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Sábado 24 de Agosto de 2019
11:00 hs.

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POLÍTICA
Moro e seu cinismo autoritário: confessa o conluio com Fux e diz ficar no cargo até que provem ilegalidades
Redação

Sérgio Moro em audiência no senado fez diversas afirmações em relação aos recentes casos de vazamento das mensagens pelo site The Intercept, ora questionando a veracidade e a autoria das mensagens, mas buscando naturalizar o conteúdo da troca de mensagens e colocando que seriam coisas que poderia ter falado, mas que são usadas de maneira “sensacionalista”.

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Fica evidente para todo país, que Moro atuou politicamente para evitar que Lula concorresse as eleições de 2018, forjando o processo sobre o Triplex, garantindo assim o caminho livre para que seus políticos de estimação tivessem a chance de ganhar o pleito, o que ocorreu com o despreparado Bolsonaro, que logo levou Moro para o ministério da justiça em seu governo.

O que se desnuda agora por meio desses vazamentos, o Esquerda Diário já denúncia desde o processo de impeachment de Dilma em 2016. Uma ofensiva golpista, que visava derrubar o regime de 1988, para impor uma nova correlação de forças no país, que fosse capaz de retirar os direitos mais básicos que os trabalhadores conquistaram, como podemos observar na reforma trabalhista aprovada no governo Temer e a tentativa de reforma da previdência que permanece como o “centro de gravidade” do regime em ponto de mutação.

Moro atua como um golpista que não mede esforços para estar no poder. Sobre o pretexto de combater a corrupção, Moro enganou milhões de brasileiros que confiaram que o juiz estava fazendo justiça. Hoje fica evidente a fraude e a interferência que a lava jato teve no processo eleitoral de 2018. Moro roubou o direito de milhões de trabalhadores votarem livremente em quem quisessem, prendeu o candidato que liderava todas as pesquisas de intenção de votos, sem provas, em um processo acelerado e viciado. Contra esse ataque a um direito democrático elementar e o avanço do autoritarismo judiciário contra as organizações e militantes de esquerda é necessário exigir a liberdade imediata para Lula, sem que isso signifique dar qualquer apoio político ao PT e seu projeto neoliberal “alternativo”.

Veja aqui algumas declarações de Moro na audiência:

“Não há qualquer convergência entre Ministério Público e o juízo"

"Existe um grupo criminoso organizado por trás desses ataques".

"Há algumas mensagens ali que me parecem algo que eu teria falado. No entanto, podem ter sido tiradas de contexto".

"Tudo bem, divulga, mas apresenta às autoridades para ser examinado", diz Moro

"Não é incomum que juiz converse com promotor, advogado, policial. Não é incomum que receba procuradores e se converse sobre diligências. É absolutamente normal"

"Não estou dizendo que reconheço autenticidade dessas mensagens. O que posso assegurar é que na condução dos trabalhos como juiz, eu sempre agi conforme a Lei",

"O que existe é uma invasão criminosa por um grupo criminoso que tenta invalidar condenações ou obstaculizar investigações que ainda estão em andamento ou ainda um simples ataque às instituições brasileiras"

"Entreguei meu aparelho à Polícia para exame. Existe essa invasão hacker para obstaculizar investigações, então é uma prova ilícita. E não há demonstração de autenticidade dos elementos divulgados pelo site. Não tem revelação de imparcialidade."

“É normal no Brasil esses contatos entre juízes, advogados, policiais, MPs. O que precisa ser avaliado é o conteúdo. Não tenho mais essas mensagens. Elas podem ter sido parcialmente adulteradas. Mas há muito sensacionalismo. O site divulga as questões sem fazer uma avaliação apurada do que publica."

"Eu não me recordo das mensagens de dois, três anos depois. Posso ter mandado sobre confiar no ministro X. Confio no Supremo, como instituição. Ali há uma mensagem citando um ministro específico, mas é um sensacionalismo. A divulgação dessa suposta mensagem, é para constranger o STF."

“Não tenho nenhum problema com a divulgação de material, desde que não adulterado ou veiculado como sensacionalismo, como de fato foi feito." Ele negou que tenha sido parcial na condução dos julgamentos e disse que as decisões foram submetidas a instâncias recursais superiores.”

Vale ressaltar que a esquerda precisa manter completa independência em relação aos vazamentos, não podemos achar que o combate ao regime golpista se dará por vazamentos parciais e gotejados com uma mídia capitalista que tem interesses em negociar sua parcela no regime por fora de defender os interesses dos trabalhadores, da juventude e do conjunto da população pobre. Um exemplo disso é como, ainda que intensificando essas disputas “palacianas” das instituições, os ataques neoliberais, ponto de convergência estratégica entre todos esses setores, são contornados, e nada se fala sobre o projeto do golpe institucional e como a reforma da previdência se vincula fortemente a esse plano.

Nós trabalhadores não podemos confiar nessas instituições. O judiciário durante toda a história do Brasil, atuou para esmagar os trabalhadores. É a instituição mais reacionária do Estado brasileiro, de guardiã da escravidão a tuteladora de golpes como o de 1964. É preciso defender que todos os juízes sejam eleitos e revogáveis a qualquer momento, que ganham o mesmo salário que uma professora e que sejam abolidos seus privilégios. Pra que sejam julgados os casos de corrupção, prática inerente do Estado capitalista que sejam organizados juris populares e que todos os envolvidos em escândalos de corrupção tenham seus bens expropriados sem qualquer tipo de indenização. Não será pelas mãos da lava jato que a resposta pra crise política do regime de 88 virá.

Também é necessário colocar o absurdo do discurso dos senadores, inclusive os da “oposição democrática” encabeçada pelo PT, com partidos como a Rede, PDT etc. Seus senadores partiram todos de, ao invés de denunciar o autoritarismo judiciário através da Lava Jato e do próprio envolvimento do STF com as conversas relacionadas ao ministro Luiz Fux e a decisão da prisão de Lula em instancia superior, esses parlamentares partiram todos de reivindicar a operação Lava Jato como uma marca na história do combate a corrupção do país e que longe de tentarem deslegitimar a operação de conjunto se prendem única e exclusivamente as mensagens vazadas.

Isso porque todos eles aceitaram o golpe institucional, incluindo o próprio PT, e sabem que para questionarem mais a fundo esse caráter autoritário do judiciário no regime tem que colocar em cheque o projeto neoliberal ao qual ele veio vinculado. O PT, longe de organizar os trabalhadores para derrotar a reforma da previdência e todo esse projeto se mantem nas disputas palacianas para testar sua correlação de forças na impotente estratégia parlamentar e de alianças com setores da direita que inclusive apoiaram o golpe.

Só a organização independente dos trabalhadores e da juventude, com um plano de lutas feito desde a base e de maneira democrática pode colocar esse projeto do regime de joelhos e dar um golpe certeiro no “centro de gravidade” que representa a reforma da previdência hoje. Atacando o lucro dos grandes capitalistas e defendendo o não pagamento da fraude da dívida pública, principal mecanismo de submissão da nossa economia aos interesses do imperialismo e justificativa para aprovação da reforma e avançando para um governo de trabalhadores, levantando um programa que combata os privilégios da oligarquia jurídica do país, contra o autoritarismo judiciário da Lava Jato e do STF e a favor da liberdade imediata de Lula sem que isso signifique apoio político ao PT e seu projeto que inclusive abriu espaço pro golpe institucional.

 
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