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Jueves 5 de Diciembre de 2019
17:45 hs.

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JUDICIÁRIO MACHISTA
Juíza diz que feminismo colabora com “degradação moral” e defende canto machista em faculdade
Redação

Juíza de Franca (SP) alega improcedente ação contra canto degradante e machista em faculdade de Medicina e diz que “o movimento feminista apenas colaborou para a degradação moral que vivemos”.

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A juíza Adriana Gatto Martins Bonemer, da 3ª Vara Cível de Franca (SP), julgou improcedente uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de São Paulo nesta terça-feira, 5. A ação era contra um estudante de Medicina que, durante um trote, obrigou os calouros a fazerem “juramentos” machista abomináveis. Parte do canto entoado pelos estudantes dizia: “Prometo usar, manipular e abusar de todas as dentistas e facefianas que tiver oportunidade, sem nunca ligar no dia seguinte [...] Juro solenemente nunca recusar a uma tentativa de coito de veterano, mesmo que ele cheire cecê vencido e elas, a perfume barato”.

Frente a isso, o Ministério Público moveu a ação contra o estudante que encabeçou o trote. Na ação, dizia: “expressões de conteúdo machista, misógino, sexista e pornográfico, expondo-os à situação humilhante e opressora e ofendendo a dignidade das mulheres ao reforçar padrões perpetuadores das desigualdades de gênero e da violência contra as mulheres”.

A juíza que a julgou improcedente justificou a medida escancarando seu próprio reacionarismo de maneira inequívoca: “Apesar de vulgar e imoral, o discurso do requerido não causou ofensa à alegada coletividade das mulheres, a ensejar a pretendida indenização. O requerido não se dirigiu ’às mulheres’ em geral [...] Sequer vislumbro a existência do pretendido ’coletivo’ de mulheres. Os indivíduos do sexo feminino não são iguais e não possuem os mesmo valores […] a inicial retrata bem a panfletagem feminista, recheada de chavões que dominam, além da esfera cultural, as universidades brasileiras”. “É bom ressaltar que o movimento feminista apenas colaborou para a degradação moral que vivemos, bem exemplificada pelo ‘discurso’ que ora se combate."

Não se contentando em emitir sua opinião execrável sobre o teor do feminismo, a juíza resolveu dar uma “aula de história” de acordo com sua visão reacionária do movimento feminista: “A revolução sexual das mulheres é a mancha da segunda onda do movimento, que começou pedindo direitos políticos e melhores condições sociais e terminou, para chegar lá, gritando por pilulas anticoncepcionais e abortivas; por liberação sexual e aceitação pública da degradação de seus corpos e almas”.

O sermão sobre a “degradação do corpo e alma” das mulheres, que pareceria mais ambientado em um púlpito de Igreja, veio, no entanto, de uma representante do Estado que o utilizou para legitimar uma prática monstruosa e opressiva que ocorre cotidianamente nas universidades brasileiras. O episódio ilustra duplamente o retrato da degradação moral, essa sim, da classe dominante brasileira. Os trotes de caráter reacionário e opressor são a regra, tanto mais quanto mais forem elitistas os cursos – não à toa os cursos de medicina são recordistas nesse quesito. Por outro lado, o judiciário – que provém das faculdades de direito que frequentemente entoam cantos com o mesmo teor que foi aprovado tacitamente pela juíza – também mostra nesse caso seu rosto sem disfarces: o de mantenedor das práticas sociais mais opressoras e bárbaras, resguardados pelo manto de seus privilégios de classe. Por essas e outras é necessário que os juízes sejam eleitos, revogáveis e que ganhem um salário de professor.

 
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