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Domingo 18 de Agosto de 2019
07:11 hs.

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CONTRA REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Vergonhoso: governadores do PT, PCdoB e PDT declaram apoio à reforma da Previdência do governo Bolsonaro
Virgílio Grasso

Durante os próximos dias será comum ver em Brasília governadores de partidos da "oposição" a Jair Bolsonaro pedirem votos de parlamentares pela aprovação da reforma da Previdência federal, o centro de gravidade da agenda de ataques neoliberais contra os trabalhadores. Entre eles, estão mandatários de Estados filiados ao PT e o PCdoB, além de PSB e PDT. A ação é o resultado de um consenso estabelecido pelos representantes dos 27 governos estaduais.

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Durante os próximos dias será comum ver em Brasília governadores de partidos da "oposição" a Jair Bolsonaro pedirem votos de parlamentares pela aprovação da reforma da Previdência federal, o centro de gravidade da agenda de ataques neoliberais contra os trabalhadores. Entre eles, estão mandatários de Estados filiados ao PT e o PCdoB, além de PSB e PDT. A ação é o resultado de um consenso estabelecido pelos representantes dos 27 governos estaduais.

Enquanto enganam trabalhadores e jovens com discursos de oposição à reforma da previdência, o PT e o PCdoB negociaram todos estes últimos meses as modificações para que aceitassem a implementação da reforma em seus Estados. Adotando parte da narrativa do governo bolsonarista, de que seria possível "uma reforma para acabar com os privilégios", passaram de anunciar propostas alternativas à reforma para, no final, acatar a proposta que o Executivo discute com o Legislativo e que representa a destruição das aposentadorias para milhões de trabalhadores. Uma vergonha.

Nem é preciso mencionar o PDT de Ciro Gomes, que tem na figura da deputada Tábata Amaral uma fervorosa defensora da reforma da previdência, tem que debate a portas abertas com ninguém menos que Rodrigo Maia e Paulo Guedes. O gosto pelos ajustes neoliberais vai ganhando primazia na pedetista: mesmo em meio à crise dos cortes na educação por parte do governo Bolsonaro, Tábata disse que "há universidades e faculdades que podem ter cortes maiores que outras".

O apoio dos governadores do PT, PCdoB, além de PDT e PSB acontecerá mediante a suspensão das alterações no benefício de prestação continuada e da aposentadoria rural, a desistência provisória de incluir a capitalização e de retirar as regras da Previdência da Constituição e o estabelecimento de 55 anos como idade mínima para professoras se aposentarem. Todas questões que poderão ser recolocadas na mesa logo depois que a reforma tiver sido aprovada; e que, ainda sem elas, representa um apoio do PT e do PCdoB, que dirigem a CUT e a CTB, à reforma da previdência.

Bolsonaro já havia feito propaganda da reforma da previdência usando o exemplo dos governadores petistas, que nos quatro Estados nordestinos que dirigem (Rui Costa da BA, Fátima Bezerra do RN, Camilo Santana do CE, Wellington Dias do PI) apoiavam a implementação de uma reforma "alternativa".

Camilo Santana, em março, ratificou a importância da reforma, defendendo-se com o artifício das “modificações populares” ao plano de Bolsonaro: “Eu sou favorável à importância de se fazer uma reforma da previdência, agora, alguns pontos eu não concordo. Por exemplo, o BPC (Benefício da Prestação Continuada) e a questão da aposentadoria rural, até porque nós, do Nordeste, temos uma realidade muito diferenciada em relação ao restante do Brasil. Acho que negociando esses pontos ficará mais fácil andar o projeto no Congresso Nacional”.

Rui Costa, governador do PT na Bahia, já em abril foi claro quanto à vontade dos governadores do PT em aceitar a reforma da previdência de Bolsonaro: “Os nove governadores do Nordeste tiraram um documento no qual falam que é necessária uma reforma que não penalize os pobres, e aponta alguns pontos. Quando se fala de Previdência, é preciso ter uma regra perene. Segundo, a capitalização vai arrebentar tanto a Previdência pública quanto a privada, e só beneficia os bancos. Os outros pontos são a questão rural e a prestação continuada. No documento, nos comprometemos que, se esses quatro pontos fossem retirados, nós aprovaríamos a reforma”. Costa já havia criticado o boicote do partido à posse de Bolsonaro e defendeu uma “trégua da oposição” no início de mandato.

Também em abril, a governadora do PT no Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, confirmou as palavras de Rui Costa, dizendo que “Não somos contra a reforma da previdência, mas defendemos que um debate, como este, que atingirá todas as camadas da nossa sociedade precisa ser amplamente discutido com todos”, no “Seminário Formativo Previdência Social no Brasil”, promovido pelo Sindicato dos Auditores Fiscais do RN.

Vê-se que o PT é absolutamente impotente para enfrentar os ajustes neoliberais de Bolsonaro, porque compartilha boa parte deles onde tem responsabilidade executiva. Assumem para si o ônus de negociara a aplicação de uma reforma ultraneoliberal que, em troca de financiamento estatal, obrigará milhões dos mais pobres (não apenas na região Nordeste) a entregarem suas vidas nos locais de trabalho, para na maior parte dos casos alcançar, no máximo, um salário de fome na velhice.

Diante dessa conduta vergonhosa, Felipe Guarnieri, operador de trem da Linha 1-Azul do metrô de SP e membro do Movimento Nossa Classe, disse que:

Os governadores do PT no nordeste após reunião com 27 governadores acabam de declarar seu aval à reforma da previdência. Enquanto isso, a CUT, dirigida pelo PT quer que os trabalhadores fiquem em casa amanhã na paralisação nacional. Parem de negociar nossas vidas e conter a nossa luta. O PSOL, principal partido à esquerda do PT, deveria como mínimo romper com o bloco parlamentar que tem com o PT e denunciar essa política.

Não é possível separar a conduta do PT e do PCdoB da política de suas centrais sindicais, CUT e CTB, que fazem coro com as máfias da Força Sindical e da UGT na campanha para que as pessoas "fiquem todas em casa" na paralisação nacional do 14J contra a reforma da previdência.

Ao contrário disso, precisamos colocar toda a energia da juventude que se mobilizou no 15M e no 30M junto à classe trabalhadora para realizar atos massivos nas ruas das principais capitais do país, com o objetivo de dar uma verdadeira demonstração de forças para derrubar a reforma da previdência (e não "desidratá-la").

Como disse Maíra Machado, professora da rede estadual de ensino em Santo André e membro do Nossa Classe, "É muito importante que o dia 14 não seja um dia isolado. Ninguém pode ficar em casa, como convoca escandalosamente a CUT e a CTB, fazendo coro com a política dos governadores de seus partidos de apoiar a reforma da previdência de Bolsonaro. Precisamos de um plano de luta até derrotar todos os ataques e todo o plano do golpe institucional, que inclui as reformas mas também ataques como a prisão arbitrária de Lula que se confirma como parte fundamental da manipulação das eleições de 2018. Por tudo isso viemos batalhando pela realização de milhares de assembleias de base em todo o país e pela constituição de um comando nacional de delegados, pra que os rumos da nossa luta não fiquem nas mãos de meia dúzia de dirigentes sindicais burocráticos que estão negociando nosso futuro. Nesse marco, denunciamos a direção majoritária da APEOESP que não convocou assembleia da categoria e não está colocando todo seu peso e aparato para construir um enorme ato concentrado no MASP. Não podemos fechar os olhos para isso e portanto é necessário que a esquerda constitua um polo alternativo a essas burocracias sindicais, exigindo fortemente delas que se movimentem e rompam essas negociatas. Nossa intervenção como MRT está a serviço dessa batalha".

 
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