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Viernes 18 de Septiembre de 2020
14:28 hs.

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TEORIA
O significado do militante operário para uma resposta a crise que vivemos
Iuri Tonelo
São Paulo

A época de aparente calmaria no mundo e no Brasil parece ter ficado definitivamente pra trás. Foi colocado à geração atual o enorme desafio de enfrentar os políticos, os empresários e poderosos no Brasil em meio a uma crise econômica e uma crise política. Os capitalistas irão nos oferecer apenas mais exploração e cortes de direitos, porque querem manter sua vida de privilégios e riquezas. O que nós, trabalhadores, podemos oferecer?

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A época de aparente calmaria no mundo e no Brasil parece ter ficado definitivamente pra trás. Foi colocado à geração atual o enorme desafio de enfrentar os políticos, os empresários e poderosos no Brasil em meio a uma crise econômica - que os leva a querer descarregar seus prejuízos nos trabalhadores e mais pobres - e uma crise política, que tem feito se acirrar a disputa mesquinha por fatias do poder entre os partidos dominantes, com todo tipo de politicagem, venda de votos, corrupção, em suma, demonstração de que os políticos dos partidos dominantes fazem toda sua política sem nenhuma ligação com ideais ou anseios da população trabalhadora.

Em momentos em que o país vive certa estabilidade no capitalismo, os políticos, juntos a grande mídia, tentam utilizar mecanismos para acalmar os ânimos e garantir lucros ainda maiores aos banqueiros e empresários. Foi assim que no nosso país o PT de Lula e Dilma buscou formas de enganar os trabalhadores, oferecendo altos volumes de crédito para consumo dos trabalhadores, financiando monopólios da educação privada para garantir vagas de ensino de faculdades despreparadas, criando empregos precários (chamados por economistas do governo de “trabalhadores pobres”), sem estabilidade.

Quando a crise veio, foi tudo “pelos ares”: demissões e desemprego, inflação, dívidas enormes e impagáveis com seus juros altos, perda de bolsas de financiamento na faculdade. O sonho virou pesadelo e quem paga são os trabalhadores.

Em momentos como esse se coloca mais importante do que nunca a perspectiva prática de buscar mudar o mundo, não aceitar o que nos é imposto, ter iniciativa. Os capitalistas, empresários e banqueiros irão nos oferecer apenas mais exploração e cortes de direitos, porque querem manter sua vida de privilégios e riquezas. O que nós, trabalhadores, podemos oferecer?

Um dos fundadores da concepção de mundo histórica e científica dos trabalhadores, Karl Marx, dizia que a unificação cada vez mais ampla dos trabalhadores era um dos aspectos mais importantes de aprendizado em suas lutas; sua consciência de que faz parte da mesma classe dos explorados, junto ao operário fabril, o motorista de ônibus, o gari da limpeza, o funcionário da universidade, em suma, os distintos ramos em que trabalhamos e que se percebemos nossa força e construirmos uma unidade política, estaria perdido o poder dos dominantes e sua gana de exploração.

Por isso a luta comum em cada greve e mobilização dos trabalhadores é um elemento fundamental de construir essa força social. O problema é que isso é apenas o primeiro passo, já que os poderosos tem a mídia, os políticos dominantes, a justiça, a polícia etc, todos a seu favor. Então os trabalhadores tem que construir uma organização, um instrumento político, que possa fazer frente a força dos burgueses.

Essa organização na pode repetir os erros do PT, que achava que transformaria a política fazendo alianças com os corruptos em cima. Deve, em primeiro lugar, ter clareza dos objetivos, que são libertar os trabalhadores da dominação dos empresários e banqueiros e a construção de uma nova sociedade emancipada; além disso, deve saber que os poderosos não vão “largar o osso”, mas será necessário muita força dos trabalhadores para modificar a situação e transformar o mundo: será necessário uma completa revolução social, que mude de cima a baixo a sociedade.

Essa organização para ter toda essa força deve se constituir como um partido, mas não um partido qualquer. Um partido de trabalhadores, orientado pela revolução social e com nossos métodos e não os da política corrupta que vemos hoje.

Ou seja, deve se construir nas lutas, estimulando a auto-organização de cada local de trabalho, formando conselhos (sovietes, no russo) que possam ser os organismos pelas bases da luta dos trabalhadores e mesmo o embrião das coordenações dos bairros, regiões e mesmo cidades (já mais organizados) pela política operária. São como se fossem os alicerces da construção que deve levar a um governo dos trabalhadores, com plena democracia nas bases, mas se enfrentando frontalmente contra a burguesia que queira retomar a velha exploração capitalista.

Um governo dos trabalhadores permitira a planificação da economia e do conjunto da sociedade, revolucionando nossa produção em prol de nossas necessidades e não dos lucros das empresas. Uma revolução na educação, na saúde, um transporte público controlado e organizado pelos usuários trabalhadores. Permitiria arrancar a ciência da mão dos que querem pesquisar por dinheiro, e passar aos que querem fazer uma ciência ligada a vida da população. Permitiria abrir as salas dos caros cinemas, teatros, espetáculos para toda a população, levando arte e cultura para os que nunca tiveram acesso. Um governo de trabalhadores livremente associados, e não onde o dinheiro é o senhor e a vida é escravizada.

Para chegar a isso, precisamos construir as forças para essa luta. Precisamos criar uma atuação política que consiga difundir com toda capacidade possível as ideias dos trabalhadores, com jornais, sites, panfletos. Mas também deve ter um funcionamento comum para nossa atuação nas greves e mobilizações práticas dos trabalhadores. Uma organização com absoluta liberdade de discussão, mas focada em mudar a realidade dos trabalhadores, nesse sentido, com uma prática comum para “batermos com um punho só” nos dominantes.

Voltando a nossa realidade, esse é o convite mais verdadeiro que podemos nos fazer. Não ficar apenas observando a crise econômica devorar nossas condições de vida e uma crise política pela divisão entre os dominantes de como será o “ajuste” contra nós, mais ou menos forte. Devemos dar uma resposta dos trabalhadores, dos que realmente fazem as coisas serem produzidas e reproduzidas no Brasil, que fazem o “mundo social girar”.

Se podemos botar uma fábrica para funcionar sem o patrão. Se podemos botar os metrôs para rodar sem os chefes, se podemos dar educar nas escolas sem supervisores, nós podemos também dar uma resposta à essa crise política. Para isso precisamos dos trabalhadores que estarão à frente de levar essa ideia a diante, dos que querem dedicar sua energia para transformar o mundo: os militantes operários.

Essa é a ideia que devemos levar para dar uma resposta positiva a exploração, as humilhações, a tristeza do mundo atual: façamos uma atuação política para que nenhum trabalhador fique para trás, nenhum operário seja demitido, nenhuma família fique desamparada e liguemos isso a perspectiva de transformação do nosso país e do mundo, militemos revolução social, militemos pelo socialismo.

 
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