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Viernes 15 de Noviembre de 2019
15:44 hs.

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UFES
Entre monarquistas e olavistas, direita prepara o terreno para disputar reitoria da UFES
Faísca - UFES

Os estudantes precisam preparar uma resposta independente para combater a direita, adepta a Olavo de Carvalho e o monarquismo (sic), que disputará reitoria na UFES.

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Imagem: Fernando Madeira/ A Gazeta

A UFES é uma das universidades que mais sofre com o corte de verbas realizado por Bolsonaro e Guedes, sofrendo restrições que causam efeitos já sentidos pelos estudantes, professores e funcionários da universidade. O Ifes, também no Espírito Santo, corre o risco de fechar as portas.

No dia 12 de agosto, antes mesmo do início das aulas do segundo semestre, os estudantes receberam um aviso acerca dos efeitos da austeridade que afetarão o cotidiano da universidade. As ajudas de custo para eventos e estudantes foram cortadas, 50% de corte nas despesas de manutenção de equipamentos, consumo e área verde, diminuição da frequência de limpeza pelo campus, fim do uso do ar condicionado (a não ser em lugares específicos), além de cortes com transporte e veículos em viagens.

Se aproxima o processo de eleição da reitoria da UFES num contexto marcado pelas declarações de Bolsonaro, com diversos ataques à educação como o Programa Future-se (1), a ameaça a mais de 70 mil bolsas de pós graduação e os duros cortes na educação que já afetam o cotidiano de diversas universidades pelo país.

E a direita que saiu diretamente dos bueiros com Bolsonaro já se manifesta para disputar as eleições da reitoria. Nos últimos dias, foi veiculado nas redes sociais uma articulação que está sendo feita com a jornalista, Taís Venancio e o Prof. Ricardo da Costa, homem que já falou em um ultraconservador encontro monarquista, defendendo a monarquia como o suprassumo da política. Veja Abaixo:

A direita que quer tomar a reitoria da UFES quer voltar à roda da história. Inclusive, Olavo de Carvalho já declarou apoio a Ricardo, se este se tornar candidato, o que ele ainda não confirma. O guru da direita segue intervindo para lutar contra seu fantasioso do "marxismo cultural", atacando jovens, professores e trabalhadores que são críticos ao modelo de universidade e sociedade vigentes.

A direita ultrarreacionária não pensará duas vezes em intervir no processo eleitoral para garantir que vença, mesmo que perca nas eleições. O governo já interviu autoritariamente em 6 das 12 consultas realizadas nacionalmente até agosto e na UFES necessitamos estar preparados se esse cenário se confirmar, para responder com nossas próprias forças através de uma forte mobilização.

A direita que quer adentrar a reitoria da UFES, além de não acreditar na democracia, nem mesmo na limitada democracia burguesa que vivemos, tem um projeto elitista de ensino superior. Seu projeto é submeter ainda mais o conhecimento para os empresários, aprofundar a austeridade, seguindo a política de Bolsonaro, e piorar ainda mais as condições infra-estruturais da universidade.

É necessário que o movimento estudantil defenda a autonomia universitária das garras de Bolsonaro, que acaba de nomear um reitor na Universidade Federal do Ceará (UFC) com apenas 4% dos votos. Com um queridinho do Olavo de Carvalho na disputa, é possível que estejamos diante de uma nova intervenção que fere o direito da universidade decidir seus próprios reitores.

Em meio a essa situação não se pode acreditar que qualquer manobra do regime universitário ou decisões por cima poderiam impedir uma ofensiva de Bolsonaro, quando ele próprio é produto das eleições mais fraudulentas da história recente do Brasil, armadas pelo autoritarismo judiciário de Moro e da Lava Jato, em meio à prisão arbitrária e sem provas de Lula, para garantir os ataques aos trabalhadores.

É necessário um movimento amplo que questione a universidade de classe

Um movimento que combata esse possível ataque também necessita ir além e debater as raízes por que a UFES não produz conhecimento científico para a classe trabalhadora. Por que motivos a ampla gama de assuntos estudados não se torna melhora de vida para a população que sofre com a carência de serviços básicos no seu dia a dia.

É preciso que se organize um amplo apoio nas ocupações que já tomam a reitoria de 3 universidades que sofreram intervenções de Bolsonaro, a UFFS, em Santa Catarina, a UFG em Goiás e a UFC no Ceará. A partir desse grande exemplo dado por esses estudantes, ampliar e coordenar a luta contra os cortes da educação e pela autonomia universitária.

Devemos nos opor a possível tentativa de intervenção de Bolsonaro como um ataque frontal a autonomia universitária, porém, não podemos deixar de lado a insuficiência do modelo atual para que a universidade de fato sirva aos trabalhadores e o povo pobre, sendo a existência da reitoria um dos entraves para que isso ocorra.

Por isso propomos que a estrutura de poder na universidade seja em base ao sufrágio universal, cada cabeça um voto, e um governo democrático de estudantes, professores e técnicos, com maioria estudantil, com o fim da reitoria e do conselho universitário atual. Assim podemos avançar para colocar o conhecimento produzido pela universidade a serviço dos trabalhadores e o povo pobre.

Notas:

(1) O Future-se se configurar como um grande ataque e aprofundamento do caráter de classe da universidade, por meio da participação gestora e financeira de grupos empresariais nas atividades de ensino, de pesquisa e de extensão no ensino superior e Institutos Federais de Educação.

 
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