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Sábado 17 de Agosto de 2019
20:29 hs.

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TÁBATA AMARAL
Tábata Amaral vota com Bolsonaro e Maia pelo fim da aposentadoria e grava vídeo com fake news
Redação

Tábata Amaral diz sim à reforma da previdência e justifica com 4 fake news em vídeo, fazendo coro com a mídia, Bolsonaro e o centrão sobre essa reforma ser contra privilégios e necessária para o crescimento do Brasil, em vez de denunciar o crescimento do bolso de políticos, juízes, empresários, militares, latifundiários e de toda sorte de bilionários que serão os únicos beneficiados por este ataque.

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Veja vídeo em que Tábata tenta "se explicar" sobre sua posição que a coloca como inimiga dos trabalhadores:

Fake news 1 - "Meu voto pela reforma da previdência é um voto por consciência. Não é um voto vendido, não é um voto por emendas. (...) Quem me conhece sabe da minha luta pelos mais pobres, sabe da minha trajetória."
Primeiro de tudo é preciso limpar o terreno sobre quem é Tabata Amaral. Qual é sua trajetória? A jovem que despontou sendo defensora da educação é financiada por Jorge Paulo Lemann, um dos homens mais ricos do Brasil. Tábata foi uma de suas candidatas em 2018, cujos estudos em Harvard foram financiados pela Fundação Estudar, uma fundação iniciada por Lemann, Marcel Teles e Beto Sicupira na década de 1990 para treinar CEOs de empresas e bancos de renome. E é por isso que cada dia mais, vai demonstrando que não passa de mais uma voz com um rosto novo, para uma velha política voltada para banqueiros e empresários, ávidos por reformas que joguem nas costas da população pobre a crise.

Fake news 2 - "E hoje a previdência tira dinheiro de quem menos tem e transfere para os mais ricos. Ela aumenta a desigualdade do Brasil em 1/5, e é um impasse para o desenvolvimento do país. Ser de esquerda não pode significar ser contra um projeto que de fato pode tornar o Brasil mais inclusivo e mais desenvolvido".
Não existe lenda urbana maior que a da reforma da previdência que diminui a desigualdade e combate privilégios. O projeto de reforma da previdência, que é vendido pela grande imprensa como mais “igualitário”, garante aos militares o salário que recebiam no fim de carreira, e ainda criaram um nível hierárquico. Juízes e promotores também terão garantidos seus vencimentos atuais. Políticos também têm a chance de passar no plenário do Congresso uma regra de transição mais leve “para não perder direitos”. Isso num país em que 60% dos aposentados recebem um salário mínimo. Ainda para ficarmos no projeto, nele está embutido um dispositivo que isenta o agronegócio de pagamento do INSS, deixando de entrar no orçamento público (saúde, educação e transporte) mais de R$ 80 bilhões.
Enquanto para os políticos, juízes e barões do agronegócio essa reforma é só alegria, para os trabalhadores e a população é o fim do direito à aposentadoria. O projeto aumenta o valor das alíquotas de contribuição previdenciária, a idade mínima para os trabalhadores se aposentarem (65 anos de idade para os homens e 62 para as mulheres), além de diminuir o valor do pagamento da aposentadoria. "É preciso que todos apertem o cinto", eles dizem, mas afroxam suas calças enquanto colocam a corda em nosso pescoço.

Fake news 3 - "Um passo importante, aquele que é possível, para que a gente possa crescer de forma fiscalmente responsável, para então distribuir renda"
A reforma da previdência que ajuda a distribuir renda: temos aqui mais uma fake news. Voltemos a Jorge Paulo Lemann, financiador de Tabata Amaral. O bilionário é o segundo homem mais rico do Brasil e o 35º do mundo na edição 2019 do ranking de bilionários do mundo da Forbes. É de conhecimento público que sua riqueza vem de grupos como a Anheuser-Busch InBev, holding que controla a cervejaria Ambev, a Kraft Heinz, dona do ketchup Heinz, e o Restaurant Brands International, proprietário do Burger King. O que isso tem a ver com a reforma da previdência? Empresários como Lemann são os mais entusiastas desta reforma. Isso porque ela é um investimento incrível para seus negócios: ela garante que tenham mais trabalhadores no mercado de trabalho e consequentemente salários mais rebaixados. Isso porque os jovens trabalhadores terão que competir por postos de trabalho com os mais velhos, que terão que trabalhar até morrer para garantir sua sobrevivência. E quanto mais desemprego, mais aceitação em se colocar em postos precários com salários baixos.
Outra grande satisfação para empresários investidores como Lemann é que com os recursos da reforma se promete resolver a "crise fiscal" brasileira, que não significa nada mais do que garantir recursos do Estado para o pagamento da dívida pública, uma dívida interminável que vai direto para o bolso de banqueiros e empresários internacionais, que compromete basicamente metade do orçamento da União. A única "distribuição de renda" que essa reforma garantirá é entre os 12 banqueiros detentores dos títulos da dívida pública e empresários bilionários como o colega de Tábata.

Fake news 4 - "A reforma que hoje votamos não pertence ao governo, ela sofreu diversas alterações por este mesmo congresso. (...) O sim que digo à reforma não é um sim ao governo"

A reforma que tramita hoje na Câmara passou por alterações, mas o que essas alterações mudaram em sua essência? A retórica de que essa reforma que está na Câmara é diferente e, portanto, é justa é mais uma das mentiras. Não por acaso ela segue agradando bilionários, que hoje, apenas por verem um cenário minimamente favorável para sua aprovação, investiram na bolsa que mais uma vez bateu recordes. Não podemos nos enganar: o fogo de palha desses investimentos não tem nada a ver com trazer crescimento para o Brasil e acabar com o desemprego, pelo contrário: em um cenário de crise internacional, só o que estão reservando para a população pobre é mais precariedade e mais ataques, como Guedes já quer planejar em reunião com os secretários amanhã (11).

Outras figuras ditas de "esquerda" como governadores do PT e do PCdoB do Nordeste também mostram as caras nesse cenário. Por não quererem ficar manchados pela aprovação desses ataques aos direitos da classe trabalhadora nos seus estados, tentam empurrar os servidores públicos no atual projeto de reforma previdenciária. No alto, os partidos PT e PCdoB se dizem contra a reforma da previdência, mas negociaram nosso futuro com o Congresso através da política das centrais sindicais que dirigem (CUT e CTB), não construindo um plano de lutas e mobilizações ou diretamente enterrando possibilidades de levantes.

Desta forma, o sim de Tabata à reforma e a omissão do petismo são também um sim ao governo Bolsonaro, herdeiro do golpe promovido pela lava-jato, aos planos privatistas de Paulo Guedes e à toda a política neoliberal da burguesia que quer despejar a crise nas costas dos trabalhadores, nos fazendo pagar a ilegal, ilegítica e fraudulenta dívida pública para o bolso de banqueiros, capitalistas e empresários nacionais e estrangeiros.

 
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