a expansão dos interesses econômicos de um Estado para além de suas fronteiras, o que implica a subjugação - formal ou informal, hoje em dia - de outros territórios para garantir a proteção desses interesses e assegurar o fluxo de rendimentos e rendimentos derivados da referida relação. No final do século XIX e no início do século XX, cada potência imperialista exercia este “poder de polícia” em defesa das suas capitais nos territórios coloniais que possuía ou nas semicolonias que, com graus variados de soberania política formal, estavam subordinadas a uma das metrópoles. Ao final da Segunda Guerra Mundial as lutas contra o colonialismo acabaram impondo às potências coloniais a perda de quase todos os seus territórios ultramarinos. Ao mesmo tempo, o imperialismo estadunidense se comprometeu a cumprir, em defesa dos interesses de todo o capital global, o papel de “polícia” para assegurar o cumprimento mundial das regras favoráveis à acumulação de capital. Os Estados Unidos "concederam a si próprios o direito exclusivo de intervir contra outros estados soberanos (o que fizeram repetidamente em todo o mundo) e reservaram seus próprios critérios na interpretação das normas e normas internacionais" [9]. Mas cumpre este papel de “polícia global” na defesa
segurança e do sistema de alianças dos EUA, com certa subordinação mesmo no caso dos países imperialistas. Países como a China estão fora dessa esfera.

A China ainda não possui capacidades militares ou diplomáticas equivalentes às desenvolvidas pelos EUA e que favorecem, por extensão, as potências imperialistas que ainda hoje operam no quadro "atlantista", para além do enorme crise de longa data que arrasta toda essa articulação do pós-guerra.

O resultado é que Pequim não foi capaz de impedir com sucesso o repúdio de dívidas contraídas pelos países, nem pode exercer sanções altamente eficazes quando outros Estados ignoram seus compromissos. A China tem a grande ameaça de fechar seu mercado para inadimplentes e, cada vez mais, de fechar financiamentos. Mas esse “soft power” nem sempre é suficiente, principalmente quando se intensificam as tensões com os Estados Unidos, que também atua - diretamente e por meio de aliados - nesses mesmos países. As mudanças de posições em relação ao 5G são mais um exemplo dessa falta de eficácia.

Quão atraente é o “modo de vida chinês”?

A “hegemonia” dos Estados Unidos tinha na promessa de “exportar” o “American way of life” um de seus mais duradouros pontos de apoio. Mas pode a China gerar uma influência equivalente com seu "modo de vida"? The Economist alertou recentemente que a capacidade de apresentar seu modelo de “capitalismo de estado” como bem-sucedido não deve ser subestimada, que vem combinando alto crescimento e aumento da riqueza per capita –desde níveis muito baixos– com alguns sucessos retumbantes em termos de inovação e competição. Mas isso não parece suficiente para ocupar o lugar dos Estados Unidos. O "socialismo com características chinesas", como a burocracia continua a se referir ao seu esquema de desenvolvimento, foi definido como uma peculiaridade desde o início. O regime burocrático do PCCh foi uma peça chave para a ascensão excepcional da China, e continua sendo para continuar e consolidá-lo, sustentando a articulação contraditória entre o desenvolvimento capitalista e as empresas estatais, administrando a alavanca de crédito em favor do crescimento econômico e direcionando a inovação, em alguns setores considerados estratégicos. Mas isso também funciona como um limite para o "Chinese way of life" ganhar uma ascendência equivalente à hegemonia ideológica que os EUA tiveram. Com o PCCh desempenhando um papel crítico e um regime com características claras bonapartistas, não é nem mesmo reproduzível Fora da China, não pode ser visto como um pólo de atração a ser imitado.

Na própria China as características bonapartistas do regime, reforçadas por Xi, operam como um amplo limite à hegemonia que o "modelo chinês" pode ter. O apelo a aspectos da ideologia mais tradicional, que andam de mãos dadas com uma crescente “ênfase na singularidade da civilização chinesa e na construção de uma estrutura da noção de uma nação orgulhosa durante a era Xi” [10], Eles procuram preencher esse vazio, mas isso não pode ser muito expansivo fora de suas fronteiras.

Na competição pela liderança global e ascensão sobre outros países, a China conseguiu, temporariamente, ocupar o lugar abandonado pelos EUA e se apresentar como a campeã do "globalismo". Com Donald Trump proclamando “América em Primeiro Lugar” e atacando a globalização em todo o seu discurso, Xi Jinping se propôs como fiador da integração econômica. Em todos os fóruns mundiais e reuniões de organizações internacionais, quase todos eles conformados a mando dos Estados Unidos, a China estava avançando posições e se tornando um adereço quando Trump lhes deu as costas ou expressou seu desdém. O maior presente a este respeito foi o abandono do Tratado Transpacífico, que Obama concluiu associando comercialmente mais de uma dezena de países, excluindo a China. Com a saída dos EUA, a China manifestou interesse em aderir e pode ser a principal beneficiária do tratado. Mas com Biden os democratas tentarão retornar a uma agenda mais globalista - embora existam razões profundas pelas quais essa reorientação encontrará limites - e será mais difícil para a China continuar a preencher a vaga deixada por Trump.

3. ALGUMAS CONCLUSÕES

O que nos diz a análise dessas dimensões contraditórias que estivemos analisando? Alguns autores, como Au Loong Yu, referem-se à China como um imperialismo em processo de construção ou constituição, que ainda não foi consumado. Essa poderia ser a caracterização que melhor explica a posição atual da China. Devemos evitar dar a essa noção o significado de um processo que inevitavelmente tomará forma. É cercada por múltiplas ameaças, tanto pela existência de "muitas chinas" na China, em decorrência das desigualdades produtivas, quanto pelas profundas tensões geradas pelo processo de desenvolvimento capitalista, que traz descontentamento tanto entre aqueles que continuam resistindo a esse processo como entre os que lamentam que não vá a um ritmo rápido o suficiente. Para além devir, o “imperialismo em construção” permite dar conta do lugar que a China já ocupa. Em muitas medidas objetivas, está à frente de algumas das principais potências imperialistas, embora muito atrás dos EUA. O fará também ao mostrar os numerosos calcanhares de Aquiles que tornam a sua posição vulnerável.

Uma caracterização deste tipo permite esclarecer o papel que a China desempenha na ordem capitalista mundial. A China não contesta a natureza exploradora dessa ordem, que, pelo contrário, tira proveito internamente ao transformar uma força de trabalho de centenas de milhões na reserva de exploração do capital imperialista e local, favorecendo que em todo o capital mundial realizasse uma “arbitragem” global contra a força de trabalho para aumentar sua lucratividade. Reproduz nas suas relações com outros países padrões de pilhagem e pilhagem semelhantes aos das potências europeias ou dos Estados Unidos. A noção de que a China pode ser um contrapeso benigno à pilhagem imperialista, uma potência, mas não um imperialista, está errada. A China pode ser um contrapeso a outras potências, fornecendo assistência financeira ou investimento. Mas se isso acontecer, é porque você tem seus próprios interesses em jogo e essa ajuda ou contrapeso tem um alto custo. No território nacional, o Estado oprime e nega qualquer direito mínimo às nacionalidades minoritárias, apelando à mais dura repressão para isso. Em Xinjiang, tivemos as amostras mais recentes dele.

Como dissemos no início, há duas dimensões que devem ser distinguidas: 1) em que medida a China está se transformando em imperialismo; 2) em que medida pode ser a potência hegemônica. Como vimos, se a primeira questão começa a encontrar razões para serem respondidas afirmativamente, mesmo condicionalmente, a segunda não pode ser colocada seriamente sem um curso de confronto posterior.

Apesar dos limites que a posição da China ainda mostra, sua ambição de fortalecer sua gravitação internacional tem chocado com os interesses dos Estados Unidos. Podemos dizer que a China não pode avançar além de onde está sem ultrapassar as atuais tensões com EUA para um confronto mais direto. Isso porque embora a China não seja um país subversivo da ordem imperialista, ela é obrigada a questionar os pilares da ordem atual que favorecem os Estados Unidos, no qual se desenvolveu até agora. Para aspirar ao pódio global a China não pode simplesmente reivindicar a substituição dos EUA no sistema de poder mundial, porque suas redes são construídas pelos EUA que se colocam no centro. O Departamento de Estado na articulação de alianças e subordinação de aliados - numa relação de coordenação e ocasionalmente de tensão com o Pentágono - e o Tesouro na área financeira, em conjunto com o Federal Reserve (Fed) estabelecendo linhas de coordenação com os bancos centrais dos países mais poderosos são a base da arquitetura de governança global que o capital transnacional exige, e eles a sustentam ao mesmo tempo em que visam reproduzir o poder norte-americano.

A China também não pode ser considerada simplesmente "acomodada" como uma potência entre outras, subordinada. Não pode simplesmente continuar "subindo" em uma ordem "emprestada", nem o poder dominante cederá. Tampouco podemos esperar que os países imperialistas que já estão sendo relativamente deslocados pela ascensão da China se acomodem pacificamente nesta situação, embora em um contexto de dissolução mais geral da ordem do pós-guerra possamos esperar mais divisões e rearticulação de alianças. A China pode gerar rivalidades ou se tornar um pólo de atração.

Ao mesmo tempo, devemos sempre levar em conta todos os efeitos potencialmente desestabilizadores que a trajetória capitalista criou na China, que pode ser seu principal calcanhar de Aquiles, e cuja a intensificação das rivalidades internacionais pode fazer com que se agravem. Vários setores da burocracia desconfiam da ambição de Xi de entender seu poder além de 10 anos, rompendo com a prática que vigora desde a saída de Deng. Também há feridas mal curadas das disputas que antecederam sua chegada ao poder, que culminou com a decapitação de Bo Xilai, que presidiu a festa em Chongquing e foi campeão de um vaporoso "neo-maoísmo", hoje preso com prisão perpétua. Há uma razão estrutural de descontentamento entre os setores que mais se beneficiaram com as políticas de integração capitalistas, que é que, apesar da consolidação das relações de produção burguesas, a tendência desde a posse de Xi foi antes de estagnação da agenda de reformas. e o reforço do estatismo junto com as características mais bonapartistas do regime.

Do ponto de vista das classes subalternas, o jovem proletariado que se desenvolveu nas últimas décadas, com pouca ligação com a ex-classe operária das empresas públicas que sofreram fortes derrotas com as privatizações, tem liderado também nos últimos cinco anos processos de organização e luta, que forçaram o regime e as empresas a conceder melhores condições [11]. Como observam os editores do China Labour Bulletin, no século 21, “os protestos coletivos dos trabalhadores tornaram-se mais frequentes e mais bem organizados, a ponto de agora fazerem parte da vida diária na China e a agitação trabalhista está profundamente enraizada. enraizado na sociedade ” [12]. O acúmulo de poder de Xi também o deixa mais exposto a contratempos e pode ser um gatilho para lutas internas que, nesse contexto e com o conflito externo, tornam-se incontroláveis. A explosão da Covid inicialmente ameaçou ter conseqüências catastróficas para o domínio do PCCh, dadas as respostas iniciais desajeitadas ao surto do vírus, mas o desempenho relativamente pior de grande parte da Europa e dos Estados Unidos acabou deixando a burocracia melhor e permitiu à China exportar ajuda. Mas foi mais um sinal de que a posição de Xi - e com ele todo o regime - não é nada estável. A hipótese de uma crise estatal de grande magnitude, com conseqüências catastróficas para a posição da China, não deve ser descartada. Com níveis de endividamento sem precedentes (a soma da dívida corporativa, governamental e familiar ultrapassa 300% do PIB), o espectro de uma crise econômica de magnitude certamente assombra a China. Isso poderia ter alavancado fortemente as empresas estatais entre os setores mais afetados. O controle estatal do sistema financeiro até agora tem limitado a materialização dessas ameaças, mas ao preço de fazer o problema avançar, uma vez que o volume de passivos continua a aumentar. Um cenário desse tipo poderia agravar todas as instabilidades potenciais mencionadas a níveis insuportáveis.

A situação de disputa aberta entre os EUA e a China, hoje centrada no comércio e na disputa pela primazia tecnológica - intimamente ligada a considerações de segurança - mas com a ameaça cada vez mais certa de derivações militares, estimula todas as tensões internas que já existem na China.

O que deve ficar claro é que o fato de a China não poder ser chamada de imperialismo no sentido pleno do termo não pode nos levar à conclusão de qualquer confronto da China contra os EUA ou outras potências imperialistas devem ser lidos como uma agressão imperialista contra a China, da qual o apoio a esta última se desprenderia automaticamente. Como o proletariado e as nacionalidades oprimidas da China sentem, embora enfrente o imperialismo, o Estado liderado pelo PCC não representa nenhuma alternativa progressista à dominação imperialista dos Estados Unidos e seus aliados, embora a posição em cada cenário de conflito deve ser definido pelas circunstâncias concretas. O que está claro é que nenhuma alternativa ou ponto de apoio surgirá daí para que os povos oprimidos possam cortar as cadeias do imperialismo e da exploração capitalista. Ao contrário, a ambição de Xi Jinping e de toda a liderança do PCCh é erguer o estado chinês como mais um tijolo no muro.

 
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