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Sábado 17 de Agosto de 2019
23:13 hs.

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PRIVILEGIADOS
Agronegócio está satisfeito e garantirá pelo menos 155 votos para trucidar previdência
Redação

Bancada do agronegócio será a bancada que mais aportará votos para acabar com direito à aposentadoria. São ao menos 153 votos segundo levantamento do Esquerda Diário.

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Prestes ao inicio da sessão que trucidará o direito à aposentadoria de milhões de brasileiros, um punhado de milionários sorri à toa. Junto a eles sorriem seus deputados. Levantamento do Esquerda Diário aponta que a bancada ligada ao agronegócio será a que mais aportará votos para consumar o sequestro do direito à aposentadoria. Para esse levantamento cruzamos dados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e do Estadão.

Essa realidade mostra a força da bancada eleita com o apoio do agronegócio. Mostra também como a luta pelos direitos trabalhistas e previdenciários, tal como a luta contra o imperialismo é inseparável de seu histórico porto seguro no país, a Casa Grande a nos colocar todos na senzala.

Não é segredo que o agronegócio está satisfeito com a reforma. Em primeiro lugar agradece por sua isenção de pagar INSS. Um negocio que custará 84 bilhões em dez anos e será pago com o sacríficio de direitos dos trabalhadores. Pagaremos todos a conta do latifúndio da soja, do algodão, do café e do boi.

Os latifundiários também estão agradecidos com a reforma pois ela fará todos brasileiros terem que trabalhar por mais anos e assim apostam que poderão pagar salários ainda mais escravistas aos boias-frias, aos trabalhadores por jornada e safra e mais ainda a todas modernas formas de escravidão assalariada agora “intermitente” e de “aplicativo”. Novidades que não deixam incólume o campo no país.

A infame FPA conta em seu site com uma listagem daqueles que são defensores oficiais de suas propostas, desde a liberação irrestrita de venenos, à ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários, passando por ataques a ataques aos direitos de populações indígenas e tradicionais.

A lista da frente enumera 225 deputados, tem forte peso de reacionários do PSL, Pode, PP, dos latifundiários históricos do DEM e do MDB, mas também de falsos opositores e progressistas do PT, PSB, PDT, e PCdoB, partidos que quando foram do governo federal ajudaram o agronegócio a se tornar o monstro que vemos hoje. Essa ajuda persiste em cada governo estadual desses partidos, e os membros desses partidos que fazem parte da FPA se concentram no nordeste, onde governam, e seus governadores atuam em pró da reforma de Bolsonaro, Maia, Guedes e da Bovespa.

Numerosas mídias estão fazendo “contagens” de votos antes da votação, levamos em consideração em nosso estudo o levantamento do Estadão, que no momento do fechamento dessa matéria (12:05 do dia 10/07) afirmava ver 308 votos certos pela reforma. Cruzando os dados nominais do Estadão e da FPA concluímos que os defensores parlamentares dos latifundiários darão 155 votos pelo fim do direito à aposentadoria, e somente 26 votos contrários, sendo que há 42 que declaram-se indecisos ou não quiseram responder, para melhor poderem barganhar vantagens bilionárias que Bolsonaro está oferecendo aos parlamentares.

A porcentagem de adesão da FPA à reforma é altíssima, 155/225, ou 68% e se levarmos em conta que muitos dos que não querem declarar aderirão, essa bancada mostrará sua satisfação com suas isenções bem como em fazer todos trabalharem até a morte.

Entre as forças capitalistas que primeiro aderiram ao então candidato Bolsonaro, um filho indesejado do golpismo, havia um claro peso do agronegócio, bem como de capitalistas ligados ao comércio e logística (Havan, Centauro, Dalçoquio, Localiza). No governo emplacaram a líder da CNA no Ministério da Agricultura e atuam para garantir seus negócios, mesmo que freando ímpetos de Bolsonaro em relação ao oriente médio e a China, comemoram recentemente a assinatura de pré-acordo de livre comércio com a UE que entregará o país, mas garantirá maiores lucros a esses mesmos beneficiários de sempre.

Os parlamentares que representam o agronegócio acompanham seus financiadores, bem como acompanham a forte disparidade regional na aprovação de Bolsonaro, que é muito mais aceito no sul e centro-oeste do que no sudeste e nordeste, a disparidade entre gêneros na aprovação também é gritante.

Essa disparidade regional e de gênero não é somente política, ela tem suas raízes no boom do agronegócio e na formação de uma camada pequeno-burguesa no campo, como mostrado nesse estudo, mas a estabilidade desse fenômeno social, majoritariamente masculino, é questionável pois também ocorre intensa proletarização nas mesmas regiões e uma proletarização que é intensamente feminina, como em nenhum lugar do país. O latifúndio e seus parlamentares fieis é provável que poderão brindar hoje até a fartura em um clube da Casa Grande e do bolinha. A luta de classes e o proletariado crescentemente feminino do país os acordará quando for possível superar os entraves postos pelo PT e seus governadores apoiadores da reforma e das burocracias sindicais que atuaram para frear , quando não diretamente trair, a luta contra a reforma da previdência.

 
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