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Martes 11 de Agosto de 2020
01:21 hs.

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CONTRA AS DEMISSÕES
Nenhuma demissão na LATAM e readmissão de todos os 1850 demitidos, os sindicatos precisam se colocar a frente dessa luta
Redação

Nessa semana a LATAM Chilena e as filiais na Colômbia, Equador, Peru e Estados Unidos pediram proteção contra a falência na Justiça dos Estados Unidos, o chamado capítulo 11 porque não conseguiriam honrar o pagamento de suas dívidas no prazo. Os débitos listados no pedido de recuperação judicial somam cerca de US$ 18 bilhões (R$ 94,9 bilhões no câmbio atual).

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O pedido ocorre em meio à queda abrupta da demanda de passagens ocasionada pela pandemia do coronavírus. A solicitação ocorre duas semanas após a colombiana Avianca, segunda maior empresa do segmento na América Latina, também entrar em recuperação judicial. A Avianca pediu falência no Brasil em 2019 e até hoje não pagou os direitos trabalhistas de seus funcionários, sendo um exemplo emblemático de como essas leis ajudam a salvas os já milionários empresários enquanto deixam os trabalhadores sem um centavos dos seus direitos

A LATAM é maior empresa da América Latina, reportou no terceiro trimestre de 2019 um lucro líquido atribuído aos sócios da empresa controladora de US$ 86,3 milhões, resultado 145% maior do que o lucro apurado no terceiro trimestre do ano anterior. Segundo o jornal Valor econômico.

Contando com cerca de 43 mil trabalhadores em diversos países, mesmo com lucros milionários, frente a pandemia do COVID-19, a empresa cortou em até 50% o salário dos seus funcionários, além de colocar outros milhares em licença não remunerada. Dois meses após essas medidas, a gigante aérea demitiu 1.850 trabalhadores na América Latina e agora ameaça mais demissões no Brasil. Sem contar as demissões de funcionários terceirizados que faziam parte da operação LATAM.

Na LATAM no Brasil o CEO, que é um Diretor Executivo da empresa, disse apostar como medidas frente à crise no processo de discussão com o governo junto ao BNDS para um auxilio de 2 bi., em todos os países a empresa busca ajuda do governo para usar do dinheiro público, para manter seus lucros. Segundo o CEO no Brasil essa discussão já esta em estágio avançado. Não só com a LATAM, mas também com a Gol e AZUL

Mesmo com essa possível ajuda bilionária, a LATAM quer usar da crise para aumentar sua taxa de exploração, impondo uma condição de trabalho ainda mais precária e exposta. A segunda medida para responder a crise será segundo o CEO a maior flexibilização do trabalho, revisão de todos os acordos coletivos e “diminuição da empresa” em até 40%, ou seja demissões. Um ataque sem proporções.

Recebemos relatos de alguns trabalhadores da empresa que denunciam essa situação, vamos ler: “Estamos trabalhando desde o inicio da pandemia com medo, é medo da doença, mas principalmente das demissões. Seguimos atendendo centena de passageiros e fazendo esse aeroporto funcionar enquanto nos expomos ao COVID-19 e expondo nossas famílias, contudo após todo esse trabalho vamos ver a nós mesmo e nossos colegas na rua, sem salário num momento de crise e pandemia, é revoltante”.

“Além de já estarmos com salários cortados, todos os dias a direção da empresa pressiona falando das demissões, os assédios e punições vem sendo mais freqüentes. Isso porque já vínhamos de uma condição de trabalho com poucos funcionários, horas extras sem fim e muito assédios dos passageiros e pressão da chefia. Além de um salário que se desvalorizou enormemente por anos, agora a empresa diz que não tem dinheiro, mas e os enormes lucros da alta temporada? quando trabalhávamos sem tempo para ir no banheiro ou beber água? Nos tiraram o sangue e agora querem nos jogar na rua falando que não tem dinheiro? Não é possível se conformar com essa situação”

“Também queria falar dos terceirizados, vivíamos com eles na operação, nos ajudavam em tudo, levavam as malas, os passageiros cadeirantes, nos ajudavam em tudo que podiam e foram os primeiros a serem demitidos, todo dia na operação é uma ausência, do amigo e companheiro de trabalho que foi para a rua, e agora como faz para conseguir outro emprego e sustentar a família?”

Essa situação dramática se contrasta com a realidade dos acionistas que se dizem sem dinheiro: a LATAM anunciou que dispõe de um capital de US$ 1,3 bilhão. Segundo o CEO Roberto Alvo, com a medida do capitulo 11 esperam conseguir um fundo de reestruturação de 2 milhoes de dólares, enquanto os dois principais grupos acionistas (a família Cueto chilena e a Qatar) já se comprometeram a pagar US$ 900 milhões.

Os trabalhadores demitidos no Chile lançaram uma carta pela readmissão, onde denunciam essa contradição gritante: como há poucas semanas atras eram divididos 57 milhões de dólares entre os acionistas da empresa. Quase uma provocação às famílias dos demitidos que não tem como se sustentar em meio a pandemia e a crise.

Não podemos tolerar esta situação, em que grandes empresários demitem trabalhadores deixando milhares de famílias mergulhadas na incerteza, enquanto seguem suas vidas luxuosas e com o auxilio do Estado às suas empresas.

Precisamos perguntar: se eles dizem que estão em crise porque não abrem todos os arquivos de contabilidade da empresa? As empresas aeras fazem parte de um setor estratégico de logística, transporte de passageiros e controle de fronteiras, se a empresa esta falindo, defendemos em matérias da rede internacional de diários que sejam estatizadas sem indenização a esses empresários que lucraram por anos, e que seja colocada a funcionar administrada pelos próprios trabalhadores. Que esteja a serviço de levar insumos, alimentos, médicos tudo para ajuda a salvar vidas nessa crise.

Agora em Guarulhos há 180 colombianos, incluindo bebes e crianças, expostos ao vírus e dormindo no chão, que não conseguem voltar para suas casas devido a ganância das empresas e suas altas tarifas. Em uma empresa administrada pelos trabalhadores essas pessoas já teriam retornado

Por isso para enfrentar a precarização, as demissões e a pandemia a nossa única saída é se organizar e que os sindicatos que até agora sequer apareceram no aeroporto e estão negociando nossas vidas pelas costas dos trabalhadores deveriam estar a frente de organizar essa luta, com uma campanha internacional pela reincorporarão de todos os demitidos, mais nenhuma demissão e qualquer retirada de direitos.

 
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