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Viernes 23 de Agosto de 2019
07:28 hs.

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ESCOLA DE VERÃO REVOLUCIONÁRIA
Exitosa Universidade de Verão internacionalista e revolucionária no sul da França
Redação

Mais de 350 companheiros e companheiras dos grupos da organização internacional Fração Trotskista - Quarta Internacional da França, Estado Espanhol, Alemanha, Itália e outros países debateram sobre os principais acontecimentos da luta de classes, sobre teoria política, estratégia e os desafios da esquerda revolucionária na Europa, na II Universidade de Verão Internacionalista e Revolucionária.

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Entre os dias 3 e 8 de julho aconteceu a II Universidade Internacionalista organizada pelos grupos que impulsionam os jornais digitais Révolution Permanente da França, Izquierda Diario do Estado Espanhol, Klasse Gegen Klasse da Alemanha e La Voce della Lotte de Itália, integrantes da Rede Internacional de jornais digitais La Izquierda Diario.

Em meio a uma paisagem encantadora no sul da França, dezenas de oficinas, fóruns e debates sobre feminismo anticapitalista, luta de classes, crise ambiental e capitalismo, história das revoluções, movimento operário, marxismo e estratégia socialista foram realizados durante quatro dias. Aconteceram reuniões entre trabalhadores de diferentes países, entre delegações juvenis, atividades culturais, banhos no rio, esportes, palestras sob as estrelas e festas à noite.

"Foi uma grande experiência compartilhar e discutir com tantas companheiras e companheiros. Estou mais convencida de somar a este projeto revolucionário para transformar uma sociedade que à maioria dos jovens só oferece precariedade. Como foi dito várias vezes: queremos transformar tudo, porque nossa vida vale mais que seus lucros”, afirmou uma jovem de Madri antes de iniciar sua viagem de volta.

A luta de classes teve uma presença destacada em todos os debates, com o bônus de contar com relatos e reflexões de muitos de seus protagonistas: desde os coletes amarelos que abalaram a França nos últimos meses, os jovens argelinos que nos transmitiram as lições dos grandes levantamentos de massas na Argélia e no Sudão. Também estivemos junto às combativas trabalhadoras migrantes de Onet, que encabeçaram uma grande greve nas estações de trem de Paris, uma grande delegação de “cheminots” (ferroviários) que levaram adiante uma greve histórica, os trabalhadores precários de Tele Pizza do Estado Espanhol, as lutadoras Kellys que limpam os hotéis, os jovens precários de Deliveroo, organizadores do sindicalismo de base na Itália, trabalhadores do metrô e estudantes da Alemanha, jovens que participam das grandes mobilizações contra a mudança climática e centenas de companheiros que participaram do movimento internacional de mulheres junto ao Pão e Rosas em vários países da Europa.

Durante o primeiro dia houve várias oficinas que abordaram a luta contra o racismo, o patriarcado e o capitalismo; feminismo interseccional; a estratégia socialista para vencer; o pensamento de Trotsky e lições históricas sobre a revolução espanhola. Também se debateu sobre a importante experiência da Frente de Izquierda e o PTS na Argentina.

Durante a tarde ocorreu uma grande plenária sobre a nova onda do movimento de mulheres a nível internacional. Na mesa participaram Verónica Lenda, do Pão e Rosas do Estado Espanhol, Loli, trabalhadora ferroviária e militante do Pain et des Roses da França; Scilla do Il Pane e le Rose da Itália; Lily, de Brot und Rosen da Alemanha, e também Andrea D’atri, fundadora do Pão e Rosas da Argentina.

No segundo dia contamos com interessantes debates sobre a questão do feminismo e a prostituição, sobre a questão nacional da Catalunha e sobre a Revolução cubana.

O debate central desse dia estava dedicado a experiência dos coletes amarelos na França com Juan Chingo, autor do livro Gilets Jaunes. Le soulèvement e editor do Revolution Permanente, que apresentou algumas conclusões sobre este importante fenômeno, que teve como traço principal a intervenção disruptiva de setores periféricos do movimento operário, com uma nova subjetividade e elementos de radicalidade que não eram vistos há décadas. Apontou os pontos fortes, assim como os limites do movimento, e chamou a atenção para a responsabilidade das burocracias sindicais e da esquerda francesa em ter mantido um muro entre as tendências combativas dos Coletes Amarelos e os destacamentos centrais do movimento operário sindicalizado. As lições dessas primeiras batalhas puderam ser tiradas em um debate vivo e muito rico com a colaboração de dezenas de Coletes Amarelos presentes na universidade de verão.

No sábado pudemos desfrutar de uma conversa com a intelectual feminista François Verges, originária da ex colônia francesa da ilha Reunión, que falou sobre o feminismo anticolonial. Houve muita participação em outros debates sobre o populismo de esquerda, a União Europeia e o programa revolucionário.

Durante a tarde, houve duas importantes plenárias de trabalhadores e trabalhadoras e da juventude dos distintos países presentes na Escola.

O ápice do sábado foi o ato internacionalista, que concentrou grande parte das ideias que surgiram ao longo desses dias.

Yunus, um jovem camarada turco, dirigente estudantil na Alemanha e membro da Revolutionäre Internationalistische Organisation (RIO), iniciou o encontro com um discurso muito potente, denunciando o imperialismo alemão e as políticas do “capitalismo verde”. Giacomo Turci, da FIR da Itália, apontou contra as políticas da extrema direita, homofóbicas, misóginas e xenófobas do governo Salvini, que mantém as políticas econômicas do neoliberalismo.

O militante argelino Abdenour Maouche emocionou o auditório, destacando a revolta do povo argelino enquanto fecham 57 anos da independência da Argélia frente ao imperialismo francês.

Durante o ato houve uma intervenção pungente e combativa de Imen, amiga de Zineb Redouane que foi assassinada pela polícia depois que uma granada de gás lacrimogênio foi jogada na sua cabeça, quando estava numa manifestação dos coletes amarelos em Marsella. Imen leu uma carta escrita pela filha de Zineb, Milfet Redouane, saudando o ato e reivindicando a luta por Justiça por Zineb.

O público recebeu com aplausos calorosos uma saudação em vídeo enviada por líderes do PTS argentino, o deputado nacional Nicolás del Caño, atual candidato a presidente pela Frente de Esquerda, e o candidato a governador pela província de Buenos Aires, Christian Castillo, os quais reafirmaram a necessidade de construir uma organização mundial da revolução socialista.

Muito aplaudida foi também a intervenção de Lucía Nistal, da CRT do Estado Espanhol, que chamou todos para militar pela construção de uma esquerda revolucionária que seja uma verdadeira alternativa aos partidos reformistas como o Podemos e o Syriza, que se adaptam aos regimes capitalistas.

O ato terminou com a intervenção de Daniela Cobet da Courant Communiste Révolutionnaire (CCR) na NPA na França, relacionando a situação política aberta e os fenômenos da luta de classes com a necessidade de construir uma grande organização revolucionária internacional: “porque não se trata apenas de lutar, mas de nos prepararmos para a vitória”. Daniela Cobet chamou todas as pessoas presentes a unir-se a “esta luta pela revolução e pelo socialismo junto a classe trabalhadora”, o que foi recebido com muito entusiasmo.

O intenso dia de sábado culminou à noite uma emocional exibição de um filme sobre a greve de Onet pelos companheiros da Rèvolution Permanente.

No domingo houve tempo para outros importantes debates, como o sobre mudança climática e o programa anticapitalista e socialista diante da crise ambiental, debates sobre a precariedade e as doenças no trabalho, o debate sobre feminismo dos 99% e o feminismo socialista e, além disso tudo, a palestra da pesquisadora Sophie Wannich sobre a Revolução Francesa.

Uma plenária emocionante de encerramento da Universidade permitiu trocar primeiras impressões e reflexões sobre uma grande atividade internacionalista e revolucionária.

Enquanto as delegações começaram a se preparar para retornar aos seus países e cidades, todos celebraram o clima de entusiasmo militante, camaradagem e confraternização.

Uma jovem espanhola sintetizou bem: "Eu percebo que o internacionalismo é uma experiência concreta. Hoje em dia falamos idiomas diferentes, mas a mesma língua: estamos unidos pela luta pela revolução socialista e pela construção de um partido revolucionário internacional. Por isso que podemos nos entender muito bem".

 
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