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Sábado 19 de Septiembre de 2020
08:33 hs.

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RETORNO ÀS AULAS EM SP
Professores de SP rechaçam o retorno às aulas em lives com o irresponsável secretário Bruno Caetano
Redação

A prefeitura de São Paulo, lançou no dia 10/07 um projeto chamado Fala Rede, para fingir que se preocupam com as vidas dos profissionais da educação e dos alunos e suas famílias. As educadoras e educadores escancaram a irresponsabilidade e o plano desastroso que a prefeitura de SP apresenta para o retorno às aulas.

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Foto: Live de debate entre o secretário Bruno Caetano e representantes da DRE Freguesia/Brasilândia

A prefeitura de São Paulo, lançou no dia 10/07 um projeto chamado Fala Rede, para debater junto aos professores da rede municipal de ensino o protocolo de retorno às aulas que estão previstas para o dia 08/09. O projeto se trata de uma série de 13 lives que vão ao ar diariamente até o dia 29/07. Bruno Caetano, que é o secretário da educação do município de São Paulo, conduz essas lives. A cada dia professores, gestores, e pais de várias DREs participam representando várias escolas, porém não existem mecanismos claros, e que garantam mais democracia, para a escolha dos representantes de cada DRE. Sem descartar a importância de se debater amplamente o retorno às aulas, devemos, antes de mais nada, ressaltar o quanto essa ação é superficial. Os educadores sempre têm demandas para debater com a prefeitura e quase nunca são escutados, mas agora, diante do absurdo que é cogitar a reabertura da escola, a SME decidiu criar esse espaço para legitimar a política desastrosa que querem fazer com os alunos, professores e com toda a comunidade escolar.

Veja aqui: Saiba quem é Bruno Caetano, o secretário da educação de SP que os empresários gostam.

A maioria das escolas municipais de SP, estão localizadas nas regiões mais periféricas e atendem comunidades em que a população está em situação de vulnerabilidade. Muitas dessas escolas estão localizadas dentro de favelas, pessoas que vivem com falta água encanada, falta de saneamento básico e até em áreas com incidência de escorpiões. Diante desse cenário do total descaso das questões sanitárias e com a falta de testes, a população pobre é a que mais sofre com uma pandemia que não tem previsão para acabar ou sequer ser controlada. Diante dessa situação, o secretário publicou um protocolo de retorno às aulas. Para além de questões objetivas que estão sendo colocadas, deve-se levar em consideração que a maioria dos moradores dessas regiões não tiveram direito a quarentena em nenhum momento desde que começou desta pandemia. Seja pelo valor insuficiente que é pago pelo governo com o auxílio emergencial ou pela burocratização que levou milhares de famílias de baixa renda não conseguirem sacar o valor ou demorarem meses para poder sacar.

A urgência que os governos colocam de volta às aulas está muito mais ligada a pressão exercida pelos empresários do que por uma decisão racional. É de conhecimento de todos que desde o início da quarentena São Paulo é o epicentro da doença no Brasil. Agora com a reabertura precoce do comércio, utilizam-se das subnotificações para passar para a população uma ideia de que a doença vem sendo “controlada”. Mas isso não passa de um jogo político dos governadores, que no início da quarentena faziam bravata contra Bolsonaro em defesa das quarentenas e agora cedem aos interesses do grande capital. Dessa forma, os professores de forma muito acertada reivindicam que não se reabra de forma inconsequente as escolas e que as famílias dos nossos alunos possam fazer uma quarentena para que as escolas não sejam um meio de contaminação, tanto do ponto de vista da transmissão do vírus entre alunos e os profissionais de educação e toda equipe escolar, quanto dos alunos serem vetores de transmissão para seus familiares. E o auxílio emergencial tem que seguir sendo pago para que os familiares possam manter os seus filhos em casa sob seus cuidados.

Os professores têm expressado nas lives do Fala Rede total repúdio ao plano de volta às aulas da prefeitura. No plano utópico do governo e do município só retornariam para escola presencialmente 35% dos alunos, as crianças manteriam 1,5 metro de distância, a escola seria higienizada várias vezes no período de aula e todos os alunos ao retornarem para escola receberão um kit higiênico. A realidade é que os professores que estão no chão das escolas expressam que tais promessas são vazias e mentirosas. A verdade é que as escolas carecem há tempos de estrutura e as falas dos professores nas lives expressaram bem a dificuldade que enfrentam diariamente, mesmo antes da pandemia. Na live de ontem (14/07), entre o secretário Bruno Caetano e os professores da DRE Freguesia/Brasilândia, vários professores fizeram falas denunciando a precariedade das estruturas e a impossibilidade de receber os alunos em salas de aulas com pouca ventilação, corredores únicos e estreitos e salas pequenas que não possibilitam o distanciamento, mesmo que só voltem 35% dos alunos.

Algumas falas colocaram concepções da educação infantil de forma muito sensível, enquanto que a SME não levou em consideração quando publicou o protocolo de retorno às aulas, como por exemplo, a concepção pedagógica de educação infantil que coloca como fundamental a socialização das crianças e como seria cruel ter que manter crianças de 3 ou 4 anos distantes sem poderem se tocar ou brincar e até mesmo dividirem os mesmos brinquedos. Fora que é quase impossível garantir o distanciamento dos alunos.

Houve também críticas à educação remota, implementada pela prefeitura e pelo estado que não levou em consideração a situação socio-econômico de cada região. Muitos dos alunos vivem em casas que não tem a mínima condição para ter um espaço de estudo e não garantiram ferramentas para que eles pudessem ter acesso aos aplicativos. E ainda, o plano de recuperação também foi combatido pelos professores que argumentaram que recuperação se dá aos alunos que têm aulas e quando os professores identificam que determinadas habilidades não foram atingidas. Se os alunos, em sua grande maioria, não acessaram as plataformas e aplicativos, os professores não poderão trabalhar para recuperar algo e sim terão que apresentar o conteúdo que não foi aprendido, recebido pelos alunos.

Apesar dos esforços pelos empenhados professores de enviarem as atividades e darem aulas virtuais para os alunos, infelizmente por conta das condições materiais deles, não está tendo êxito esse modelo de ensino remoto e, portanto, como colocaram os professores, não se pode seguir o ano letivo como se todos tivessem acesso a esse ensino. Enquanto a escola pública deve ser para todos, somente 40% dos alunos tiveram em algum momento acesso. Logo, a escola não está cumprindo seu papel social, sendo isso culpa do governo. Esse debate deu margem para os professores questionarem se devem seguir o ano letivo assim como está o calendário ou suspender o ano letivo e levar em consideração a contagem do ano somente quando retornar às aulas.

Poderíamos aqui colocar muitas outras ponderações e colaborações muito importantes que foram expressas pelas professoras e professores nas lives que vêm sendo realizadas desde a semana passada com a SME. Mas decidimos reduzir a um pequeno recorte dessas considerações e à uma pequena análise de como as respostas dadas pelo secretário da educação não passaram de puro defensismo. O conteúdo sensível e politizado que os professores colocaram para o secretário fez com que o mesmo defendesse a política desastrosa e irresponsável de Bruno Covas e João Doria. Por diversas vezes respondeu aos profissionais da educação que o questionavam sobre o protocolo, que era a favor da vida, mas todo o conteúdo expresso no protocolo quando debatido expressou que vai no sentido contrário, porque contrapõe a possibilidade da presença dos alunos nas escolas com a própria defesa do direito à vida.

Nós do Esquerda Diário e o Movimento Nossa Classe Educação convidamos todas educadoras e educadores a seguirem esse debate importantíssimos conosco, e acompanharemos as lives e as publicações das cartas das comunidades escolares.

 
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