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Viernes 10 de Abril de 2020
04:06 hs.

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ROBERTO ALVIM
Alvim interpreta líder Nazista e defende cultura como propaganda conservadora e nacionalista
Redação

Ontem (16), a Secretaria Especial da Cultura publicou um pronunciamento de Roberto Alvim, atual secretário nacional da cultura. Em seu pronunciamento, Alvim copiou frases de um discurso de Goebbels, além do cenário muito similar a uma fotografia do ministro de Hitler.

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Ontem (16), a Secretaria Especial da Cultura publicou um pronunciamento de Roberto Alvim, atual secretário nacional da cultura, para divulgar uma nova política de premiação de produções artísticas no país. O vídeo, que durante a noite ainda era um fracasso em visualizações e curtidas, logo tomou as redes sociais por um motivo específico: Alvim imitava o ministro da Propaganda Nazista, Joseph Goebbels.

Em seu pronunciamento, Alvim copiou frases de um discurso de Goebbels, além do cenário muito similar a uma fotografia do ministro de Hitler e, para ir ainda mais longe, a trilha sonora do vídeo é ópera "Lohengrin", de Richard Wagner, compositor alemão celebrado pelo líder.

Em uma biografia de Goebbels, de Peter Longerich, o ministro nazista afirmou: "A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada".


Joseph Goebbels - minsitro da Propaganda e um dos braços direitos de Hitler

No vídeo, Alvim praticamente cita a mesma frase transpondo ao contexto nacional, afirmando que será um momento histórico para as artes no Brasil e que 2020 será este ano. Alvim diz que a cultura sob Bolsonaro terá inspiração nacional, religiosa. “2020 será o ano do renascimento da arte e da cultura do Brasil", encerra e, assim como os nazistas na Alemanha, atribui a toda arte anterior um caráter de abjeta e vulgar.

"A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada", diz Alvim no vídeo.

Não é segredo algum que Bolsonaro e sua base aliada exaltam o que há de mais sórdido da extrema-direita na história mundial. Não somente exaltam a ditadura militar, homenageando torturadores responsáveis pelo assassinato de milhares, bem como exaltam a extrema-direita e o fascismo e suas bases.

Em seu vídeo, Alvim fala também sobre resgatar os “mitos fundacionais” da sociedade, se referindo ao que há de mais reacionário e conservador do obscurantismo religioso. Não é a primeira e a última vez que Alvim ataca as produções culturais brasileiras e batalha para fazer de toda produção cultural propaganda ideológica da direita e dos fundamentalistas religiosos.

Anulando todo o riquíssimo passado dos movimentos e produções culturais no Brasil, Alvim afirma que serão novos tempos e, as premiações, irão privilegiar as óperas mais do que quaisquer outras categorias. Elitista e reacionário, Alvim além de parecer um boneco ventríloquo de filme de terror, deixa uma importante mensagem sobre o papel da arte e da cultura para moldar e convencer ideologicamente os indivíduos.

Assim como seu ídolo Goebbels, Alvim partirá para cima dos artistas que se posicionam contrários ao governo Bolsonaro e que produzem materiais artísticos com o propósito de questionar não só seu governo, mas a sociedade de conjunto.
Goebbels não é somente um “nazista” que Alvim aparentemente idolatra. É um ideal político. O ministro foi um dos grandes responsáveis por elevar o tom de propaganda política do nazismo na Alemanha, lançando mão do uso de filmes e rádios para disseminar conteúdo antissemita e anticomunista. Era o principal propagandista do partido de Hitler. Braço direito do líder nazista. Não era “só uma figura bizarra”. Ao retomar esse símbolo de um ideal, Alvim mostra em quê ele de fato quer transformar a cultura no Brasil.

Portanto, muito diferente do que propagandeia este governo, não há “posição isenta”, seja nas artes seja na educação.

O projeto “escola sem partido”, o ataque às universidades públicas e à cultura, são parte de um projeto ideológico da extrema-direita, que manipula dados, persegue e demite aqueles que discordam. A censura do filme de Marighella e da exibição gratuita do filme A Vida Invisível, a perseguição ao Porta dos Fundos, são parte do projeto reacionário deste governo.

Mais do que nunca, é necessário resgatar a história de luta por trás do cinema, teatro, literatura, música e pinturas, retomando o que há de mais rico no movimento artístico brasileiro profundamente enraizado nos contextos políticos de luta e resistência. É imprescindível combater o avanço da extrema-direita que segue atacando artistas e suas produções, destruindo o acesso à cultura no Brasil e falsificando a história.

Veja também: Bolsonaro quer fazer da Funarte órgão de propaganda e indica Roberto Alvim para direção

Relembre: Roberto Alvim, diretor de teatro de extrema direita, é nomeado para secretaria de cultura

O Esquerda Diário falou com personalidades do meio artístico-cultural sobre o ocorrido. O professor da Escola de Belas Artes da UFMG, Guilherme Bueno, comentou o fato do indivíduo exaltar arte nacionalista e colocar música alemã como trilha sonora do vídeo. Para Flo Menezes, compositor de música de vanguarda, "o pronunciamento de clara filiação nazo-fascista do Ministro da Cultura, Alvim, nada mais faz que ecoar, em tom autoritário, retrógrado e provinciano, o mesmo tom inculto, truculento, ignorante e profundamente reacionário do desgoverno Bolsonaro. Trata-se de um discurso perigoso que bem retrata um dos piores momentos de nossa história, contra o qual temos que nos rebelar de modo radical, defendendo o internacionalismo e as vanguardas política e artística!"

Há pouco, Bolsonaro declarou a queda do secretário. Este é o mínimo que deveria ser feito após fato tão escandaloso. Não podemos desconectar esse avanço da extrema-direita no âmbito da arte, da cultura e da ideologia de uma preparação de terreno para facilitar a continuação da implementação de seus planos de ataques econômicos aos trabalhadores e setores mais precarizados da população, como a reforma administrativa que Paulo Guedes quer encaminhar o mais rapidamente possível.

Atacar a arte e a cultura é a maneira que esse governo busca de tentar calar os setores mais críticos e mais progressistas da população. Os setores que têm toda a potência de escancarar a nível de massas as falácias das reformas liberais destes que querem arrancar nosso futuro.

(Atualizado 12h50)

 
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