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Lunes 21 de Septiembre de 2020
03:08 hs.

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CRISE DO CORONAVÍRUS
A pandemia, a saúde e a pobreza na América Latina: As vidas roubadas pelo capitalismo
Cassiano Vilella

A pandemia na América Latina, em especial no Brasil, atinge marcas desastrosas em contaminações e mortes por COVID todos o dias. Os pobres e trabalhadores, não por acaso, são os que mais arcam com as consequências da doença, da miséria, da crise financeira e das mazelas sociais na forma mais violenta e profunda. Mas por quê?

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Foto - Carlos Eduardo Ramirez/Reuters

Se uma pandemia de tamanha proporção quanto a do novo Coronavírus é algo que não tem precedentes, pelo menos na história mais recente, a condição periclitante da classe trabalhadora e dos pobres não é nenhuma novidade. As crises cíclicas do capitalismo arrasam milhões de vidas em todo o mundo, e segue sendo assim a cada nova crise gerada pelos capitalistas burgueses que possuem o controle dos meios de produção do mundo e, em nome os seus lucros, lançam mão da vida do povo, como se fossem apenas peças descartáveis em um tabuleiro, onde movimentam de modo a buscar a melhor estratégia para lucrarem mais. Existe saída pra isso? Existe setores privados preocupados com as vidas e menos com seus lucros? As resposta para ambas as perguntas é não! Por quê?

Porque, primeiramente, as crises não são acidentes de percurso, como querem fazer acreditar os capitalistas, mas sim algo sistêmico do capitalismo, consequência direta da acumulação primitiva e necessária para que se renove a hegemonia dos capitalistas, que a cada crise, enquanto o povo empobrece, os lucros deles, ao contrário, aumentam. Um exemplo? Jeff Bezos, CEO da Amazon, e atual capitalista mais rico do mundo, que atinge o ápice de sua fortuna justamente agora, em meio à uma pandemia global, onde todas as vulnerabilidades do povo, em especial pobre, negro e de países periféricos, são ainda mais aprofundados. No momento fatídico em que, com as ameaças que sempre foram presentes (também como parte da estrutura capitalista) como o racismo estrutural, o trabalho precário, a violência policial e tantos outros fatores, e com uma pandemia que afeta diretamente e muito mais forte a vida dos trabalhadores precarizados, das mulheres negras, e do povo pobre, é o momento onde os capitalistas saciam sua sanha de lucros recordes. Uma pandemia que atinge e mata os pobres porque são os mais precarizados em todos os sentidos da sua vida, em condições de trabalho, de renda, de direitos trabalhista, de moradia, de acesso à saúde, de proteção em seu trabalho e na impossibilidade de se resguardar e se proteger.

Karl Marx, na formulação de seu conceito de estado, afirmou assertivamente que o estado era o “balcão de negócios da burguesia”. Esta frase não só já se demonstrou correta como se mostra extremamente atual. O estado burguês, que serve como mediador das necessidades dos capitalistas, é o principal responsável por aplicar os ajustes que os empresários desejam, sendo a manopla dos capitalistas para movimentar os trabalhadores como as peças do seu jogo. O Brasil sob regência de Bolsonaro é o quadro mais claro desse conceito. Bolsonaro é uma figura ultra reacionária, racista, homofóbica, que se posiciona abertamente contra os pobres e as minorias, e que ascendeu justamente com o apoio de diversos setores do empresariado em um momento onde a crise econômica já avançava mundialmente, refluxo das crises econômicas que eclodiram em 2008. Em sua gestão, antes da crise, se pôs a aprovar diversas das mais catastróficas reformas que os capitalistas já demandavam anteriormente, como reforma trabalhista, reforma da previdência entre outros ataques à classe trabalhadora, para favorecer as empresas, os bancos e os credores da dívida pública. Tudo isso ao custo do suor e do sangue dos trabalhadores. A situação tem sido assim em muitos lugares da América Latina, com governos mais autoritários e de direita ascendendo em países como Chile de Piñera, que realizou ataques brutais a população com sua força repressiva, agredindo e matando pessoas quando essas se revoltaram em 2019 contra a situação caótica da precarização da vida da população em um país em que o capitalismo e a privatização já haviam arrasado com muitos direitos do povo. Também foi assim no Uruguai com Lacalle Pou, na Argentina quando Macri foi eleito e ainda hoje com Fernandez que se coloca à esquerda mas segue um mero negociador dos interesses imperialistas, na Bolívia, onde a direita deu um golpe para chegar ao poder à todo custo, e na Venezuela, onde o imperialismo norte americano ainda tenta golpear o débil regime de Nicolás Maduro para colocar, autoritariamente, um golpista representante dos interesses imperialistas. A influência das potências imperialistas nos países da América Latina (periféricos) é direta, violenta e tem uma finalidade clara: Manter as condições precárias de mão de obra e da vida nesses países para que se consiga extrair seus lucros e sua força de trabalho à custo reduzido, alimentando a desigualdade nos países da AL e reafirmando o poder dos paíse imperialistas sob os países periféricos.

Após a pandemia, ao contrário do que propagandeiam setores burgueses, os efeitos da doença não se mostraram nada democráticos, pelo contrário, como haveria de ser, as desigualdades foram brutalmente aprofundadas. A desigualdade tornou a vida dos trabalhadores, dos pobres, dos negros, mais ainda, das mulheres negras, completamente descartável aos olhos do capital e do estado, com empresários, e o próprio presidente admitindo a morte dos trabalhadores e lançando mão da vida dos mesmos para que os lucros não parem.

O secretário geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, destacou em documento a situação preocupante, em relação à pandemia, a que caminha a América Latina e Caribe devido à desigualdade e a fragilidade social que ela promove, fazendo com que a doença se alastre e mate muito mais nesses países. Ressalta a importância de uma transformação nos modelos de desenvolvimento para que se tenha mais igualdade e assim se possa enfrentar, de fato a pandemia. Segundo palavras do mesmo, "a igualdade é a chave para o controle bem-sucedido da pandemia e para uma recuperação econômica sustentável na América Latina e no Caribe". Ele ainda enfatiza a importância do respeito aos direitos humanos dizendo que "a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres precisam estar no centro da resposta", trazendo a questão das mulheres que são mais fragilizadas, muitas vezes trabalhando em empregos informais, em especial as mulheres negras.

Mas, em uma reflexão mais atenta de todos esses fatores que compõem a miséria nos países periféricos, principalmente após a pandemia que agravou e evidenciou mais ainda a miséria, não como uma casualidade, mas como um sistema de manutenção do próprio capitalismo, é impossível não se perguntar: É possível então garantir estes direitos dentro de um sistema capitalista? A resposta, mais uma vez, é não! Já está mais do que claro de que, não só não é possível, mas não é e nunca vai ser a real intenção dos próprios capitalistas e do imperialismo em geral. A solução da desigualdade do povo fragilizado e dos países da AL ante as potências imperialistas passa pela emancipação do próprio povo trabalhador e do controle os meios de produção por estes. Apenas um mundo gerido por aqueles que o movimentam pode servir ao próprio povo e a humanidade, e fazer com que, de fato, se entenda que a vida de cada trabalhador não é um joguete em um plano de estratégia para gerar lucros astronômicos à uma ínfima parcela da população, mas que todos devem ter direito à uma vida que valha a pena ser vivida.

 
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