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Sábado 18 de Enero de 2020
12:41 hs.

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DESEMPREGO NEGROS
Desemprego entre os negros aumenta e é pior do que entre os brancos no governo Bolsonaro
Redação

Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE nesta terça feira (19), a população que se declara preta ou parda está para trás em praticamente todos os indicadores. Mulheres negras sofrem especialmente, amargando, além das maiores taxas de desemprego, os piores salários.

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Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os negros foram o único grupo que sofreu aumento do desemprego no último trimestre. Entre os autodeclarados pretos, o desemprego subiu de 14,5% para 14,9%, enquanto entre brancos, o desemprego caiu de 9,5% para 9,2%. São 23 mil pretos e pardos desempregados a mais do que no mesmo trimestre do ano passado.

A taxa de desemprego entre pardos, especificamente, caiu. Mas o desemprego entre negros segue puxado para baixo pelo desemprego esmagador entre os pretos. Entre brancos, 174 mil saíram do desemprego, entre pardos, o número foi de 86 mil.

Enquanto 4,8 milhões de desempregados buscam trabalho há pelo menos 1 ano, vemos que Bolsonaro mentiu quando diria que seus ataques aos direitos trabalhistas, como a previdência, devolveria emprego à população. Agora eles são mais precários e a realidade para a população negra é de desemprego crescente.

Em termos salariais, só os brancos viram um aumento no rendimento do salário (R$ 3.074 - R$ 27 a mais que nos meses anteriores), enquanto pretos e pardos viram quedas médias de R$ 12 e R$ 8 em seus rendimentos, respectivamente, para R$ 1.660 entre negros e R$ 1.690 entre pardos. Na pirâmide de rendimentos, homens brancos ocupam o topo indisputado. Para cada R$ 1.000 recebidos por homens brancos, mulheres brancas receberam R$ 758; homens negros, R$ 561 e mulheres negras meros R$ 444.

Ainda segundo o estudo, negros seguem sub representados no ensino superior. Apenas 35,4% dos pretos e pardos alcançam o ensino superior, comparado a 53,2% da população branca. Uma das maiores razões é o abandono do ensino para buscar trabalho. Das pessoas entre 18 e 24 anos que abandonam o ensino médio para buscar trabalho, 61,8% são negros.

131 anos após a proclamação da chamada abolição, por meio da lei Áurea, negros ainda sofrem com os efeitos nefastos de séculos de escravização e décadas mais de perseguição institucional aberta no pós abolição.

A realidade do negro no trabalho prova como o capitalismo brasileiro depende da superexploração dos corpos negros para promover o seu "desenvolvimento" e a espoliação imperialista do nosso suor. Miserabilizar as vidas negras permite aos patrões imporem condições de trabalho e salário degradantes ao conjunto da classe trabalhadora, inclusive branca. A terceirização, que no Brasil tem rosto de mulher negra, é apenas uma prova disso.

O Estado brasileiro impõe, até hoje, o racismo institucional que persegue e mata os negros todos os dias, mantendo sua condição subjugada, sob a qual foi construído o capitalismo brasileiro.

Uma realidade que é escancarada também com a morte de Agatha, que segundo inquérito foi assassinada pela Polícia Militar, além de que não houve nenhum confronto no local, como alegou o governador Witzel.

Esse dia da Consciência Negra é dia de lembrar a luta do povo negro contra a perseguição e a criminalização que sempre foi levada a frente pelas elites escravocratas e racistas do Brasil. É fundamental retomar os debates sobre a estratégia necessária para unificar a luta negra com a da classe trabalhadora, capaz de romper com esse sistema de exploração e de racismo sanguinário.

Por isso, o Esquerda Diário está sendo parte do lançamento da edição ampliada do livro "Revolução e o negro", confira a agenda de lançamentos:

Por isso, o Esquerda Diário está sendo parte do lançamento da edição ampliada do livro "Revolução e o negro", confira a agenda de lançamentos: Edições ISKRA lançam A revolução e o negro: um diálogo entre os negros do mundo

 
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